terça-feira, 14 de outubro de 2008
Como uma alimentação realmente saudável pode mudar a sua vida?
Quando se fala em mudar o estilo de vida para obtenção de uma vida mais saudável, a primeira questão que nos vem à mente é mudar os hábitos alimentares. Uma mudança nos hábitos alimentares realmente é primordial tanto para o restabelecimento da saúde quanto da manutenção da mesma. Mas o que é uma alimentação realmente saudável e como ela pode nos ajudar? Isto é uma outra questão...
· Alimentos saudáveis são aqueles que contêm nutrientes. Tanto os essenciais na manutenção do funcionamento de nosso organismo, como carboidratos, vitaminas e sais minerais e/ou, funcionais, como licopeno e selênio, antioxidantes que desaceleram o envelhecimento das células, colaborando na recuperação de tecidos saudáveis.
· Alimentos saudáveis não contêm substâncias que possam prejudicar nosso organismo. A maioria dos alimentos industrializados contém conservantes, emulsificantes, estabilizantes, corantes etc. Estas substâncias, sozinhas ou combinadas, são prejudiciais ao nosso organismo, pois se tratam de substâncias químicas que não são alimentos e que, portanto, não são devidamente metabolizadas pelo organismo humano, tornando-se xenotoxinas que se acumulam no organismo e se tornam até cancerígenas. O uso de agrotóxicos também é uma sobrecarga tóxica para o organismo, depositando resíduos químicos tanto na seiva das plantas quanto na superfície dos alimentos, além de contaminar rios e lençóis d’água.
· Alimentos saudáveis são elaborados de forma a promover nossa saúde. O preparo dos alimentos influencia tanto a capacidade de absorção dos nutrientes pelo organismo quanto às condições físico-químicas dos alimentos e seus nutrientes. Vegetais crus possuem suas propriedades físico-químicas intactas, enquanto que alguns alimentos cozidos são melhores absorvidos pelo organismo. Grãos germinados, a comida viva, possuem capacidades desintoxicantes e a água mineral de boa qualidade possui ph neutro que colabora na absorção de nutrientes, além de conter sais minerais essenciais.
Os Sinais do Corpo
Nosso sistema digestivo é aquele que assimila os nutrientes dos alimentos ingeridos e que repõe a energia gasta ao longo do dia. Ele é acionado ao nascer e passa por adaptações no decorrer da vida que são, na verdade, as necessidades que o organismo tem em cada fase da existência.
Quando bebês, estamos adaptados a digerir a proteína do leite; quando crianças, estamos ávidos por crescer; quando adolescentes, enfrentamos as mudanças hormonais; quando adultos, estamos nos preparando para o estágio seguinte de pleno envelhecimento das células. Da mesma forma que o corpo se adapta às fases da vida, o sistema digestivo precisa fornecer os nutrientes e a energia necessários a cada fase e, também, colaborar na cura e restabelecimento do organismo.
Devido à importância que o sistema digestivo tem para o funcionamento do corpo é que uma simples mudança nos hábitos alimentares proporciona resultados tão claros. Porém, uma alimentação saudável não se resume à ingestão de nutrientes. Uma alimentação saudável deve repor a energia, colaborar na manutenção da saúde e, também, permitir que o organismo efetue suas funções de combate às doenças.
Uma alimentação saudável nada tem a ver com restrições exageradas, tampouco com excessos. Tanto o corpo quanto a mente tendem a buscar o equilíbrio, procurando os alimentos certos para cada fase da vida. O ato de se alimentar se expressa na vontade do corpo e da mente. Para uma alimentação saudável é preciso saber ouvir os sinais do organismo, fazendo com que o processo digestivo permaneça em bom funcionamento e, também, saber escolher os alimentos para obter uma plena absorção dos nutrientes necessários ao dia-a-dia.
* Clarissa Taguchi ministra aulas de culinária de Alta Vitalidade, informações clarissataguchi@gmail.com
http://www.honno.com.br/index.html
segunda-feira, 15 de setembro de 2008
Comida viva (Globo Repórter)
Prato do dia: verduras, legumes, frutas e sementes germinadas. É a comida viva!
"Eu tomava remédio para pressão e não tomo mais. Emagreci dez quilos com uma alimentação natural que qualquer um pode fazer em casa", conta o aposentado Orlando Asse dos Santos.
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Notícias, Reportagens e Eventos relacionados ao Sistema Honnō de Saúde e às técnicas e terapias da antiga Medicina Oriental
Participação de renomados conferencistas internacionais com o objetivo de incentivar o intercâmbio técnico-científico e a troca de experiências entre profissionais de saúde do Brasil e do Japão, como também observar a evolução do uso da Acupuntura, Eletroacupuntura e outras técnicas e terapias da Medicina Oriental, no tratamento de doenças específicas e sua eficácia na prevenção de diversas enfermidades.
Eventos paralelos, workshops e mini-cursos diversos com emissão de certificados das instituições organizadoras.
Lançamento de livros como “Revolução Imunológica” do prestigiado Dr. Toru Abo da Universidade de Medicina de Niigata, Japão.
Apresentação e explanação de técnicas e exercícios do Sistema Honnō de Saúde e os “8 Caminhos de Saúde e Cura”, pelo Dr. Sohaku Bastos.
Mais informações Aqui.
terça-feira, 19 de agosto de 2008
Dieta inadequada na infância pode influenciar desenvolvimento escolar
da Efe, em Londres
Uma dieta inadequada nos primeiros anos da infância pode afetar o posterior desenvolvimento escolar das crianças, segundo indica um estudo publicado hoje no Reino Unido.
A pesquisa, realizada por especialistas das universidades inglesas de Londres e Bristol, assinala que as crianças que aos 3 anos consumiram muita comida de baixa qualidade nutricional --como alimentos muito processados ou com alto conteúdo de sal e açúcar-- progrediam menos no colégio.
Os especialistas descobriram que, em comparação com outras crianças, as que se alimentaram pior tinham 10% menos probabilidades de alcançar os níveis de desenvolvimento esperados entre os 6 e os 10 anos.
Também comprovaram que o regime alimentar em anos posteriores não tinha tanta influência sobre o desempenho na escola.
O trabalho apresentado hoje se baseou nos dados fornecidos por um estudo da Universidade de Bristol, que acompanha o desenvolvimento de 14 mil crianças desde seu nascimento, em 1991 e 1992.
Para chegar a suas conclusões, os pesquisadores levaram em conta outros fatores que podem afetar o desenvolvimento escolar infantil, como baixa renda dos pais e más condições familiares.
Segundo a especialista em nutrição Pauline Emmett, da universidade de Bristol, o estudo mostra uma sólida associação entre hábitos alimentícios nos primeiros anos de vida e o posterior desenvolvimento escolar, e indica que as primeiras alimentações têm efeitos duráveis, à margem de mudanças posteriores na dieta.
"É muito importante que as crianças tenham uma dieta equilibrada desde a primeira infância, caso queiram tirar o máximo proveito da educação", ressaltou Emmett.
segunda-feira, 23 de junho de 2008
Curso Prático de Alimentação de Alta Vitalidade - RJ (novas datas)
Curso Prático de Alimentação de Alta Vitalidade : Sistema Honnō® de Saúde
Honnō-Ryori - Reeducação da mente e corpo para a nutrição do organismo através da prática culinária.
Organização: Clarissa Hashimoto Taguchi
Revisão: Dr. Sohaku Bastos
Módulo Básico I* – Pratos para o dia-dia
Aprenda a preparar alimentos nutritivos, saudáveis e de Alta Vitalidade de maneira simples e saborosa, combinando elementos para o seu dia-a-dia.
Data: Dia 25 (4ª) de junho de 2008, das 9h às 15h.
Ou dia 05 (sáb) de julho de 2008, das 9h às 15h.
Módulo Basico II
Data: Dia 28 (sáb) de junho de 2008, das 9h às 15h.
Próximas datas e informações: aqui.
Local: Laranjeiras, Rua Alice 1150
Em nossa culinária utilizamos ingredientes frescos, de origem vegetal e sem aditivos químicos, sendo as hortaliças orgânicas da época, seguindo-se o princípio da Medicina Natural Honnō.
Vagas limitadas com aulas práticas, permitindo o aluno interagir na elaboração dos pratos.
*Após o "Módulo Básico I - Pratos para o dia-dia", o aluno poderá escolher os módulos restantes de seu interesse.
Básico I - Pratos para o dia-dia
1) Qual o melhor alimento para o homem?
2) Quais alimentos consumimos?
3) A má notícia
4) É somente a dieta que importa?
5) O que é Energia Vital dos alimentos?
6) O que vamos comer?
7) Alimentos crus, in natura e preparados
8) Germinando as sementes
10) O arroz integral
11) Cozinhando Legumes I
12) Cozinhando Verduras I
13) Preparando a Salada I
14) Uma salada viva I
15) Uma sobremesa viva I
Básico II – Combinações essenciais
17) Fundamentos da dietética chinesa
18) Os cinco elementos
19) Reconhcendo sabores
20) Dieta Vegetariana
21) Combinando crus e cozidos
22) O que vamos comer?
23) Germinando as sementes II
24) Almondegas de arroz integral
25) Gersal e Gerfibra
26) Cozinhando Legumes II
27) Cozinhando Verduras II
28) Preparando a Salada II
29) Uma salada viva II
30) Uma sobremesa quente
Vegetais orgânicos têm mais nutrientes
No novo relatório, cientistas da ONG The Organic Center examinaram cuidadosamente as pesquisas e contrastaram a quantificação de alguns nutrientes em alimentos cultivados sob os sistemas orgânico e convencional. Os cientistas descobriram que os vegetais
orgânicos possuíam níveis mais altos dos nutrientes avaliados em 61% dos casos.
Além disso, os alimentos orgânicos tenderam a ter maiores níveis de antioxidantes e polifenóis, nutrientes que estão pouco presentes nas dietas americanas. Em contraste, os alimentos convencionais tinham maiores níveis de potássio, fósforo e proteína total, nutrientes que já estão presentes em quantidades suficientes nas dietas comuns.
A Organic Center irá atualizar estes dados à medida em que forem publicados novos estudos comparando alimentos orgânicos e convencionais.
Leia a íntegra do relatório em inglês em:
http://www.organic- center.org/ science.nutri. php?action= view&report_id=126
Fonte:
Union of Concerned Scientists FEED, Abril de 2008.
http://www.ucsusa. org/food_ and_environment/ feed/feed- april-2008. html#4
sexta-feira, 30 de maio de 2008
Simbiótico melhora funcionamento intestinal em mulheres
Apesar de o trabalho avaliar os efeitos desse produto em mulheres com constipação intestinal, os pesquisadores também incluíram mulheres sem constipação para compararem com parâmetros de normalidade. Por isso, foram divididos dois grupos: um grupo de mulheres com constipação (266) e outro grupo de mulheres sem constipação (112) para receberem duas unidades/dia de iogurte contendo simbióticos com Bifidobacterim animalis DN 173-010 e inulina ou uma sobremesa láctea sem probiótico (grupo controle), durante quatro semanas.
A ingestão de fibras foi verificada nos dois grupos, mas não houve diferença significante: 8,7 ± 6,4 g/dia em mulheres com constipação e 9,4 ± 6,5 g/dia nas mulheres sem constipação.
Após período de estudo o grupo de mulheres com constipação e que consumiram o iogurte contendo simbiótico tiveram aumento na freqüência das evacuações quando comparadas com as que receberam a sobremesa controle (6,1 ± 2,7 contra 5,0 ± 2,6 evacuações/semana). Além disso, o consumo do simbiótico diminuiu a dor abdominal ao evacuar (0,1 ± 0,2 contra 0,2 ± 0,3), o esforço para evacuar (1,9 ± 0,8 contra 2,2 ± 0,9) e melhorou a consistência fecal (3,6 ± 1,0 contra 3,4 ± 1,0), comparadas com o grupo que recebeu a sobremesa controle. No grupo de mulheres sem constipação os efeitos também foram positivos para os mesmos parâmetros, mas com uma importância menor do que nas mulheres com constipação.
“Nosso estudo não foi desenhado para explicar os mecanismos envolvidos com os efeitos observados, mas podemos sugerir que a mudança na flora intestinal pode acelerar o trânsito intestinal no cólon por alterar a capacidade de absorção de água, e por isso melhorar o funcionamento intestinal. Também é possível que este tipo de intervenção possa modificar a resposta imune e neuroendócrina da mucosa intestinal, mas para afirmar isso teríamos que realizar um estudo por um maior período de tempo”, explicam os pesquisadores.
“É importante dizer que não houve efeitos adversos no consumo do iogurte com simbiótico e da sobremesa utilizada como controle, mostrando a alta segurança desses produtos. Aliás, o uso do placebo foi uma grande dificuldade para nós, pois entre outros motivos, não encontramos um produto que pudesse ter características similares ao iogurte sem que causasse algum efeito fisiológico ao sistema digestório humano”, argumentam. “Nossos resultados mostram que o iogurte com simbiótico pode melhorar significativamente os parâmetros relacionados à evacuação intestinal em mulheres com constipação funcional, mas devem ser excluídos os indivíduos intolerantes ao leite e derivados”, concluem.
Referência(s)De Paula JA, Carmuega E, Weill R. Effect of the ingestion of a symbiotic yogurt on the bowel habits of women with functional constipation. Acta Gastroenterol Latinoam. 2008;38:16-25.
Thiago Manzoni Jacintho para Nutritotal
terça-feira, 29 de abril de 2008
5 armadilhas destroem a alimentação saudável,
Do Minha Vida.
Para fugir dos erros comumente cometidos pelos iniciantes no método, a responsável pela equipe nutricional do Minha Vida, Roberta Stella, montou uma lista com os erros mais comuns. Veja se as dúvidas a seguir já rondaram sua cabeça na hora de montar seu prato guiado pela pirâmide e saiba como escapar dessas armadilhas, da melhor maneira.
Armadilha: Ficou difícil resistir à macarronada do almoço e você não pensou duas vezes na hora de encher o prato de carboidratos. Como não quer extrapolar as porções que tinha programado para o dia todo, resolve banir o nutriente do restante das refeições.
Dica: Faça um planejamento antecipado para não restar dúvidas sobre o número e a quantidade das porções que você precisa ingerir durante o dia. A princípio, parece um pouco trabalhoso. Mas basta fazer os cálculos no primeiro dia e seguir essa organização nos outros, usando atabela de substituições como guia , ensina a
| nutricionista. Se você escorregar em alguma refeição, nada de ficar rearranjando os grupos alimentares. O conselho da especialista é manter o planejamento como se o deslize não tivesse acontecido. Tentar consertar o erro pode gerar confusão e fazer com que nutrientes importantes para o organismo não sejam ingeridos na quantidade adequada , ressalta Roberta. Armadilha: Seu objetivo é contar com os princípios da pirâmide alimentar para emagrecer. Por isso, você toma muito cuidado com o grupo dos cereais, pães, tubérculos e raízes, rico em carboidratos. Você dispensa algumas porções e garante o baixo valor calórico do seu cardápio. Dica: A pirâmide nada mais é do que a representação global de um cardápio balanceado. O maior cuidado ao segui-la deve ser para que todos os grupos alimentares estejam presentes na alimentação na quantidade mínima , alerta Roberta. Ou seja, se a quantidade indicada |
Armadilha: Seu objetivo é contar com os princípios da pirâmide alimentar para emagrecer. Por isso, você toma muito cuidado com o grupo dos cereais, pães, tubérculos e raízes, rico em carboidratos. Você dispensa algumas porções e garante o baixo valor calórico do seu cardápio.
Dica: A pirâmide nada mais é do que a representação global de um cardápio balanceado. O maior cuidado ao segui-la deve ser para que todos os grupos alimentares estejam presentes na alimentação na quantidade mínima , alerta Roberta. Ou seja, se a quantidade indicada de determinado grupo é de três porções, estipular somente duas ao longo do dia é um erro. Para estar de acordo com a sua meta, a única variação da pirâmide está relacionada à quantidade de cada porção. Quem pratica exercícios, quer emagrecer, manter ou ganhar peso, segue a mesma pirâmide. O que muda é a quantidade das porções, já que ela está atrelada ao número de calorias diárias da dieta . Isso, além de fornecer todos os nutrientes necessários ao organismo, garante que as refeições sejam feitas a cada quatro horas, com pequenos lanches entre os pratos principais (veja um exemplo de cardápio). Isso diminui a possibilidade de excessos na alimentação, já que você não chega faminto à próxima refeição.
| Armadilha: Como você não tem o costume de comer à noite, prefere agrupar as porções que deveriam compor o jantar com as do almoço. Afinal, o que vale é a soma final das porções dos grupos alimentares indicadas pela pirâmide. Dica: A pirâmide alimentar estimula o bom hábito à mesa. Portanto, não é recomendado concentrar os grupos alimentares em poucas refeições , explica Roberta. O conselho da nutricionista do Minha Vida é optar por alimentos de fácil digestão e que façam parte da sua rotina alimentar. Se você não está acostumado a jantar, substitua os alimentos típicos dessa refeição por outros que podem montar um lanche. Troque o arroz por pão, a carne por um embutido e assim por diante. Mas é importante seguir as porções de cada grupo , diz. |
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Dica: Deixar algum grupo alimentar de lado, segundo Roberta, não prejudica o andamento da pirâmide. Mas o propósito de criação dela é justamente oferecer uma alimentação rica em todos os nutrientes. Excluir os legumes, por exemplo, terá como conseqüência a carência de minerais e vitaminas, fundamentais para o corpo . Também é importante lembrar que nenhum grupo substitui outro. A conclusão é que deixar de ingerir legumes para aumentar a quantidade de porções das frutas não é atitude acertada. Uma alimentação adequada requer variedade alimentar decorrente da ingestão de alimentos pertencentes a todos os grupos alimentares .
quarta-feira, 23 de abril de 2008
A compreensão do gesto
Por Roberta De Lucca
Revista Bons Fluidos - 10/2007
Preste atenção em sua respiração. Você inspira pelo peito ou pelo abdômen? Como solta o ar? Rápida ou lentamente? É isso mesmo. As pessoas quase nunca observam como inspiram e expiram.
Essa análise do corpo humano é um dos pilares da bioenergética, uma linha de psicoterapia criada pelo médico americano Alexander Lowen entre as décadas de 1940 e 50. Para ele, ter o corpo vibrante e saudável é a chave de uma vida feliz. E isso nada tem a ver com malhação ou condicionamento físico orientado por caminhadas e exercícios aeróbicos e anaeróbicos.
O que Lowen descobriu é que toda musculatura contraída tem uma emoção guardada. E por isso, quando o corpo é exercitado e relaxado, ele consegue liberar emoções reprimidas, minimizando também os medos, as inseguranças e até a dor física.
O resumo deste trabalho, que revê a importância do corpo, acabou de sair em livro no Brasil: é a autobiografia de Lowen, Uma Vida para o Corpo (ed. Summus). A obra foi concluída em 2004, antes de o médico sofrer o derrame cerebral que tirou boa parte de sua fala e mobilidade aos 96 anos.
O QUE O CORPO ENSINA À MENTE, E VICE-VERSA
Antes da bioenergética propriamente dita, nasceu a terapia corporal pelas mãos do psicanalista húngaro Wilhelm Reich, ex-discípulo de Freud (o pai da psicanálise), que resgatou a importância do corpo para a compreensão das emoções e dos sentimentos.
"Freud se preocupava com o que o paciente falava e Reich observava como ele falava, analisando sua respiração e expressão corporal", diz o médico e psicoterapeuta Ricardo Amaral Rego, diretor do Instituto Brasileiro de Psicologia Biodinâmica.
Reich rompeu com a separação entre corpo e mente, tão comum nas terapias de então. Ele compreendeu que o que afeta o corpo repercute na mente, e vice-versa. Também passou a estudar como o corpo é regido e conduzido por uma energia que ele batizou de orgônio- conhecida por ch'i na medicina tradicional chinesa e por prana pelos hindus.
O trabalho de Reich era inovador para a psicanálise e para a sociedade ocidental, pois defendia que a vitalidade dessa energia contribui para o bem-estar do ser humano. Empolgado, ele mergulhou em pesquisas para descobrir a origem dessa energia e deixou aberto o campo para estudos da correlação mente/corpo.
"Nesse vácuo, Lowen, ex-paciente e aluno de Reich, encontrou espaço para sistematizar o trabalho do mestre", explica o psicoterapeuta Rubens Kignel, de São Paulo.
ENERGIA VIBRANTE
Lowen partiu do princípio de que a boa relação entre corpo, mente e energia é a base para uma vida plena. Na prática, se a pessoa está triste devido a uma perda, ela se sente enfraquecida para reagir porque o organismo não produz a energia de que ela precisa para se animar.
Por isso, o terapeuta acredita ser difícil alguém deprimido ficar bem e pensar positivamente se seu nível de energia estiver baixo. Aí entra a análise bioenergética: para resolver o descompasso. A fórmula conta com um equilíbrio na equação mente/corpo/energia, com base no estudo dos estados emocionais e energéticos do corpo.
Numa sessão de bioenergética, além de conversar como em qualquer outro tipo de psicoterapia, o terapeuta pede que o paciente faça alguns exercícios físicos. O objetivo é destravar tensões musculares- geradas por estresse, tristeza, ansiedade e problemas psicológicos- e levar a pessoa a respirar livremente, já que a emoção interfere no fluxo respiratório.
"Por conta dos seus problemas emocionais, um paciente pode aprisionar a respiração, isto é, entrar num padrão de inspirações e expirações curtas e apressadas, que tensionam os músculos e distanciam o indivíduo do contato com o seu corpo", afirma Liane Zink, diretora do Instituto Brasileiro de Análise Bioenergética, ex-aluna de Lowen. Os exercícios da bioenergética colaboram para a respiração fluir novamente.
PRESENTE NA VIDA
O resultado da terapia é um ser humano mais integrado consigo mesmo, seus desejos, sua verdade e, conseqüentemente, mais presente em tudo o que acontece na vida. "Diminui aquela sensação de estar sendo levado pelos acontecimentos, de viver no piloto automático", considera Rubens Kignel.
Essa consciência é trabalhada por meio do conceito de grounding (o fundamento mais importante da bioenergética), que significa "estar enraizado". Para sentir o corpo enraizado, Lowen desenvolveu exercícios (clique e veja quadro) que mesclam respiração e posturas.
"Após esses exercícios, a pessoa percebe que está inteira numa relação- seja ela amorosa, de trabalho, com os filhos ou com seus valores. O grounding pode mostrar os medos do paciente, fazendo-o enfrentá-los", explica Liane.
Estar cheio de vida e energia é a idéia loweniana de saúde física e mental. Manter essa ligação dá ao ser humano a possibilidade de se expressar livremente e alcançar a graciosidade. Afinal, como o pai da bioenergética diz: "Na ausência do sentir, o movimento se torna mecânico e as idéias se tornam abstrações".
Se é verdade que alguns distúrbios diminuem a graça do corpo e debilitam sua saúde, também é fato que o resgate dessa graça recupera o bem-estar. "O paciente aprende a estar com o melhor de si e a aceitar que existem incompletudes, mas que é possível viver em harmonia assim", afirma Kignel.
OUTRAS LEITURAS DOS MOVIMENTOS
Além de Alexander Lowen, outros psicoterapeutas neo-reichianos desenvolveram trabalhos importantes no campo da terapia corporal, como a biodinâmica e a biossíntese.
Biodinâmica
Foi criada no fim da década de 1960 pela psicóloga e fisioterapeuta norueguesa Gerda Boyesen. "Ela desenvolveu uma terapia mais suave e maternal que a bioenergética. As sessões misturam fala e exercícios, mas a parte física é menos incisiva que na terapia de Alexander Lowen. A técnica trabalha as questões do paciente com mais leveza e resgata a criança interior", explica Ricardo Amaral Rego, diretor do Instituto Brasileiro de Psicologia Biodinâmica.
Dado o vasto conhecimento de Gerda sobre as características da musculatura, ela desenvolveu um método de massagem que visa desbloquear músculos e tecidos do corpo.
Biossíntese
Com base no estudo do desenvolvimento do feto na década de 1970, o pedagogo e psicoterapeuta inglês David Boadella entendeu a influência que o feto recebe da mãe e do meio ambiente e concebeu dois conceitos fundamentais da biossíntese- o útero receptivo e o útero rejeitador ao bebê.
Dependendo de como foi a relação mãe/feto, o bebê pode se tornar um adulto receptivo ou rejeitador a pessoas, situações e desafios da vida. "Boadella também desenvolveu conceitos de movimento e postura. Cada uma delas está ligada a situações de abrir-se e fechar-se a si e ao mundo", explica o psicoterapeuta Rubens Kignel.
Independentemente da linha, o fato é que as terapias corporais se mostram muito úteis para levar o homem a olhar mais para seu corpo e compreender que o bem-estar físico e mental são unos e uma valiosa ferramenta para o entendimento de si próprio.
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domingo, 6 de abril de 2008
quinta-feira, 28 de fevereiro de 2008
Medicina ecológica: a medicina que valoriza muito a alimentação e a digestão
"A medicina ecológica valoriza muito a alimentação e a digestão. Afinal a alimentação é uma das principais interações entre o organismo e o meio ambiente"
Ecomedicina ou medicina ecológica é um movimento que vem surgindo nos Estados Unidos e Europa desde a década de 90. Entretanto, é possível encontrar suas raízes desde 1965, quando foi fundada a Academia Americana de Medicina Ambiental, justamente para entender melhor o impacto do meio ambiente na saúde.
Situada em Wichita no estado do Kansas, ela oferece até hoje cursos de especialização nessa área. Entretanto segundo o médico norte-americano Andrew Weil, esse movimento cresceu mesmo a partir da década de 90, quando a consciência ambiental começou a aumentar em todo o mundo.
Medicina ecológica
A medicina ecológica parte do princípio que a saúde humana só pode ser entendida a partir da sua avaliação de um contexto que considere o ambiente onde o ser humano vive. Após o controle de muitas doenças endêmicas com medidas sanitárias e com a urbanização, os setores conservadores da medicina consideraram que as questões da saúde ligadas ao meio ambiente estavam resolvidas. Entretanto, o novo ambiente urbano trouxe novos riscos e fontes de doença aos seres humanos. Questões como a poluição, a contaminação de alimentos por resíduos químicos, e o próprio estresse gerado pela vida em grandes cidades, se tornaram sérios problemas de saúde pública.
E pior, alguns vetores e microorganismos estão se adaptando aos ambientes urbanos trazendo de volta as ameaças de epidemia, como o caso da infestação por Aedes aegypti que observamos nas cidades brasileiras.
Relação entre câncer e meio ambiente
A medicina ecológica sustenta, por exemplo, que há um aumento da incidência de câncer, em especial de mama e próstata, devido ao aumento de resíduos tóxicos no meio ambiente, tese que não é aceita pela maioria dos oncologistas. Muitos poluentes ambientais possuem capacidade de se ligar a receptores hormonais, e com isso estimular o crescimento de células cancerosas. Outros resíduos causam uma redução da eficiência do sistema imunológico em identificar e reduzir células cancerosas.
Possuindo princípios relativamente simples a medicina ecológica re-introduz conceitos importantes para melhorar a qualidade da medicina e mudar seus paradigmas. O primeiro desses conceitos é o da indivisibilidade (tanto do ser humano em partes como do individuo e meio onde ele vive), sustentando que a tendência reducionista da medicina precisa ser revista. Não é possível estudar as doenças a partir de uma ótica limitada. A medicina ecológica preconiza que a doença precisa ser entendida sob todos seus aspectos, inclusive os ambientais e os psicoemocionais. Assim os médicos deveriam ampliar sua visão e seu interesse para estar de acordo com as novas tendências da ciência mundial.
Interferência mínima com dano mínimo
Outros conceitos interessantes trazidos pela medicina ecológica que são carentes na medicina convencional é o princípio da interferência mínima com dano mínimo (“soft health care with no harm”). Hipócrates pai da medicina já frisava a importância de evitar o máximo os danos feitos ao paciente: “Primo no nocere” (em primeiro lugar não causar dano ao paciente) é um dos seus ensinamentos básicos.
Assim a medicina ecológica, apesar de não defender especificamente nenhuma linha de pensamento médico, sustenta que as medicinas complementares, que são menos invasivas, e passíveis de causar dano, devem ser as primeiras estratégias a serem implementadas. Caso não sejam eficientes, ou na dependência da gravidade e necessidade do doente, caberia então uma medida mais invasiva, como as da medicina convencional. Por isso é recomendado que o sistema primário de saúde ofereça preferencialmente medicinas complementares como acupuntura, homeopatia, osteopatia e fitoterapia.
Medicina ecológica valoriza muito alimentação e digestão
A medicina ecológica valoriza muito a alimentação e a digestão. Afinal a alimentação é uma das principais interações entre o organismo e o meio ambiente. Por isso preocupa-se muito mais com a qualidade dos alimentos, e em ofertar uma alimentação mais rica e farta em nutrientes essenciais. Assim a proposta é cuidar muito da alimentação mesmo no indivíduo saudável.
Nesse contexto a medicina ecológica valoriza muito um tema constantemente desprezado pela medicina convencional, que é a eficiência do funcionamento do fígado. O fígado possui um sistema de enzimas que detoxifica as substâncias tóxicas que entram no organismo. Existem novos estudos que mostram que vários extratos de plantas e vitaminas podem melhorar a eficiência desse sistema, com isso protegendo mais o organismo contra as toxinas do meio ambiente.
Quem estuda na Medicna Ecológica como eu, acredita que as mudanças do clima e no meio ambiente que ocorrerão nos próximos anos vão ser marcantes e trazer muito a atenção da sociedade para esse tipo de pensamento médico.
Atenção!
Esse texto e esta coluna não substituem uma consulta ou acompanhamento de um médico e não se caracterizam como sendo um atendimento
terça-feira, 26 de fevereiro de 2008
Você é o que você come
Seguindo a linha da filosofia "você é o que você come", a Abrapreci e a Quimioral lançaram, em parceria com dez chefs renomados, o livro Alta Gastronomia na prevenção do câncer de intestino. A obra, disponível para quem realizar doações à ONG no valor mínimo de R$ 100, reúne receitas criativas e saborosas para prevenir a doença, mantendo o hábito da boa mesa. A intenção é mostrar que o câncer de intestino pode ser evitável e, quando isso não for possível, pode ser diagnosticado precocemente e tratado.
"A imensa maioria dos tumores de intestino são dependentes de fatores ambientais e, dentre estes, o mais importante é, sem sombra de dúvida, a alimentação", afirmam os diretores da ONG, Angelita Gama e Paulo Arruda Alves, na abertura do livro.
A idéia é mesclar alimentação de qualidade, com princípios da Alta Cozinha e produtos indispensáveis para a dieta preventiva contra o câncer de intestino. "A Abrapreci está na companhia de competentes chefs, que se dedicaram a fazer da busca pela saúde – por meio da Alta Gastronomia – uma viagem riquíssima em sabores, cores, aromas e texturas", comentou Angelita Gama.
Fibras, pouca gordura e muito líquido estão presentes nas receitas feitas sob a orientação da nutricionista Cinthya Maggi, que também escreveu texto de introdução na obra. "É preciso que se adote uma dieta saudável para a prevenção de doenças do intestino, reduzindo o consumo de alimentos ricos em gorduras e açucares e aumentando o consumo de frutas, amidos e fibras", explica Maggi.
Chefs como Adriano Kanashiro, Allan Vila, Fabrice Lenud, Helena Rizzo Bins, István Wessel e Mara Salles criaram pratos como o sashimi de atum marinado com lula e molho oriental, paella sana e codorna com legumes, molho de damasco com laranjas e cuscuz para citar algumas das iguarias salgadas. As sobremesas não foram esquecidas, há a torta de ricota, pêra cozida no vinho e cassis com frutas secas caramelizadas e geladinho de maracujá com picadinho de frutas.
segunda-feira, 11 de fevereiro de 2008
Longevidade adquirida
Outro artigo na mesma edição mostra que, embora alguns indivíduos vivam até os 100 anos ou mais por evitar doenças crônicas, outros centenários vivem com essas condições por vários anos.
O artigo menciona também estudos com gêmeos mostrando que 25% da variação de longevidade humana é atribuída a fatores genéticos. Os outros 75% são atribuídos a fatores de risco modificáveis.
A equipe de Laurel Yates, do Hospital da Mulher de Brigham, em Boston, nos Estados Unidos, avaliou um grupo de 2.357 homens, cuja participação começou entre 1981 e 1984. Os voluntários, com idade média de 72 anos, forneceram informações sobre variáveis demográficas e de saúde, incluindo peso, altura, pressão sangüínea, níveis de colesterol e freqüência de atividades físicas.
Duas vezes durante o primeiro ano de participação e uma vez a cada ano até 2006, os voluntários completaram um questionário sobre as mudanças de hábitos, estado de saúde e capacidade para realizar tarefas cotidianas.
Um total de 970 homens (41%) viveu até 90 anos ou mais. Vários fatores modificáveis, biológicos e comportamentais, foram associados com essa longevidade excepcional. “Tabagismo, diabetes, obesidade e hipertensão reduziram significativamente a probabilidade de vida até os 90 anos, enquanto exercícios vigorosos e regulares a aumentaram consideravelmente”, destacaram os autores.
“Homens com duração de vida acima dos 90 anos demonstraram melhores funções físicas, bem-estar mental e autopercepção de saúde no fim da vida, em comparação com os que morreram mais cedo. Fatores adversos associados com menor longevidade – tabagismo, obesidade e sedentarismo – também foram associados com pior estado funcional no fim da vida”, descreveram.
A pesquisa estima que um homem de 70 anos que não fuma e tem pressão sangüínea e peso normais, não tem diabetes e se exercita de duas a quatro vezes por semana tem uma probabilidade de 54% de viver até os 90 anos.
Com os fatores adversos, sua probabilidade de viver até essa idade se reduz nas seguintes proporções:
- Estilo de vida sedentário: 44%
- Hipertensão (pressão alta): 36%
- Obesidade: 26%
- Tabagismo: 22%
- Três fatores reunidos, como sedentarismo, obesidade e diabetes: 14%
- Cinco fatores somados: 4%
No segundo estudo, a equipe de Dellara Terry, da Escola de Medicina da Universidade de Boston e do Boston Medical Center, estudou 523 mulheres e 216 homens com 97 anos ou mais. Os voluntários responderam questionários sobre histórico de saúde e capacidade funcional para escrever e-mails ou telefonar.
Os participantes foram divididos em grupos por sexo e pela idade na qual desenvolveram doenças normalmente associadas ao envelhecimento: doença pulmonar obstrutiva crônica, demência, diabetes, doença cardíaca, hipertensão, osteoporose, doença de Parkinson e derrame. Os que desenvolveram essas condições após os 85 anos foram classificados como retardatários, enquanto os que as desenvolveram antes foram denominados sobreviventes.
Entre os participantes, 32% eram sobreviventes e 68% retardatários. “Os centenários que desenvolveram doenças coronárias ou hipertensão antes dos 85 anos e sobreviveram até os 100 demonstraram níveis funcionais semelhantes aos dos retardatários”, disseram os autores.
Apesar de as mulheres terem sobrevivido mais até idades extremas, os homens centenários no estudo demonstraram melhores funções físicas e mentais que as mulheres. “Uma explicação para isso pode ser que os homens precisam estar em excelente saúde e funcionalmente independentes para chegar a uma idade tão extrema”, indicaram.
segunda-feira, 14 de janeiro de 2008
Mistura saudável
Segundo a revista, a pesquisa é a primeira a avaliar a influência combinada de atividades físicas e da ingestão regular de álcool em causas comuns de morte. De acordo com o trabalho, indivíduos que não bebem e não se exercitam têm risco de 30% a 49% maior de apresentar doenças cardiovasculares do que aqueles que fazem as duas atividades.
O estudo foi feito por cientistas dinamarqueses a partir de dados de quase 12 mil homens e mulheres com mais de 20 anos que participaram de um levantamento feito pela administração municipal de Copenhague. Os primeiros dados foram colhidos entre 1981 e 1983 e, no acompanhamento desde então, foram registrados 1.242 casos de doenças coronárias fatais e 5.901 mortes por outros motivos.
“Os resultados mostram que tanto se manter fisicamente ativo como beber moderadamente são importantes para reduzir o risco tanto de doenças cardiovasculares isquêmicas como de mortes por outras causas. A ingestão moderada de álcool reduziu o risco de mortalidade tanto em homens como em mulheres, mas o mesmo não foi verificado entre aqueles que bebem mais pesadamente”, disse Morten Grønbæk, diretor do Instituto de Saúde Pública da Dinamarca, que coordenou a pesquisa.
“Outra importante conclusão de nossa pesquisa é que a atividade física pode reverter alguns dos efeitos adversos associados com a abstenção ao álcool. Pessoas que não bebem, seja por motivos religiosos, por gravidez ou por caso anterior de alcoolismo, mas fazem atividades físicas moderada ou intensamente, também têm menor risco de adquirir doença cardiovascular do que aquelas que não bebem e se mantêm inativas”, disse Jane Østergaard Pedersen, primeira autora do artigo.
A pesquisa dividiu a atividade física em três categorias: níveis alto ou moderado (mais de duas horas por semana de exercícios como caminhada vigorosa, ciclismo ou esporte que cause exaustão); nível baixo (pelo menos duas horas semanais de caminhada leve, jardinagem ou outra atividade); e fisicamente inativos, cuja principal atividade física se resume a assistir TV ou a eventuais idas ao cinema.
A ingestão de álcool foi classificada de acordo com o total semanal: aqueles que beberam menos de um drinque (ou uma lata de cerveja ou uma taça de vinho) foram classificados como não bebedores; moderados foram os que consumiram de 1 a 14 drinques por semana; quem ingeriu mais de 15 drinques foi classificado como bebedor pesado.
Em cada um dos níveis de atividade física, inclusive no primeiro (ausência), os não bebedores tiveram risco em média 30% maior de doenças cardiovasculares na comparação com os moderados. Entretanto, os não bebedores tiveram uma redução no risco quando fizeram atividade física em nível moderado (31% menor) ou alto (33% menor).
Os que beberam pelo menos um drinque por semana e se mostraram fisicamente ativos foram os que se deram melhor, com 44% a 50% menos risco de adquirir doença cardiovascular quando comparados com os inativos e não bebedores.
Ao analisar as mortes por todas as causas naturais, incluindo doenças coronárias, os pesquisadores verificaram que em todas as categorias de ingestão alcoólica os fisicamente inativos tiveram o maior risco de morte. Em relação aos diferentes níveis de atividade física, os bebedores moderados foram os que apresentaram menor risco.
“Os menores riscos entre todas as causas foram observados na categoria fisicamente ativo e bebedor moderado e os maiores ficaram com os fisicamente inativos e não bebedores ou bebedores pesados”, disse Jane.
O artigo The combined influence of leisure-time physical activity and weekly alcohol intake on fatal ischaemic heart disease and all-cause mortality, de Jane Østergaard Pedersen e outros, pode ser lido por assinantes do European Heart Journal em http://eurheartj.oxfordjournals.org.
quarta-feira, 2 de janeiro de 2008
A importância de comer bem
Agência FAPESP – Uma nova pesquisa analisou sites que oferecem programas de emagrecimento. O estudo, de caráter exploratório, constatou que modelos oferecidos na internet já incorporam a reeducação alimentar no lugar da tradicional dieta rigorosa.
De acordo com a autora Ligia Amparo da Silva Santos, professora adjunta no Departamento Ciências da Nutrição da Escola de Nutrição da Universidade Federal da Bahia (UFBA), o objetivo do trabalho foi chamar a atenção para uma prática muito utilizada por quem deseja perder peso.
“A ciência não tem explorado os sentidos e significados desses programas na internet. Suponho que ainda seja precoce levantar conclusões, mesmo que provisórias, mas um dos diagnósticos a ser investigado é por que procurar tais programas e não profissionais de saúde”, disse Ligia à Agência FAPESP.
Segundo o estudo, publicado em artigo na revista Physis, Revista de Saúde Coletiva, a mudança de paradigma em relação aos programas de reeducação alimentar – a reeducação no lugar da “dieta rígida, monótona e rigorosa” – precisa ser mais bem avaliada.
O estudo selecionou seis sites conhecidos, a partir de uma amostra de 336 relacionados a programas de emagrecimento disponíveis no Brasil, durante um período de dois meses. Os sites analisados (Cyberdiet, Emagrecendo, Perca Gordura, Sempre em Forma, Good Light e Dieta Diet) foram divididos em duas categorias: de conteúdos abertos e de conteúdos fechados, só para assinantes.
Em ambos os grupos, foram analisadas imagens, receitas, reportagens depoimentos e outros aspectos. De acordo com Ligia, os sites abertos usavam uma estratégia bastante utilizada nas revistas femininas, em que “personalidades funcionam como identificação e projeção, servindo de estímulo ao público”.
“Uma segunda estratégia é a do ‘antes e depois’, que tem o intuito de demonstrar os resultados do programa. É um recurso de colocar ‘gente como a gente’, o que traz maior identificação com o público. Com as tecnologias da informática, muitos sites sobrepõem fotos, alternando as imagens do antes e depois do emagrecimento, em um jogo visual que pode causar importante impacto em usuários potenciais”, destacou.
Esses sites oferecem muitos textos, reportagens e dicas sobre diferentes temas, do tipo propriedades dos alimentos, alimentação e dieta, dicas do que fazer quando sentir fome, orientações sobre atividades físicas e cálculo do índice de massa corporal, que é um dos primeiros elementos visualizados nas páginas.
Já os de conteúdo fechado oferecem também espaços para compras de produtos, livros e visualização do progresso da dieta. Os usuários têm um canal exclusivo de e-mail, além de chat e telefone (com horários preestabelecidos). Especialistas em nutrição, atividade física e psicologia ficam à disposição dos usuários.
“Os depoimentos publicados nos sites atribuem permanentemente uma situação de conforto e apoio por meio desses profissionais. Trata-se de uma relação paradoxal, na qual se sabe que há alguém constantemente presente, mas não se conhece quem está controlando e auxiliando no processo”, disse a pesquisadora.
Gastronomia e ciências da nutrição
De acordo com a pesquisa, os múltiplos discursos na internet relacionados à dieta não se afastam dos discursos médico-nutricionais e a referência à dieta hipocalórica e hipolipídica não parece ser contestada. Os textos são reelaborados, buscando elementos da vida cotidiana dos sujeitos para consubstanciá-los dentro da lógica publicitária.
Foi observada uma mudança de concepção nas tentativas de criar estratégias educacionais. O “fazer dieta” vem cedendo espaço para o “comer de tudo sem passar fome”. A gastronomia entra, segundo Ligia, como “elo importante do resgate do prazer em comer, ao estabelecer uma aliança com as ciências da nutrição”.
“O gosto é um dos aspectos mais subversivos do corpo, o direito ao prazer é uma espécie de reivindicação silenciosa do corpo e sobre isso a nutrição precisa pensar junto com a gastronomia. As ciências da nutrição, no bojo da sua história, secundarizaram o prazer – um importante objeto da gastronomia – em prol da saúde. Isso está sendo paulatinamente revisto”, disse, enfatizando em seguida o caráter ainda preliminar do estudo.
“Comer é muito mais do que a ingestão de nutrientes para garantir a funcionalidade do organismo na preservação e promoção da saúde. Trata-se de uma prática cultural, construída e ao mesmo tempo construtora de identidades, uma forma de sociabilidade e de prazer. O projeto da ciência em transformar o comer em apenas nutrir o corpo não tem funcionado e a resposta vem dos próprios sujeitos”, afirmou a autora.
Para ler o artigo Os programas de emagrecimento na internet: um estudo exploratório, disponível na biblioteca on-line SciELO (Bireme/FAPESP), clique aqui.
segunda-feira, 10 de dezembro de 2007
Risco ignorado
Por Washington Castilhos, do Rio de Janeiro
Agência FAPESP – Responsável por 8 milhões de mortes anuais, o câncer mata mais do que malária, tuberculose e Aids juntas – doenças responsáveis por 6,5 milhões de mortes no mundo anualmente. Em 2030, o índice de mortalidade do câncer poderá chegar a 17 milhões, de acordo com previsões de organizações internacionais, as quais alertam: em breve, 80% dos óbitos ocorrerão nos países em desenvolvimento.
“Não é verdade que o câncer é uma doença de países ricos e desenvolvidos”, criticou Franco Cavalli, presidente da União Internacional (UICC) contra o Câncer, que destacou o desafio em relação ao controle da doença e aos fatores de risco.
Mas, segundo ele, depois do investimento nas campanhas antitabagismo (e de seu relativo sucesso), o próximo passo é combater a obesidade. “Já temos conseguido convencer as pessoas a parar de fumar e a lutar contra as doenças infecciosas, mas lidar com o problema da obesidade ainda é uma tarefa difícil”, disse o pesquisador suíço no 2º Congresso Internacional de Controle do Câncer, realizado no fim de novembro no Rio de Janeiro.
“Convencer alguém a mudar seu hábito alimentar é bem diferente de convencer a tomar uma vacina”, ressaltou o alemão Andreas Ullrich, coordenador da Organização Mundial de Saúde (OMS).
Os dois especialistas concordam que bons hábitos se adquirem na infância. “Trabalhar a questão na fase adulta é difícil. As lições de uma boa dieta deveriam ser dadas na escola, com as crianças aprendendo sobre as vantagens de comer verduras, legumes e frutas e sendo estimuladas a praticar esportes”, afirmou Ullrich, que coordena o Plano de Ação Global contra o Câncer, iniciativa da OMS.
Iniciado em 2005, o plano define sete ações específicas: a primeira delas é colocar o câncer na agenda de saúde mundial. “Diferentemente da Aids, o termo câncer contempla muitas doenças, há muitas neoplasias e fatores. A situação ainda não está sob controle”, avaliou Cavalli.
Outra ação do plano de enfrentamento da doença da OMS é convencer os governos a desenvolver planos e projetos de âmbito nacionais. Segundo Ullrich, o escritório da OMS no Brasil está em negociação com o governo federal em relação à implantação do plano no Brasil.
“Nosso objetivo é criar especialistas internacionais e um banco de dados, assim como desenvolver uma agenda de pesquisas sobre o câncer, formando uma rede mundial”, explicou.
Cavalli ressaltou a importância de instituições como a União Internacional contra o Câncer, organismo que funciona em Genebra e fomenta novos estudos sobre a doença. A instituição financia atualmente 26 projetos de pediatria oncológica no mundo.
Na América Latina estão em curso quatro projetos de Honduras, dois do Peru, um da Bolívia e dois da Venezuela. Propostas para apoio a pesquisas podem ser requeridas pelo site da UICC, em www.uicc.org.
quinta-feira, 29 de novembro de 2007
quinta-feira, 22 de novembro de 2007
FÓRUM DE MEDICINA COMPLEMENTAR E DE AGRICULTURA ORGÂNICO SOB O OLHAR DA NUTRIÇÃO
Nutricionista gaúcha comenta sua visita aos eventos paralelos à Bio Brazil e Natural Tech
Juntar medicinas e terapias completares com produtos orgânicos, alimentos naturais foi o melhor das Feiras Bio Brazil Fair e da Natural Tech, na opinião da nutricionista gaúcha Cláudia Lulkin, que orienta seus pacientes a se alimentarem com produtos orgânicos. “Esta salada de frutas que mistura setores preocupados com a qualidade de vida é o melhor que o evento pode oferecer. A realização de Fóruns durante o evento também foi uma grande pedida”, diz.
Outra questão importante, para Cláudia, é que o Fórum Internacional de Medicina e Terapias Complementares, o Fórum Nacional de Agricultura Orgânica e Sustentável e o Encontro de Fitoterápicos, Suplementos e Biodiversidade aconteceram em São Paulo, uma cidade formadora de opinião.
A colagem de palestras extremamente diferentes em um mesmo evento também foi interessante. “Desde as pesquisas muito científicas, feitas com ratos em laboratório, até os experimentos florais. Diferentes temas e estilos de informação estavam juntos. Apesar de bem variadas, as apresentações foram todas de muita qualidade”, atesta.
Depois de permanecer alguns meses no Velho Continente, a nutricionista de Bento Gonçalves acredita que os Estados Unidos e a Europa têm medo da riqueza brasileira com relação à biodiversidade, enquanto no Brasil, os brasileiros não a valorizam. “É por isso que a Natural Tech, a Bio Brazil Fair e os eventos paralelos a elas são tão importantes: eles trazem um pouco desta biodiversidade à mesa, ao hábito e ao conhecimento da população”, avalia.
segunda-feira, 12 de novembro de 2007
Leite materno turbina o QI do bebê
por Nikhil SwaminathanSegundo um novo estudo, a criança amamentada possui uma variante gênica que ajuda a processar os ácidos graxos
A inteligência é inata ou influenciada pelo ambiente? Essa discussão está em pauta há mais de um século. Uma das questões mais recentes na batalha entre natureza x criação está o efeito do leite materno sobre o QI.
Pesquisas demonstraram que os ácidos graxos no leite humano podem influenciar o desenvolvimento cerebral. Utilizando esses dados como ponto de partida, um grupo de cientistas liderado por uma equipe do Instituto de Psiquiatria do King´s College London resolveu investigar como a constituição das crianças interage com o leite materno a ponto de afetar sua inteligência.
Os resultados, publicados no Proceedings of the National Academy of Science USA, revelam que o aleitamento materno pode turbinar o quociente de inteligência de um bebê se o recém-nascido possui uma versão específica de um gene, o FADS2 (sigla em inglês para desaturase 2 de ácido graxo), que afeta o processamento dos ácidos graxos.
sexta-feira, 9 de novembro de 2007
Anvisa propõe limites no uso de edulcorantes
De acordo com a Anvisa, a IDA (expressa em mg da substância/kg de massa corporal) “é a estimativa da quantidade máxima que uma substância pode ser ingerida, por dia e durante toda a vida de uma pessoa, sem oferecer risco à saúde. A IDA é definida de acordo com os conhecimentos científicos disponíveis na época da avaliação toxicológica do aditivo”.
O documento traz os edulcorantes mais conhecidos, como aspartame, sacarina e sucralose, mas também outros menos populares, como taumatina, neotame, lactitol e outros. Quem desejar fazer sugestões de modificação da tabela ou do texto pode enviá-las diretamente à Anvisa.
Fonte: Nutritotal
