domingo, 6 de abril de 2008
Como se deve avaliar a deficiência de vitamina B12?
Autor(a): Camila Garcia Marques
A deficiência de vitamina B12 (cobalamina ou cianocobalamina) pode ocorrer devido a baixa ingestão dessa vitamina ou devido absorção deficiente. A vitamina está presente em alimentos de origem animal (como carnes, leite e ovos). Portanto, vegetarianos estritos (veganos, que não ingerem nem leite ou laticínios, nem ovos, nem carne) não obtêm B12 da dieta.
A deficiência de B12 ocasiona prejuízo na divisão celular, especialmente nas células de rápida divisão, como as da medula óssea e da mucosa intestinal, interrompendo a síntese de DNA (ácido desoxirribonucléico), dentre outros. A diminuição da taxa mitótica resulta em células anormalmente grandes, levando a uma anemia característica, a anemia megaloblástica. As manifestações clínicas são alterações neurológicas, hematológicas, epidérmicas, fraqueza, e outras. Por isso, o diagnóstico precoce da deficiência de vitamina B12 é fundamental para evitar danos patológicos irreversíveis. Entretanto, a deficiência de ácido fólico também resulta na anemia megaloblástica, dificultando o diagnóstico de qual deficiência vitamínica seria a responsável por essa anemia.
Uma das maneiras mais comuns de examinar a deficiência de vitamina B12, além da avaliação de sintomas, é a medida da concentração dessa vitamina no plasma ou no soro, refletindo os níveis de ingestão e estoque. A deficiência fica evidente quando os níveis estão abaixo de 200 pg/ml ou 148 pmol/l para adultos, mas podem variar de acordo com a metodologia de análise utilizada nos laboratórios. Porém, esse não é um teste seguro, pois sofre influência direta das concentrações de proteínas que estão ligadas à vitamina B12, não fornecendo a concentração real da vitamina disponível para a célula. Por isso, os níveis de B12 podem ser normais mesmo em pacientes com deficiência desta vitamina.
Outros métodos que facilitam a identificação da deficiência da B12 são as dosagens de ácido metilmalônico (MMA) e homocisteína. O ácido metilmalônico apresenta sua concentração aumentada (0,4 micromol/l no soro) na presença da deficiência de vitamina B12. A dosagem é feita na urina, soro ou plasma. É necessário atentar para algumas situações clínicas que também favorecem a elevação do MMA, como é o caso de pacientes com insuficiência renal, gestantes, doenças da tireóide e o aumento intestinal de bactérias produtoras de ácido propiônico (precursor do MMA). Apesar de exigir equipamento específico para sua análise, tornando sua aplicação na prática clínica de alto custo, esse exame tem a vantagem de ser um diferencial para a detecção da deficiência da vitamina B12, já que a deficiência de folato não altera essa dosagem.
A concentração sérica total de homocisteína está elevada tanto na deficiência de vitamina B12 quanto na de folato. Também é um método de alto custo. A insuficiência renal, a deficiência de cistationina sintase e os erros inatos do metabolismo também aumentam sua dosagem. Por isso, esse método tem baixa especificidade.
Portanto, não há um método padrão-ouro para detectar a deficiência de vitamina B12. É necessária cautela na aplicação das diferentes dosagens e uma associação entre elas.
Bibliografia (s)
Paniz C, Grotto D, Schmitt GC, Valentini J, Schott KL, Pomblum VJ, et al. Fisiopatologia da deficiência de vitamina B12 e seu diagnóstico laboratorial. J Bras Patol Med Lab 2005;41(5):323-34. Disponível em:
http://www.scielo.br/pdf/jbpml/v41n5/a07v41n5.pdf. Acessado em 20/07/07.
The National Avademy Press. Dietary Reference Intakes for Thiamin, Riboflavin, Niacin, Vitamin B6, Folate, Vitamin B12, Pantothenic Acid, Biotin, and Choline (1998). Institute of Medicine (IOM). Disponível em:
http://fermat.nap.edu/books/0309065542/html/312.html. Acessado em 20/07/07.
Ácido metilmalônico é o mais sensível marcador de deficiência de vitamina B12. Disponível em: http://www.fleury.com.br/site/calandra.nsf/0/6BB731D57B8E3A5903256FA4005E25E7?opendocument&pub=T&proj=site_fleury&gen=dg_fleurycom. Acessado em 20/07/07.
Carmel R, Green R, Rosenblatt DS, Watkins D. Update on cobalamin, folate, and homocysteine. Hematology (Am Soc Hematol Educ Program). 2003;:62-81. Disponível em: http://www.asheducationbook.org/cgi/reprint/2003/1/62. Acessado em 20/07/07.
Laura YCG, Augusto CAM, Vicente OF, Flávio ACV. Anemias carenciais na infância. Pediatria (São Paulo). 1998;20(2):112-125. Disponível em: http://pediatriasaopaulo.usp.br/upload/pdf/364.pdf. Acessado em 20/07/07.
Klee GG. Cobalamin and folate evaluation: measurement of methylmalonic acid and
homocysteine vs vitamin B(12) and folate. Clin Chem. 2000;46(8 Pt 2):1277-83. Disponível em: http://www.clinchem.org/cgi/reprint/46/8/1277. Acessado em 20/07/07.
Guia Vegano. Quais são os exames laboratoriais que podemos utilizar? Disponível em:
http://www.guiavegano.com/nutricao/b12/b1234.html. Acessado em 20/07/07.
quinta-feira, 3 de abril de 2008
sexta-feira, 28 de março de 2008
terça-feira, 25 de março de 2008
'Comer em família evita distúrbio alimentar'
Refeições familiares são mais incomuns por falta de tempo
Comer com a família pode ser uma das formas mais fáceis de evitar que adolescentes mulheres desenvolvam distúrbios alimentares e recorram a medidas extremas para controlar o próprio peso, segundo uma pesquisa da Universidade de Minnesota, nos Estados Unidos, publicada na edição de janeiro da revista especializada Archives of Pediatrics & Adolescent Medicine.
Segundo o estudo, os distúrbios alimentares – que incluem comer desordenadamente e provocar o vômito para perder peso – se tornam mais comuns na passagem da adolescência para a vida adulta, e as refeições familiares podem ajudar a evitá-los.
“Distúrbios alimentares estão associados a uma série de conseqüências comportamentais, físicas e psicológicas danosas, que incluem uma dieta de qualidade inferior, ganho de peso, obesidade, sintomas de depressão e os próprios distúrbios”, dizem os autores do artigo.
“Por isso, é importante identificar estratégias para evitar esses distúrbios.”
Refeições frequentes
A médica e nutricionista Dianne Neumark-Sztainer e sua equipe estudaram 2.516 adolescentes em 31 escolas do Estado de Minnesota.
As participantes completaram dois questionários - um na escola, em 1999, e outro pelo correio, em 2004 – respondendo perguntas sobre com que frequência elas comiam com a família, seu índice de massa corporal, relação com a família e distúrbios alimentares.
Entre as adolescentes, aquelas que compartilhavam pelo menos cinco refeições por semana com o resto da família em 1999 tinham tendência significativamente menor a reportar o uso de medidas extremas para controlar seu peso em 2004, independentemente de suas características sócio-demográficas, índice de massa corporal ou relação com a família.
Entre os meninos, no entanto, as refeições familiares não tinham influência sobre os distúrbios alimentares cinco anos depois. Os autores do estudo, no entanto, não conseguiram identificar o porquê da diferença.
“As refeições familiares podem oferecer mais benefícios às meninas porque elas podem ser mais sensíveis, e provavelmente mais influenciáveis, pelos relacionamentos familiares e interpessoais do que os adolescentes do sexo masculino”, dizem os autores.
Eles também acreditam que elas, provavelmente, estariam mais envolvidas na preparação dos alimentos, aprendendo a preparar uma refeição balanceada.
Os distúrbios alimentares, no entanto, são muito mais comuns entre mulheres do que homens, e com as conclusões deste e de outros estudos, os autores recomendam que as autoridades encontrem meios de ajudar as famílias a comerem juntas.
sábado, 22 de março de 2008
terça-feira, 18 de março de 2008
Dieta de risco
Agência FAPESP – Uma pesquisa feita na Faculdade de Saúde Pública da Universidade de São Paulo (USP) põe em evidência importantes mudanças no padrão de consumo alimentar paulistano. Os resultados atestam que, nas últimas três décadas do século 20, houve um declínio no consumo de alimentos básicos, como cereais e derivados, e de frutas e hortaliças, ao passo que se verificou um aumento da participação de alimentos de baixo teor nutricional, como biscoitos e refrigerantes.
O estudo analisou a disponibilidade de alimentos em domicílios da cidade de São Paulo, e não o consumo propriamente dito. Foram utilizados dados das Pesquisas de Orçamento Familiar (POF), realizadas pela Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas da USP (Fipe) em dois períodos distintos: de 1971 a 1972 e de 1998 a 1999. Ambas as pesquisas mapearam a região urbana do município. As amostras das POF se referem a um universo de 2.380 domicílios (10.418 indivíduos) e de 2.351 domicílios (7.980 indivíduos), respectivamente.
“As mudanças verificadas na disponibilidade domiciliar de alimentos em São Paulo entre as décadas de 1970 e 1990 têm aspectos positivos – como um melhor acesso aos alimentos e seu barateamento em relação ao salário das famílias – e negativos – como o consumo excessivo e desbalanceado de calorias ”, disse à Agência FAPESP Rafael Moreira Claro, doutorando na Faculdade de Saúde Pública da USP e um dos autores do estudo, cujos resultados foram publicados em artigo na Revista de Nutrição.
De acordo com o pesquisador, na prática se pode fazer uma associação entre o padrão de alimentação e as doenças de determinada população. “O que se viu, desde a última metade do século 20, foi uma gradativa substituição dos problemas associados ao consumo insuficiente de alimentos, como a desnutrição, por aqueles associados ao consumo excessivo e desbalanceado, como a obesidade e as doenças cardiovasculares”, explicou.
O amplo período compreendido entre as POF possibilitou confirmar tendências de alimentação, como a substituição do consumo de manteiga por margarina, bem como a expansão na disponibilidade de alimentos processados, que registraram aumento de 500% para doces, 300% para refrigerantes e de 400% para biscoitos, itens muito menos comuns nos mercados na década de 1970.
O estudo constatou ainda um aumento na disponibilidade de alimentos de origem animal, como carnes e leite. “Apesar de a tendência apresentar características positivas devido ao aumento no consumo de proteínas e de cálcio, tais alimentos também constituem fontes de gordura animal e de colesterol, nutrientes danosos à saúde quando consumidos em quantidade excessiva”, disse Moreira Claro.
O resultado é semelhante ao encontrado em diferentes áreas metropolitanas no Brasil, mas São Paulo apresentou, segundo o estudo, maior participação de gorduras totais e menor percentual energético de carboidratos. O fenômeno, contudo, não ocorre somente em metrópoles como São Paulo e Nova York, onde os índices de obesidade provocados pelo excesso de alimentos se tornaram um grave problema de saúde pública.
“A grande confusão se dá pelo fato de esse fenômeno se iniciar nas grandes cidades, onde há necessidade de alimentos mais convenientes (de preparo e consumo fáceis e rápidos) e o marketing de consumo sobre alimentos processados é maior. Além disso, as oportunidades para prática de atividade física são cada vez mais limitadas. No entanto, a tendência é que, com o tempo, essas mudanças afetem também o estilo de vida em cidades menores e elas passem a apresentar altas taxas de obesidade”, indicou o pesquisador.
Informação nutricional
De acordo com os resultados, a participação do ferro se manteve estável devido, em grande parte, ao aumento do consumo de alimentos de origem animal, como a carne bovina. Contudo, o estudo aponta um decréscimo na quantidade de vitaminas, principalmente a vitamina C, e folato, ausência atribuída à diminuição na participação de frutas, verduras e legumes na dieta.
Para Moreira Claro, a análise da evolução dos padrões alimentares da população propicia subsídios para melhor compreender o assunto e implementar políticas públicas mais eficazes. Segundo ele, ações individualizadas para combater as doenças geradas pela obesidade parecem surtir pequeno efeito. Imposição de taxas a alimentos não saudáveis ou ainda isenções fiscais que barateiem alimentos saudáveis são algumas das opções discutidas.
“Medidas como a proibição da venda de alimentos não saudáveis em creches e escolas, avanços quanto à rotulagem de alimentos e a inserção de temas relacionados à educação nutricional nas escolas têm se mostrado satisfatórios. Iniciativas como a Lei nº 4508, aprovada em 2005 e que proíbe a comercialização de produtos que colaborem para obesidade infantil em cantinas de escolas do Estado do Rio de Janeiro, e a Resolução RDC nº 360, de 2003, que aprova regulamento técnico sobre rotulagem nutricional de alimentos embalados tornando obrigatória a rotulagem nutricional, são bons exemplos de ações que afetam um grande número de indivíduos”, destacou.
Para ler o artigo Evolução da disponibilidade domiciliar de alimentos no município de São Paulo no período de 1971 a 1999, disponível na biblioteca on-line SciELO (Bireme/FAPESP), clique aqui.
sexta-feira, 14 de março de 2008
quarta-feira, 5 de março de 2008
Dicas preservam saúde mesmo com consumo de chocolates na Páscoa
Com moderação e a escolha correta de alimentos, é possível manter a saúde e a boa forma física durante a Páscoa. Considerado até mesmo saudável e nutritivo devido a seus componentes nutricionais, o chocolate presente em ovos e colombas pascais pode ser um aliado da boa alimentação.
O chocolate tem substâncias tidas como estimulantes, como cafeína e teobromina, que podem elevar estados de euforia, agitação e raciocínio. Além disso, seus componentes agem sobre a serotonina e a dopamina cerebrais, substâncias responsáveis pela regulação do humor e dos comportamentos compulsivos, atuando como atenuante em casos de depressão, TPM (tensão pré-menstrual) e ansiedade.
A nutricionista Roseli Rossi aponta outros benefícios do doce. "A alta concentração de cacau, que possui flavonóides, epicatequinas e ácido galático, tem ação antioxidante e ajuda manter o coração e as células saudáveis." A iguaria fornece, ainda, energia para a prática de atividade física.
Tentação
A saúde começa a ser prejudicada a partir do exagero no consumo. "O chocolate é, sem dúvida, um dos alimentos que mais engordam. Rico em calorias, ele contém alto teor de carboidratos refinados e gorduras e uma pequena porção de proteínas", diz Rossi. "Portanto, tudo vai depender da quantidade consumida, do tipo de chocolate e do horário que foi ingerido."
Para não ter problemas com a gula, é aconselhável preparar o almoço de Páscoa com itens menos calóricos, de preferência vegetais preparados sem molhos prontos e carnes magras grelhadas, assadas ou cozidas. Dessa forma, é possível comer os doces típicos da época sem culpa. Outro conselho de especialistas é não pular refeições para comer chocolate.
Opte pelo consumo de manhã ou à tarde, se possível acompanhado de um pedaço de fruta. A colomba, por sua vez, pode ser consumida pela manhã, no lugar do pão ou da torrada. A calma ao mastigar faz com que a digestão seja mais lenta e que você se sinta satisfeito com menos quantidade.
As variedades diet, light, de soja, sem lactose ou sem glúten são opções para quem segue dieta especial. Mas lembre-se: no caso do chocolate diet, a quantidade de gordura presente é, em geral, maior. O ovo de Páscoa meio amargo ou amargo é o mais saudável, ao contrário dos brancos, recheados ou crocantes --com menos flavonóides e mais gordura.
Caso a tentação seja maior e você não consiga seguir as recomendações, invista em uma dieta equilibrada e em atividades físicas logo após a Páscoa.
quinta-feira, 28 de fevereiro de 2008
Medicina ecológica: a medicina que valoriza muito a alimentação e a digestão
"A medicina ecológica valoriza muito a alimentação e a digestão. Afinal a alimentação é uma das principais interações entre o organismo e o meio ambiente"
Ecomedicina ou medicina ecológica é um movimento que vem surgindo nos Estados Unidos e Europa desde a década de 90. Entretanto, é possível encontrar suas raízes desde 1965, quando foi fundada a Academia Americana de Medicina Ambiental, justamente para entender melhor o impacto do meio ambiente na saúde.
Situada em Wichita no estado do Kansas, ela oferece até hoje cursos de especialização nessa área. Entretanto segundo o médico norte-americano Andrew Weil, esse movimento cresceu mesmo a partir da década de 90, quando a consciência ambiental começou a aumentar em todo o mundo.
Medicina ecológica
A medicina ecológica parte do princípio que a saúde humana só pode ser entendida a partir da sua avaliação de um contexto que considere o ambiente onde o ser humano vive. Após o controle de muitas doenças endêmicas com medidas sanitárias e com a urbanização, os setores conservadores da medicina consideraram que as questões da saúde ligadas ao meio ambiente estavam resolvidas. Entretanto, o novo ambiente urbano trouxe novos riscos e fontes de doença aos seres humanos. Questões como a poluição, a contaminação de alimentos por resíduos químicos, e o próprio estresse gerado pela vida em grandes cidades, se tornaram sérios problemas de saúde pública.
E pior, alguns vetores e microorganismos estão se adaptando aos ambientes urbanos trazendo de volta as ameaças de epidemia, como o caso da infestação por Aedes aegypti que observamos nas cidades brasileiras.
Relação entre câncer e meio ambiente
A medicina ecológica sustenta, por exemplo, que há um aumento da incidência de câncer, em especial de mama e próstata, devido ao aumento de resíduos tóxicos no meio ambiente, tese que não é aceita pela maioria dos oncologistas. Muitos poluentes ambientais possuem capacidade de se ligar a receptores hormonais, e com isso estimular o crescimento de células cancerosas. Outros resíduos causam uma redução da eficiência do sistema imunológico em identificar e reduzir células cancerosas.
Possuindo princípios relativamente simples a medicina ecológica re-introduz conceitos importantes para melhorar a qualidade da medicina e mudar seus paradigmas. O primeiro desses conceitos é o da indivisibilidade (tanto do ser humano em partes como do individuo e meio onde ele vive), sustentando que a tendência reducionista da medicina precisa ser revista. Não é possível estudar as doenças a partir de uma ótica limitada. A medicina ecológica preconiza que a doença precisa ser entendida sob todos seus aspectos, inclusive os ambientais e os psicoemocionais. Assim os médicos deveriam ampliar sua visão e seu interesse para estar de acordo com as novas tendências da ciência mundial.
Interferência mínima com dano mínimo
Outros conceitos interessantes trazidos pela medicina ecológica que são carentes na medicina convencional é o princípio da interferência mínima com dano mínimo (“soft health care with no harm”). Hipócrates pai da medicina já frisava a importância de evitar o máximo os danos feitos ao paciente: “Primo no nocere” (em primeiro lugar não causar dano ao paciente) é um dos seus ensinamentos básicos.
Assim a medicina ecológica, apesar de não defender especificamente nenhuma linha de pensamento médico, sustenta que as medicinas complementares, que são menos invasivas, e passíveis de causar dano, devem ser as primeiras estratégias a serem implementadas. Caso não sejam eficientes, ou na dependência da gravidade e necessidade do doente, caberia então uma medida mais invasiva, como as da medicina convencional. Por isso é recomendado que o sistema primário de saúde ofereça preferencialmente medicinas complementares como acupuntura, homeopatia, osteopatia e fitoterapia.
Medicina ecológica valoriza muito alimentação e digestão
A medicina ecológica valoriza muito a alimentação e a digestão. Afinal a alimentação é uma das principais interações entre o organismo e o meio ambiente. Por isso preocupa-se muito mais com a qualidade dos alimentos, e em ofertar uma alimentação mais rica e farta em nutrientes essenciais. Assim a proposta é cuidar muito da alimentação mesmo no indivíduo saudável.
Nesse contexto a medicina ecológica valoriza muito um tema constantemente desprezado pela medicina convencional, que é a eficiência do funcionamento do fígado. O fígado possui um sistema de enzimas que detoxifica as substâncias tóxicas que entram no organismo. Existem novos estudos que mostram que vários extratos de plantas e vitaminas podem melhorar a eficiência desse sistema, com isso protegendo mais o organismo contra as toxinas do meio ambiente.
Quem estuda na Medicna Ecológica como eu, acredita que as mudanças do clima e no meio ambiente que ocorrerão nos próximos anos vão ser marcantes e trazer muito a atenção da sociedade para esse tipo de pensamento médico.
Atenção!
Esse texto e esta coluna não substituem uma consulta ou acompanhamento de um médico e não se caracterizam como sendo um atendimento
terça-feira, 26 de fevereiro de 2008
Você é o que você come
Seguindo a linha da filosofia "você é o que você come", a Abrapreci e a Quimioral lançaram, em parceria com dez chefs renomados, o livro Alta Gastronomia na prevenção do câncer de intestino. A obra, disponível para quem realizar doações à ONG no valor mínimo de R$ 100, reúne receitas criativas e saborosas para prevenir a doença, mantendo o hábito da boa mesa. A intenção é mostrar que o câncer de intestino pode ser evitável e, quando isso não for possível, pode ser diagnosticado precocemente e tratado.
"A imensa maioria dos tumores de intestino são dependentes de fatores ambientais e, dentre estes, o mais importante é, sem sombra de dúvida, a alimentação", afirmam os diretores da ONG, Angelita Gama e Paulo Arruda Alves, na abertura do livro.
A idéia é mesclar alimentação de qualidade, com princípios da Alta Cozinha e produtos indispensáveis para a dieta preventiva contra o câncer de intestino. "A Abrapreci está na companhia de competentes chefs, que se dedicaram a fazer da busca pela saúde – por meio da Alta Gastronomia – uma viagem riquíssima em sabores, cores, aromas e texturas", comentou Angelita Gama.
Fibras, pouca gordura e muito líquido estão presentes nas receitas feitas sob a orientação da nutricionista Cinthya Maggi, que também escreveu texto de introdução na obra. "É preciso que se adote uma dieta saudável para a prevenção de doenças do intestino, reduzindo o consumo de alimentos ricos em gorduras e açucares e aumentando o consumo de frutas, amidos e fibras", explica Maggi.
Chefs como Adriano Kanashiro, Allan Vila, Fabrice Lenud, Helena Rizzo Bins, István Wessel e Mara Salles criaram pratos como o sashimi de atum marinado com lula e molho oriental, paella sana e codorna com legumes, molho de damasco com laranjas e cuscuz para citar algumas das iguarias salgadas. As sobremesas não foram esquecidas, há a torta de ricota, pêra cozida no vinho e cassis com frutas secas caramelizadas e geladinho de maracujá com picadinho de frutas.
segunda-feira, 11 de fevereiro de 2008
Longevidade adquirida
Outro artigo na mesma edição mostra que, embora alguns indivíduos vivam até os 100 anos ou mais por evitar doenças crônicas, outros centenários vivem com essas condições por vários anos.
O artigo menciona também estudos com gêmeos mostrando que 25% da variação de longevidade humana é atribuída a fatores genéticos. Os outros 75% são atribuídos a fatores de risco modificáveis.
A equipe de Laurel Yates, do Hospital da Mulher de Brigham, em Boston, nos Estados Unidos, avaliou um grupo de 2.357 homens, cuja participação começou entre 1981 e 1984. Os voluntários, com idade média de 72 anos, forneceram informações sobre variáveis demográficas e de saúde, incluindo peso, altura, pressão sangüínea, níveis de colesterol e freqüência de atividades físicas.
Duas vezes durante o primeiro ano de participação e uma vez a cada ano até 2006, os voluntários completaram um questionário sobre as mudanças de hábitos, estado de saúde e capacidade para realizar tarefas cotidianas.
Um total de 970 homens (41%) viveu até 90 anos ou mais. Vários fatores modificáveis, biológicos e comportamentais, foram associados com essa longevidade excepcional. “Tabagismo, diabetes, obesidade e hipertensão reduziram significativamente a probabilidade de vida até os 90 anos, enquanto exercícios vigorosos e regulares a aumentaram consideravelmente”, destacaram os autores.
“Homens com duração de vida acima dos 90 anos demonstraram melhores funções físicas, bem-estar mental e autopercepção de saúde no fim da vida, em comparação com os que morreram mais cedo. Fatores adversos associados com menor longevidade – tabagismo, obesidade e sedentarismo – também foram associados com pior estado funcional no fim da vida”, descreveram.
A pesquisa estima que um homem de 70 anos que não fuma e tem pressão sangüínea e peso normais, não tem diabetes e se exercita de duas a quatro vezes por semana tem uma probabilidade de 54% de viver até os 90 anos.
Com os fatores adversos, sua probabilidade de viver até essa idade se reduz nas seguintes proporções:
- Estilo de vida sedentário: 44%
- Hipertensão (pressão alta): 36%
- Obesidade: 26%
- Tabagismo: 22%
- Três fatores reunidos, como sedentarismo, obesidade e diabetes: 14%
- Cinco fatores somados: 4%
No segundo estudo, a equipe de Dellara Terry, da Escola de Medicina da Universidade de Boston e do Boston Medical Center, estudou 523 mulheres e 216 homens com 97 anos ou mais. Os voluntários responderam questionários sobre histórico de saúde e capacidade funcional para escrever e-mails ou telefonar.
Os participantes foram divididos em grupos por sexo e pela idade na qual desenvolveram doenças normalmente associadas ao envelhecimento: doença pulmonar obstrutiva crônica, demência, diabetes, doença cardíaca, hipertensão, osteoporose, doença de Parkinson e derrame. Os que desenvolveram essas condições após os 85 anos foram classificados como retardatários, enquanto os que as desenvolveram antes foram denominados sobreviventes.
Entre os participantes, 32% eram sobreviventes e 68% retardatários. “Os centenários que desenvolveram doenças coronárias ou hipertensão antes dos 85 anos e sobreviveram até os 100 demonstraram níveis funcionais semelhantes aos dos retardatários”, disseram os autores.
Apesar de as mulheres terem sobrevivido mais até idades extremas, os homens centenários no estudo demonstraram melhores funções físicas e mentais que as mulheres. “Uma explicação para isso pode ser que os homens precisam estar em excelente saúde e funcionalmente independentes para chegar a uma idade tão extrema”, indicaram.
sexta-feira, 8 de fevereiro de 2008
Sexualização na mídia afeta saúde mental de meninas, diz estudo
A representação de jovens mulheres como objetos sexuais na mídia, prejudica a saúde mental de adolescentes, dizem especialistas americanos.
A exposição em revistas, televisão, videogames, videoclipes, filmes, letras de música, revistas, videogames e internet tem um efeito danoso para o desenvolvimento de garotas adolescentes, diz um relatório da Associação Americana de Psicologia, divulgado nesta segunda-feira.
A sexualização - que, segundo a associação, ocorre quando uma pessoa é vista como um objeto sexual e quando alguém é valorizado apenas por seu apelo ou comportamento sexual - pode levar à perda de auto-estima, depressão e anorexia.
Segundo o relatório, há exemplos da sexualização de jovens em todos esses veículos.
Os casos teriam aumentado com o surgimento de novas mídias, como a internet, e com a popularização do acesso à informação.
Entre os exemplos usados pelo relatório está um comercial de tênis que mostra a cantora Christina Aguilera vestida com uniforme escolar com a camisa desabotoada, lambendo um pirulito.
Efeitos negativos
“As conseqüências da sexualização de meninas na mídia hoje são muito reais e provavelmente terão uma influência negativa no desenvolvimento saudável das jovens”, disse Eileen L. Zurbriggen, presidente da força tarefa da Associação Americana de Psicologia que preparou o relatório e professora de psicologia da Universidade da Califórnia.
“Nós temos amplas evidências para concluir que essa sexualização tem efeitos negativos em uma série de áreas, incluindo o funcionamento cognitivo e físico, a saúde mental e o desenvolvimento sexual saudável”, afirmou.
As meninas podem acabar se sentindo desconfortáveis em seu próprio corpo, tendo problemas de auto-estima, distúrbios alimentares, depressão e uma auto-imagem sexual pouco saudável.
“Como uma sociedade, nós precisamos substituir todas essas imagens ‘sexualizadas’ com outras que coloquem as meninas em cenários positivos, que mostrem como são competentes e especiais”, disse Zurbriggen.
Segundo os psicólogos, os pais podem acabar contribuindo para o problema ou podem assumir uma posição protetora e educativa.
Responsabilidade
A associação fez um apelo para que os pais, educadores e profissionais de saúde fiquem atentos para o potencial impacto da sexualização sobre adolescentes.
“O objetivo é levar para todos os adolescentes, meninos e meninas, mensagens que levem a um desenvolvimento sexual saudável”, afirmou Zurbriggen.
O relatório recomenda ainda que as escolas tenham programas de educação sexual que mostrem aos alunos o impacto da exposição de jovens como objetos sexuais.
Para Andrew Hill, professor de psicologia médica da Universidade de Leeds, na Inglaterra, disse: "Se você olhar as revistas para meninas, é tudo sobre sexo. Nós somos uma sociedade visualmente absorvida, nossa visão das pessoas é dominada pela aparência delas".
"Uma das chaves aqui é a responsabilidade social. Os anunciantes e outras mídias precisam estar cientes de que os produtos que produzem e as imagens associadas a eles têm um impacto, e esse impacto não é sempre bom."
segunda-feira, 14 de janeiro de 2008
Mistura saudável
Segundo a revista, a pesquisa é a primeira a avaliar a influência combinada de atividades físicas e da ingestão regular de álcool em causas comuns de morte. De acordo com o trabalho, indivíduos que não bebem e não se exercitam têm risco de 30% a 49% maior de apresentar doenças cardiovasculares do que aqueles que fazem as duas atividades.
O estudo foi feito por cientistas dinamarqueses a partir de dados de quase 12 mil homens e mulheres com mais de 20 anos que participaram de um levantamento feito pela administração municipal de Copenhague. Os primeiros dados foram colhidos entre 1981 e 1983 e, no acompanhamento desde então, foram registrados 1.242 casos de doenças coronárias fatais e 5.901 mortes por outros motivos.
“Os resultados mostram que tanto se manter fisicamente ativo como beber moderadamente são importantes para reduzir o risco tanto de doenças cardiovasculares isquêmicas como de mortes por outras causas. A ingestão moderada de álcool reduziu o risco de mortalidade tanto em homens como em mulheres, mas o mesmo não foi verificado entre aqueles que bebem mais pesadamente”, disse Morten Grønbæk, diretor do Instituto de Saúde Pública da Dinamarca, que coordenou a pesquisa.
“Outra importante conclusão de nossa pesquisa é que a atividade física pode reverter alguns dos efeitos adversos associados com a abstenção ao álcool. Pessoas que não bebem, seja por motivos religiosos, por gravidez ou por caso anterior de alcoolismo, mas fazem atividades físicas moderada ou intensamente, também têm menor risco de adquirir doença cardiovascular do que aquelas que não bebem e se mantêm inativas”, disse Jane Østergaard Pedersen, primeira autora do artigo.
A pesquisa dividiu a atividade física em três categorias: níveis alto ou moderado (mais de duas horas por semana de exercícios como caminhada vigorosa, ciclismo ou esporte que cause exaustão); nível baixo (pelo menos duas horas semanais de caminhada leve, jardinagem ou outra atividade); e fisicamente inativos, cuja principal atividade física se resume a assistir TV ou a eventuais idas ao cinema.
A ingestão de álcool foi classificada de acordo com o total semanal: aqueles que beberam menos de um drinque (ou uma lata de cerveja ou uma taça de vinho) foram classificados como não bebedores; moderados foram os que consumiram de 1 a 14 drinques por semana; quem ingeriu mais de 15 drinques foi classificado como bebedor pesado.
Em cada um dos níveis de atividade física, inclusive no primeiro (ausência), os não bebedores tiveram risco em média 30% maior de doenças cardiovasculares na comparação com os moderados. Entretanto, os não bebedores tiveram uma redução no risco quando fizeram atividade física em nível moderado (31% menor) ou alto (33% menor).
Os que beberam pelo menos um drinque por semana e se mostraram fisicamente ativos foram os que se deram melhor, com 44% a 50% menos risco de adquirir doença cardiovascular quando comparados com os inativos e não bebedores.
Ao analisar as mortes por todas as causas naturais, incluindo doenças coronárias, os pesquisadores verificaram que em todas as categorias de ingestão alcoólica os fisicamente inativos tiveram o maior risco de morte. Em relação aos diferentes níveis de atividade física, os bebedores moderados foram os que apresentaram menor risco.
“Os menores riscos entre todas as causas foram observados na categoria fisicamente ativo e bebedor moderado e os maiores ficaram com os fisicamente inativos e não bebedores ou bebedores pesados”, disse Jane.
O artigo The combined influence of leisure-time physical activity and weekly alcohol intake on fatal ischaemic heart disease and all-cause mortality, de Jane Østergaard Pedersen e outros, pode ser lido por assinantes do European Heart Journal em http://eurheartj.oxfordjournals.org.
sábado, 5 de janeiro de 2008
Como se livrar dos agrotóxicos em sua mesa
Beatriz Monteiro para Época
A oferta desses produtos em feiras livres e supermercados deixou de depender exclusivamente de pequenos agricultores e ganhou escala industrial. O Brasil tem a sexta maior área agrícola do mundo destinada à produção orgânica, segundo a Organics Brasil, organização que promove exportações do setor. A maior parte dessa produção – que inclui soja, sucos, açúcar, castanhas e cachaça – é exportada. No varejo nacional, as frutas e hortaliças ainda são os itens mais procurados entre os orgânicos, e não costumam substituir completamente os convencionais. Para o bolso do brasileiro, esses produtos são caros. Uma fruta orgânica pode ter preço duas a três vezes maior que o de sua versão com agrotóxicos.
Um projeto iniciado no Rio Grande do Sul pretende reduzir a quantidade de agrotóxicos aplicada nas lavouras convencionais, oferecendo uma alternativa mais barata a quem não consegue encher a geladeira com orgânicos mas quer uma alimentação mais saudável. Sob a orientação da Embrapa, centro de pesquisa agrícola do governo, os agricultores aderem voluntariamente a um programa de manejo de pragas sem o uso indiscriminado de defensivos agrícolas prejudiciais ao meio ambiente e à saúde dos roceiros. Maçãs da Serra Gaúcha já entraram no sistema e outras frutas brasileiras estão em processo de certificação, segundo a coordenadora Rosa Sanhueza. Os produtos desse sistema de plantio serão identificados pela sigla PIN (de Produção Integrada) e por um selo do Inmetro (abaixo, uma lista de produtos e os riscos específicos que o uso de agrotóxicos em seu cultivo acarreta para o consumidor).
1. TOMATE
O tomateiro adoece facilmente. Daí o uso intensivo de defensivos químicos no cultivo de larga escala e a alta dose de resíduos tóxicos. O orgânico e o tipo cereja são mais resistentes a pragas e levam menos agrotóxicos
2. CENOURA
Bactérias, fungos e vermes contaminam a cenoura debaixo da terra. A maior parte do agrotóxico fica na casca. Descascar a cenoura a livra de 90% dos resíduos – mas também de nutrientes importantes
3. ALFACE
No sistema convencional, a alface é pulverizada com produtos químicos agrícolas várias vezes. A Anvisa achou resíduos químicos indevidos em 28,68% das amostras de alface – daí a vantagem da versão orgânica
4. MORANGO
Outra planta que atrai pragas e doenças, o que leva ao uso abusivo de defensivos agrícolas. Um morangueiro pode receber 45 pulverizações até a colheita. Na análise da Anvisa, 37,68% das amostras tinham resíduos inadequados 5. MAÇÃ
Os pesticidas aplicados à macieira podem atravessar a casca fina e chegar à polpa da fruta. As maçãs do Sistema de Produção Integrada, com a marca PIN, têm 25% menos pesticidas que as convencionais
6. GOIABA
Ainda mais sujeita ao ataque de pragas que as demais frutas. A versão orgânica é rara e pode conter larvas. O sistema de Produção Integrada ainda estuda um projeto-piloto para a fruta
7. UVA
Segundo a Embrapa Uva e Vinho, o sistema de produção de uvas praticado atualmente é dependente do uso de defensores agrícolas, ainda mais em clima tropical. As versões orgânicas e com a marca PIN têm menos resíduos
8. PÊSSEGO
A época ideal de cultivo do pêssego é de novembro a janeiro. Fora desse período, a fruta costuma ter mais agrotóxico. A versão orgânica é escassa em supermercados, mas é encontrada em algumas feiras do ramo
quinta-feira, 3 de janeiro de 2008
Alert Over The March of The ‘Grey Goo’ in Nanotechnology Frankenfoods

A breed of Frankenfood is being introduced into human diet and cosmetics with potentially disastrous consequences, experts said last night.
Academics, consumer groups and Government officials are warning that the arrival of nanotechnology threatens dangerous changes to the body and the environment.
The particles it uses are so small - 80,000 times thinner than a human hair - that they can pass through membranes protecting the brain or babies in the womb.
Nano health supplements, such as antioxidants, are already on the market while the first of hundreds of new foods are expected to arrive in the next 12 months.
However, the products are being introdeduced without any regulation or independent assessment to ensure they are safe - mirroring the controversy over the launch of GM foods ten years ago.
Some critics have talked of the threat of the creation of a “grey goo” of tiny particles with hidden harmful properties.
Prince Charles has said it would be “surprising” if the technology did not “offer similar upsets” to thalidomide - the morning sickness drug that caused children to be born with deformed limbs.
Professor Vicki Stone, Professor of Toxicology at Napier University in Edinburgh, is concerned about unforeseen side effects.
“We know very little about the ability of nanoparticles to move around the body, to accumulate or to be excreted, or their potential to cause toxic effects in organs,” she said.
However, nanotech advocates have remarkable claims for the technology. For example, foods are in development that are said to stave off the aging process.
On a more trivial level, they suggest it would be possible to create a fizzy drink that changes flavour according to the number of times the can is shaken.
Scroll down for more…
The consumer group Which? is about to launch a nanotech campaign arguing that consumers need to be consulted on the risks and benefits before it is too late.
The food and farming department Defra has published an independent report which admits there are serious gaps in safety data.
It warns: “There could be very significant implications for business and the wider community if potential risks are not identified and managed before any harm to the environment or human health may be done.”
The report - Characterising the Risks Posed by Engineered Nanoparticles - states there is a shortage of research money.
It says the resulting absence of basic information about the particles means “it will be difficult or impossible to develop any general understanding of nanoparticle toxicology”.
The report adds: “Transfer across biological barriers - e.g. to the brain or foetus - should be studied. Research into how long these tiny particles persist in the body is urgently needed.”
It warns that work assessing human toxicology is being hamstrung by “profound difficulties in accessing relevant funding for these longer term projects”.
Research by Which? found six out of ten people (61 per cent) have never heard of nanotechnology.
Sue Davies of Which? said: “The benefits that nanotechnologies can offer consumers are really exciting.
‘But before the market is flooded with products, it’s crucial the Government addresses the lack of scientific understanding about how some nanoparticles behave.”
The European Food Safety Authority last year held a conference on the future of food.
Dr Donald Bruce, an expert on food and ethics, told delegates that the arrival of nanotech foods has many similarities with GM products.
US corporations attempted to introduce GM before an effective safety regime could be established.
“One of the things to ask is do we need the benefits claimed by the producers?’ he said. ‘Also there is the underlying notion that we are tampering with nature.”
Environment minister Phil Woolas admitted there were gaps in knowledge, but denied the Government was failing to provide enough research cash.
Tiny particles that have generated great hopes and growing concerns
Nanotechnology involves using a substance in particles that are so small that the substance takes on new properties.
The name of the technology comes from the size of the particles - one nanometre in diameter - a millionth of a millimetre. Reduced to this size, materials can suddenly show very different and unexpected properties.
For example, an opaque substance such as copper becomes transparent, or an inert metal such as platinum becomes a catalyst and triggers chemical reactions.
Advocates argue that such particles can be organised to work together to deliver specific effects in a piece of equipment or in the human body.
They can be used to build miniature hard drives that have an immense memory, so allowing further miniaturisation and sophistication of products such as computers and mobile phones.
Washing machines have been developed that release silver nanoparticles that will kill bacteria in dirty washing.
Sun creams have been created so they become transparent rather than chalky white.
In medicine, it is claimed that nanotechnology will allow the creation of drugs that reach and treat a problem quickly.
Manufacturers are working on nanotech foods and supplements that are also designed to deliver specific health benefits.
Similarly, firms are working on developing anti-ageing foods, where nanotech particles associated with renewing the skin from the inside could be included in everyday products such as yoghurt, spreads or breakfast cereals.
The technology promises huge riches for firms which develop winning applications.
One of the first group of nanoparticles being utilised are fullerenes - tiny hollow carbon balls and tubes. They are very heat resistant, strong and conduct electricity.
The football-shaped C60 fullerene is being used in some anti-ageing products. The creams are said to reduce fine lines and firm the skin.
C60 has some antioxidant properties in that it kills the rogue chemicals which damage cells. However, a high dose can itself damage cells.
Some nano particles are known to mimic the harmful effects of asbestos on the lungs. Consequently, they have the potential to trigger lung cancer if inhaled.
© 2007 The Daily Mail
quarta-feira, 2 de janeiro de 2008
A importância de comer bem
Agência FAPESP – Uma nova pesquisa analisou sites que oferecem programas de emagrecimento. O estudo, de caráter exploratório, constatou que modelos oferecidos na internet já incorporam a reeducação alimentar no lugar da tradicional dieta rigorosa.
De acordo com a autora Ligia Amparo da Silva Santos, professora adjunta no Departamento Ciências da Nutrição da Escola de Nutrição da Universidade Federal da Bahia (UFBA), o objetivo do trabalho foi chamar a atenção para uma prática muito utilizada por quem deseja perder peso.
“A ciência não tem explorado os sentidos e significados desses programas na internet. Suponho que ainda seja precoce levantar conclusões, mesmo que provisórias, mas um dos diagnósticos a ser investigado é por que procurar tais programas e não profissionais de saúde”, disse Ligia à Agência FAPESP.
Segundo o estudo, publicado em artigo na revista Physis, Revista de Saúde Coletiva, a mudança de paradigma em relação aos programas de reeducação alimentar – a reeducação no lugar da “dieta rígida, monótona e rigorosa” – precisa ser mais bem avaliada.
O estudo selecionou seis sites conhecidos, a partir de uma amostra de 336 relacionados a programas de emagrecimento disponíveis no Brasil, durante um período de dois meses. Os sites analisados (Cyberdiet, Emagrecendo, Perca Gordura, Sempre em Forma, Good Light e Dieta Diet) foram divididos em duas categorias: de conteúdos abertos e de conteúdos fechados, só para assinantes.
Em ambos os grupos, foram analisadas imagens, receitas, reportagens depoimentos e outros aspectos. De acordo com Ligia, os sites abertos usavam uma estratégia bastante utilizada nas revistas femininas, em que “personalidades funcionam como identificação e projeção, servindo de estímulo ao público”.
“Uma segunda estratégia é a do ‘antes e depois’, que tem o intuito de demonstrar os resultados do programa. É um recurso de colocar ‘gente como a gente’, o que traz maior identificação com o público. Com as tecnologias da informática, muitos sites sobrepõem fotos, alternando as imagens do antes e depois do emagrecimento, em um jogo visual que pode causar importante impacto em usuários potenciais”, destacou.
Esses sites oferecem muitos textos, reportagens e dicas sobre diferentes temas, do tipo propriedades dos alimentos, alimentação e dieta, dicas do que fazer quando sentir fome, orientações sobre atividades físicas e cálculo do índice de massa corporal, que é um dos primeiros elementos visualizados nas páginas.
Já os de conteúdo fechado oferecem também espaços para compras de produtos, livros e visualização do progresso da dieta. Os usuários têm um canal exclusivo de e-mail, além de chat e telefone (com horários preestabelecidos). Especialistas em nutrição, atividade física e psicologia ficam à disposição dos usuários.
“Os depoimentos publicados nos sites atribuem permanentemente uma situação de conforto e apoio por meio desses profissionais. Trata-se de uma relação paradoxal, na qual se sabe que há alguém constantemente presente, mas não se conhece quem está controlando e auxiliando no processo”, disse a pesquisadora.
Gastronomia e ciências da nutrição
De acordo com a pesquisa, os múltiplos discursos na internet relacionados à dieta não se afastam dos discursos médico-nutricionais e a referência à dieta hipocalórica e hipolipídica não parece ser contestada. Os textos são reelaborados, buscando elementos da vida cotidiana dos sujeitos para consubstanciá-los dentro da lógica publicitária.
Foi observada uma mudança de concepção nas tentativas de criar estratégias educacionais. O “fazer dieta” vem cedendo espaço para o “comer de tudo sem passar fome”. A gastronomia entra, segundo Ligia, como “elo importante do resgate do prazer em comer, ao estabelecer uma aliança com as ciências da nutrição”.
“O gosto é um dos aspectos mais subversivos do corpo, o direito ao prazer é uma espécie de reivindicação silenciosa do corpo e sobre isso a nutrição precisa pensar junto com a gastronomia. As ciências da nutrição, no bojo da sua história, secundarizaram o prazer – um importante objeto da gastronomia – em prol da saúde. Isso está sendo paulatinamente revisto”, disse, enfatizando em seguida o caráter ainda preliminar do estudo.
“Comer é muito mais do que a ingestão de nutrientes para garantir a funcionalidade do organismo na preservação e promoção da saúde. Trata-se de uma prática cultural, construída e ao mesmo tempo construtora de identidades, uma forma de sociabilidade e de prazer. O projeto da ciência em transformar o comer em apenas nutrir o corpo não tem funcionado e a resposta vem dos próprios sujeitos”, afirmou a autora.
Para ler o artigo Os programas de emagrecimento na internet: um estudo exploratório, disponível na biblioteca on-line SciELO (Bireme/FAPESP), clique aqui.

