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segunda-feira, 15 de setembro de 2008

Especialistas explicam os desejos das mulheres grávidas

Vontades têm a ver com falta de nutrientes e estado emocional.

De repente, no meio da madrugada, lá vem aquele desejo incontrolável. E aí surgem as vontades mais esdrúxulas e, digamos, impossíveis. Será que alguém pode explicar os desejos que uma mulher grávida tem?

“Eu acordei num sábado de manhã, chamei o meu marido e falei estou com vontade de comer cimento!”, conta Erika Arruda. Um desejo incontrolável, que ultrapassava os limites da razão. Érica até tinha medo que o cimento fizesse mal ao bebê, mas quem disse que isso era suficiente para diminuir a vontade?

“Insisti, insisti, até que o convenci. Ele subiu num muro, pegou, lavou, coloquei na boca, mas ainda tinha medo de engolir, para não prejudicar o bebê. Então, fiquei mastigando aquilo um tempão e depois joguei fora e lavei a boca”, diz Erika. “Para mim, aquilo foi iguaria dos deuses naquele momento”.

Que vontade é essa que leva uma mulher a provar coisas tão estranhas? Nos consultórios médicos, o cardápio bizarro escolhido por algumas grávidas é definido como uma compulsão e em alguns casos, pode até ter explicação cientifica.

Cenoura todo dia, a toda hora. Até aí, um desejo do tipo convencional. Mas a grávida queria mais. “Uma vez comi uma cenoura da horta, nem quis lavar, tinha um torrão de terra junto, que foi deliciosa. Eu tinha vontade até de comer a terra mesmo”, relembra a empresária Andréa Fishmann.

Os exames pedidos pela obstetra confirmaram uma teoria do tempo da vovó: Andréa precisava de ferro, tinha anemia. “Os nutricionistas tentam associar esse desejo à deficiência de, por exemplo, ferro, zinco, cálcio, selênio, que são micros nutrientes que você tem no solo. Outros estudiosos da ciência da nutrição e da ciência do solo acham que a pessoa está comendo terra para um sentido de proteção”, explica Flávio Garcia de Oliveira, médico ginecologista.

Uma pesquisa britânica feita pela internet com 2,2 mil grávidas mostrou que 75% das entrevistadas tinham desejos por comida e um terço delas tinha vontade mesmo é de comer coisas tão esquisitas quanto carvão, pasta de dentes e sabão.

“O desejo normal é por carboidratos, por manga, por jaca. Mas esse é um desejo que passa, lá pelas 3h. O desejo compulsivo, esdrúxulo, pervertido, não passa. Ele só passa a partir do momento que a grávida consome a substância”, revela Oliveira. “Não tem como você parar, a pessoa vai consumir. Já tivemos pacientes que pegavam barro e assavam em formas para comer o torrão e comiam. Elas sabiam que não podiam, mas comiam. Isso faz parte da compulsão”, complementa o médico.

Desejos à parte, a grávida precisa seguir uma boa dieta para que o bebê se desenvolva bem. Receitas simples, com ingredientes baratinhos, ajudam as grávidas a ter uma alimentação saudável, como o frango com caju e a fritada de batata doce.

"Essas duas receitas, tanto a batata doce quanto o frango com caju, são muito ricas em vitaminas A, C e do complexo B. Com certeza, para esses desejos normais, esse tipo de alimentação vai arrefecer um pouco, porque a gente sabe que a grávida gosta muito do carboidrato. Então, fazendo esse tipo de nutrição, ela vai ter um pouco menos dos desejos normais”, aconselha Flávio.

Só que nem sempre as vontades das grávidas têm a ver com a falta de nutrientes. Muitas vezes têm fundo emocional. “A paciente realmente sente o desejo eventual por alguma coisa em especial, por uma goiaba, melancia, kiwi, e não tem explicação para aquilo que está acontecendo. Inconscientemente, muitas vezes é direcionado a uma forma de ela vincular o interesse do marido a uma participação durante o desenvolvimento da gravidez”, explica Sérgio Peixoto, médico ginecologista e professor da USP.

“Ela realmente está com vontade. Mas por que resolveu ter vontade exatamente daquilo? É uma maneira estranha da paciente buscar colaboração, buscar a cumplicidade, mas não tem nada de simulação”.

A psicóloga Geise de Almeida Silva, grávida de cinco meses, queria mesmo sentir o sabor da infância quando fez os pais saírem da grande São Paulo e fazer uma viagem de 500 quilômetros atrás de um desejo. “Queria um cheese salada do sul de Minas, da cidade de Andrelandia. Eu sentia o cheiro daquele lanche e a minha boca salivava. Tentei comer um outro cheese salada, fui em alguns lugares da cidade, mas não era o gosto”, conta. “Valeu a pena buscar este lanche. Afinal, o que a gente não faz por um filho, né?”, justifica Fátima de Almeida, mãe de Geise. O marido, Douglas Felipe da Silva, reclama mas acaba cedendo. “Eu tenho uma prima, que tem um sinal em forma de moranguinho vermelhinho. Durante a gravidez, a Fernanda, que é a mãe dela, ficou com vontade de comer morango e ela nasceu com esse sinal. Mas acho que é mais superstição, né?”, diz o marido de Geise.

Superstição ou não, ninguém quer arriscar. “Na dúvida, é melhor comer o sanduíche para não ter nada de errado!”, conclui a mãe de Geise.

terça-feira, 19 de agosto de 2008

Dieta inadequada na infância pode influenciar desenvolvimento escolar

13/08/2008 - 10h38

da Efe, em Londres

Uma dieta inadequada nos primeiros anos da infância pode afetar o posterior desenvolvimento escolar das crianças, segundo indica um estudo publicado hoje no Reino Unido.

A pesquisa, realizada por especialistas das universidades inglesas de Londres e Bristol, assinala que as crianças que aos 3 anos consumiram muita comida de baixa qualidade nutricional --como alimentos muito processados ou com alto conteúdo de sal e açúcar-- progrediam menos no colégio.

Os especialistas descobriram que, em comparação com outras crianças, as que se alimentaram pior tinham 10% menos probabilidades de alcançar os níveis de desenvolvimento esperados entre os 6 e os 10 anos.

Também comprovaram que o regime alimentar em anos posteriores não tinha tanta influência sobre o desempenho na escola.

O trabalho apresentado hoje se baseou nos dados fornecidos por um estudo da Universidade de Bristol, que acompanha o desenvolvimento de 14 mil crianças desde seu nascimento, em 1991 e 1992.

Para chegar a suas conclusões, os pesquisadores levaram em conta outros fatores que podem afetar o desenvolvimento escolar infantil, como baixa renda dos pais e más condições familiares.

Segundo a especialista em nutrição Pauline Emmett, da universidade de Bristol, o estudo mostra uma sólida associação entre hábitos alimentícios nos primeiros anos de vida e o posterior desenvolvimento escolar, e indica que as primeiras alimentações têm efeitos duráveis, à margem de mudanças posteriores na dieta.

"É muito importante que as crianças tenham uma dieta equilibrada desde a primeira infância, caso queiram tirar o máximo proveito da educação", ressaltou Emmett.

sexta-feira, 15 de agosto de 2008

Cresce o número de diagnósticos de câncer de mama em mulheres com menos de 40 anos

Via Minha Vida

Jovens pacientes dispensam os exames preventivos de rotina e ficam mais sujeitas à doença
Linha pontilhada

Pesquisa realizada pelo Hospital do Câncer de São Paulo revela que o número de mulheres afetadas com o câncer de mama cresceu 11% e, hoje em dia, afeta 16% das mulheres com menos de 40 anos. As estatísticas também revelam que uma em cada 20 mulheres desenvolverá esse tipo de doença no decorrer da vida e, pior, em 60% a 70% dos casos, o diagnóstico é feito tardiamente, com o tumor já em fase adiantada.

A doença é a principal causa mundial de morte por câncer da população feminina entre 39 e 58 anos de idade e, no Brasil, estima-se que mais de 40 mil novos casos sejam diagnosticados neste ano. Embora não substitua as visitas ao médico, o maior aliado das mulheres é o auto-exame, responsável por detectar cerca de 75% dos casos. As chances de cura são de 90% quando a doença é detectada no início (tumores de 2 cm, em média). A inspeção visual e a palpação de cada mama pela própria mulher devem ser realizadas geralmente do 7º ao 10º dia após o início da menstruação.

A especialista em Radiologia do Lavoisier Medicina Diagnóstica/ DASA Maria Helena Louveira, lembra que, no caso de jovens, não é indicada a mamografia sem recomendação profissional. Temos que lembrar que este exame inclui a emissão de radiação ionizante. Quando aplicada de forma excessiva, ela pode ser nociva à saúde. Por isso, não devemos antecipar a inclusão da mamografia caso a paciente não tenha histórico familiar ou alterações genéticas que o justifiquem , ressalta.

A mamografia deve ser realizada entre 35 e 40 anos de idade e se submeter e ser repetida anualmente a partir dos 40 anos. Os principais sinais do tumor são o aparecimento de nódulo palpável nos seios ou de ínguas nas axilas, modificações na forma e tamanho das mamas, saída de secreção escura ou com sangue pelo mamilo e modificações na pele, na aréola mamária ou no mamilo. Nem todos os nódulos palpáveis na mama representam um tumor maligno. Também existem as alterações benignas, como os cistos e os fibroadenomas, que podem ser percebidos ao toque e têm evolução favorável , finaliza Maria Helena Loureira.

sexta-feira, 13 de junho de 2008

Vitaminas podem encurtar a vida e não prolongá-la, diz estudo

Comprimidos com antioxidantes são usados por quem quer retardar a velhice.
Médicos alertam que eles devem ser consumidos com muito cuidado.

Do New York Times via G1 em 16/05/2008 - 19h40

* » Estudo indica que vitaminas podem fazer mal à saúde
* » Vitamina E pode estender tempo de vida de pacientes com Alzheimer
* » Estudo liga altas doses de vitamina E a câncer do pulmão

Um estudo sobre 67 testes aleatórios realizados com suplementos antioxidantes não encontrou nenhuma evidência de que eles prolonguem a vida e ainda descobriu uma forte evidência de que eles podem encurtá-la. Os testes incluíram quase 250 mil participantes, incluindo pessoas saudáveis e pessoas com vários tipos de doenças.

Os autores do estudo descobriram que, no geral, suplementos antioxidantes não tiveram efeito sobre a mortalidade. No entanto, nos estudos mais extremos (19 testes duplo-cego com boa aleatoriedade e acompanhamento), suplementos em doses consideravelmente mais altas que aquelas contidas em pílulas com múltiplas vitaminas aparentaram aumentar o risco de morte em 16% para vitamina A, 7% para betacaroteno e 4% para vitamina E. Não houve diferença se os grupos testados estavam doentes ou saudáveis. Vitamina C e selênio, por outro lado, não tiveram efeito discernível.

Os autores defendem suas conclusões assertivamente. “Betacaroteno, vitamina A e vitamina E, administradas individualmente ou combinadas com outros suplementos antioxidantes, aumentam significativamente a mortalidade”, escrevem.

O estudo, publicado em 16 de abril na Cochrane Library, também conclui que é necessário realizar mais pesquisas sobre a vitamina C e o selênio. Mas os autores alertam que, devido aos riscos dos suplementos antioxidantes em geral, esses trabalhos deverão ser realizados sob a direção de comitês de segurança e com monitoramento de dados independente e cuidadoso.

sexta-feira, 30 de maio de 2008

Simbiótico melhora funcionamento intestinal em mulheres

Estudo argentino prospectivo, randomizado e aberto (ou seja, tanto os pesquisadores quanto os participantes conheciam o produto que estavam sendo ofertados) verificou que o consumo de iogurte contendo simbiótico melhorou parâmetros relacionados com a evacuação intestinal em mulheres com constipação funcional. Como o mau funcionamento intestinal ocorre mais freqüentemente em mulheres do que em homens, provavelmente pelo efeito hormonal (muitas vezes agravados na gestação) ou por características na anatomia pélvica, os autores optaram por estudar somente esse grupo.

Apesar de o trabalho avaliar os efeitos desse produto em mulheres com constipação intestinal, os pesquisadores também incluíram mulheres sem constipação para compararem com parâmetros de normalidade. Por isso, foram divididos dois grupos: um grupo de mulheres com constipação (266) e outro grupo de mulheres sem constipação (112) para receberem duas unidades/dia de iogurte contendo simbióticos com Bifidobacterim animalis DN 173-010 e inulina ou uma sobremesa láctea sem probiótico (grupo controle), durante quatro semanas.

A ingestão de fibras foi verificada nos dois grupos, mas não houve diferença significante: 8,7 ± 6,4 g/dia em mulheres com constipação e 9,4 ± 6,5 g/dia nas mulheres sem constipação.
Após período de estudo o grupo de mulheres com constipação e que consumiram o iogurte contendo simbiótico tiveram aumento na freqüência das evacuações quando comparadas com as que receberam a sobremesa controle (6,1 ± 2,7 contra 5,0 ± 2,6 evacuações/semana). Além disso, o consumo do simbiótico diminuiu a dor abdominal ao evacuar (0,1 ± 0,2 contra 0,2 ± 0,3), o esforço para evacuar (1,9 ± 0,8 contra 2,2 ± 0,9) e melhorou a consistência fecal (3,6 ± 1,0 contra 3,4 ± 1,0), comparadas com o grupo que recebeu a sobremesa controle. No grupo de mulheres sem constipação os efeitos também foram positivos para os mesmos parâmetros, mas com uma importância menor do que nas mulheres com constipação.

“Nosso estudo não foi desenhado para explicar os mecanismos envolvidos com os efeitos observados, mas podemos sugerir que a mudança na flora intestinal pode acelerar o trânsito intestinal no cólon por alterar a capacidade de absorção de água, e por isso melhorar o funcionamento intestinal. Também é possível que este tipo de intervenção possa modificar a resposta imune e neuroendócrina da mucosa intestinal, mas para afirmar isso teríamos que realizar um estudo por um maior período de tempo”, explicam os pesquisadores.

“É importante dizer que não houve efeitos adversos no consumo do iogurte com simbiótico e da sobremesa utilizada como controle, mostrando a alta segurança desses produtos. Aliás, o uso do placebo foi uma grande dificuldade para nós, pois entre outros motivos, não encontramos um produto que pudesse ter características similares ao iogurte sem que causasse algum efeito fisiológico ao sistema digestório humano”, argumentam. “Nossos resultados mostram que o iogurte com simbiótico pode melhorar significativamente os parâmetros relacionados à evacuação intestinal em mulheres com constipação funcional, mas devem ser excluídos os indivíduos intolerantes ao leite e derivados”, concluem.


Referência(s)De Paula JA, Carmuega E, Weill R. Effect of the ingestion of a symbiotic yogurt on the bowel habits of women with functional constipation. Acta Gastroenterol Latinoam. 2008;38:16-25.

Thiago Manzoni Jacintho para Nutritotal

sexta-feira, 9 de maio de 2008

quarta-feira, 30 de abril de 2008

Gastronomia Molecular em favor da saúde

Fonte : Nutritotal

O encontro da ciência com a arte favorece a saúde e o paladar.

A física e a química dos alimentos podem ser utilizados de maneira benéfica à saúde, priorizando qualidades e substituindo técnicas e ingredientes menos adequados. Este é o propósito da gastronomia molecular, que ganha adeptos no mundo inteiro. No Brasil, a nutricionista Andréa Esquivel é uma especialista na área e fala ao Nutritotal um pouco mais sobre o assunto.

Como a física e a química dos alimentos podem beneficiar a saúde?

Por meio de pequenas alterações em ingredientes ou até mesmo no preparo de um prato é possível obter inúmeros benefícios à saúde. Sabendo como utilizá-las, disponibilizamos os nutrientes da maneira mais adequada possível enriquecendo a comida.

Isso é feito por meio da substituição de alimentos por outros semelhantes, porém mais saudáveis?

A idéia de que para uma culinária saudável basta substituir ingredientes calóricos por outros mais light é equivocada. A maneira de prepará-los muitas vezes é muito mais importante. Além do que, os valores de minerais e vitaminas nas tabelas nutricionais devem servir apenas para orientação. Como as condições de plantio mudaram muito da época em que as tabelas foram elaboradas, muitos valores também mudaram de lá pra cá.

Qual deve ser o principal objetivo ao elaborar uma receita?

Um aspecto muito importante, sempre, é aguçar os cinco sentidos à mesa. Aroma, paladar, textura, aparência, quanto mais sentidos forem despertos, melhor a digestibilidade e a absorção. Assim, se deixamos de estimular um dos sentidos, também deixamos de lado uma grande chance de proporcionar prazer a quem está comendo.

E para as dietas de emagrecimento, quais as dicas?

Despertar os cinco sentidos de quem está comendo é também uma ótima maneira de reduzir a ingestão de calorias. Quanto mais sentidos estiverem despertos, maior a saciedade e menor o volume que será ingerido.

Um prato elaborado somente com ingredientes tidos com saudáveis, não será necessariamente um prato saudável?

Não basta preparar um prato bonito, saboroso e utilizar apenas ingredientes saudáveis. Sem a correta orientação, um pequeno detalhe no preparo pode colocar em risco as propriedades nutricionais daqueles ingredientes.

Poderia citar um exemplo?

Um bom exemplo disso é o licopeno. Embora pesquisas atestem que a substância, presente no tomate previna o câncer de próstata, não adianta comer um monte de tomates, pois o licopeno tem pouca disponibilidade na fruta in natura. A maneira de tirar proveito destes benefícios do licopeno é na forma de molho que, sem grande parte da água presente no tomate, o licopeno fica muito mais concentrado e disponível. E é possível potencializar ainda mais acrescentando azeite ao molho.

sexta-feira, 30 de novembro de 2007

Percepções sobre o câncer

30/11/2007

Por Washington Castilhos, do Rio de Janeiro

Agência FAPESP – Mais de 90% dos brasileiros reconhecem a necessidade de detecção precoce do câncer, mas poucos sabem quais exames devem ser feitos para detectar a doença nas fases iniciais. O fumo e a exposição ao sol são amplamente reconhecidos como fatores de risco, mas ainda é muito baixa a associação da prevenção ao câncer com a alimentação saudável.

Esses são alguns dos resultados de uma pesquisa realizada pelo Instituto Nacional do Câncer (Inca), que entrevistou 2,1 mil pessoas nas regiões metropolitanas de todas as capitais do país. O objetivo foi conhecer as concepções do brasileiro em relação à doença.

No estudo, 71,96% dos entrevistados afirmaram saber o que é câncer. Apesar de 89,41% terem dito reconhecer a necessidade de detecção precoce para o sucesso do tratamento, significativos 17,6% declararam conhecer os exames necessários para a detecção precoce.

Foram citados o exame de próstata (11,68%), o ginecológico preventivo (13,52%), a mamografia (8,11%) e o exame das mamas pelo médico (9,79%). O auto-exame das mamas (2,48%), o de pele pelo médico (2,44%), o de sangue oculto nas fezes (1,6%) – importante para a detecção precoce do câncer de cólon – e o exame oral pelo dentista (0,97%) ficaram entre os menos citados.

“Fizemos a pesquisa para ver em que segmentos sociais temos que focar mais as campanhas, e também para refinar o conhecimento a respeito das percepções sobre o câncer. Uma coisa é saber o que pensa uma pessoa que tem a doença e outra é saber o que pensa a população em geral, especialmente em relação à prevenção, palavra-chave atualmente”, ressaltou o médico Luiz Antonio Santini, diretor do Inca.

A maioria dos entrevistados reconhece a importância da prevenção: 72,88% disseram que o câncer sempre pode ser prevenido, enquanto 11,09% apontaram que isso pode ocorrer em algumas situações. “Esse é um resultado positivo. Significa que estão prontos para adotar hábitos e alternativas de vida saudáveis, capazes de afastá-los de importantes fatores de risco. A pesquisa mostra um dado favorável e importante: a associação do cigarro à doença”, avaliou Santini.

Segundo ele, em relação aos exames e à prevenção, há ainda muitos obstáculos a serem vencidos. “Enquanto o câncer de colo de útero foi reduzido a um fator quase irrisório nos países mais ricos, no Brasil é a segunda causa de morte entre mulheres e o mais incidente em algumas regiões. A média de cobertura do exame de papanicolau é de 65%, enquanto o ideal seria 80%. Se separarmos entre população das cidades e do interior, veremos que, nas primeiras, a cobertura é de 80%, enquanto na segunda é bem menor. A população dos grandes centros está mais bem informada. Com essa pesquisa podemos direcionar a campanha a um público específico”, observou.

O estudo apontou também um desconhecimento sobre locais em que se pode fazer exames para detecção precoce: hospitais foram apontados por 43,39%, seguidos por clínicas (17,25%), postos de saúde (16,32%) e laboratórios (16,94%). “A porta de entrada do sistema de saúde são as unidades básicas ou primárias, os postos de saúde locais, onde são feitos os exames diagnósticos”, disse o diretor do Inca.

Quanto ao reconhecimento dos fatores de risco, os dados revelam que ainda há muito a avançar. O fumo e o excesso de exposição ao sol são os fatores de risco mais conhecidos, por 96,65% dos entrevistados. O número sobe para 100% na região Centro-Oeste e 98,04% na região Norte, seguidas pelas regiões Nordeste (97,15%), Sul (96,01%) e Sudeste (95,67%).

Já 92,41% indicaram o excesso de exposição ao sol como fator de risco. O índice mais alto foi verificado na região Centro-Oeste (97,42%). O consumo de bebidas alcoólicas em excesso foi reconhecido por 85,71% dos entrevistados.

A alimentação saudável e a prática de atividades físicas ainda não são identificadas como formas de prevenção ao câncer de forma expressiva. Dos entrevistados, 27,47% afirmam que a alimentação não tem relação com o câncer e 49,03% não relacionaram a falta de atividades físicas com o risco de adquirir a doença.

A maior parte dos entrevistados disse que o câncer pode ser tratado (78,77%) ou que, às vezes, pode ser tratado (14,74%). Apenas 4,60% afirmaram desconhecer tratamento para a doença.

Mais informações: www.inca.gov.br

quarta-feira, 28 de novembro de 2007

Alteração milenar

Por Washington Castilhos, do Rio de Janeiro

Agência FAPESP – Apesar da falta de dados concretos sobre as causas do câncer de mama, sabe-se que cerca de 10% dos casos da doença têm fundo genético, provocados por alterações nos genes BRCA1 e BRCA2. Mas em cada país são registradas alterações distintas, tornando difícil um diagnóstico mais preciso para a doença.

Uma equipe do Instituto Português de Oncologia, em Lisboa, acaba de descobrir uma dessas mutações no gene BRCA2. No entanto, o que torna o achado importante é o fato de que o grupo também descobriu que a alteração ocorre há mais de 2 mil anos, muito antes da formação de Portugal como reino independente.

“Essa é uma alteração fundadora genuinamente portuguesa. Até agora, sabemos que 23 famílias em Portugal, uma na Bélgica, uma na França e outra encontrada recentemente nos Estados Unidos possuem essa alteração, o que significa que elas têm ancestral em comum, a despeito de pertencerem a países diferentes”, disse a médica oncologista Fátima Vaz, coordenadora do estudo, que apresentou detalhes do trabalho na terça-feira (27/11), no 2º Congresso Internacional de Controle do Câncer, no Rio de Janeiro.

Com a descoberta, Portugal passou a ocupar o time dos poucos países que têm alteração fundadora em um desses dois genes. Antes da descoberta do grupo, modificações do tipo haviam sido identificadas na Finlândia, na Rússia, na Polônia e na Espanha. Judeus ashkeniazi (com origem no centro da Europa) também têm alteração genética fundadora já identificada para o câncer de mama.

“A vantagem é que quando estudamos famílias portuguesas de origem judaica e encontramos mulheres positivas para a doença, não temos que identificar outras mutações no DNA, o que é um trabalho difícil. Vamos investigar primeiramente se existe a alteração fundadora judaica, nesse caso”, explicou Fátima à Agência FAPESP.

A descoberta, de acordo com a cientista, permitirá fazer o mesmo com as famílias legitimamente portuguesas em relação à recentemente identificada alteração fundadora portuguesa. “Isso tornará o trabalho de prevenção mais rápido, uma vez que só vamos fazê-lo com aquelas mulheres que se mostrarem positivas, isto é, que apresentarem tal mutação.”

A alteração só pôde ser identificada por meio da técnica do PCR (reação em cadeia da polimerase) otimizada. “Tivemos que fazer dois PCRs de confirmação, um em nível do DNA e outro do RNA, pois esse é o que está mais próximo da proteína. Essas mutações provocam câncer de mama porque a proteína não está funcionando bem”, explicou Fátima.

Segundo a pesquisadora do Instituto Português de Oncologia, existem no mundo cerca de 1,2 mil pessoas positivas a essas mutações, todas com ancestral português comum. Desses, já foram rastreados 80, oriundos das 23 famílias portuguesas estudadas.

Ela espera agora estabelecer comunicação com pesquisadores de outros países, como o Brasil, para investigar a ocorrência de tais alterações. “Penso que provavelmente não vamos encontrar outra alteração em Portugal tão prevalente quanto essa”, disse Fátima.

segunda-feira, 26 de novembro de 2007

Câncer suspenso

19/11/2007 , Agência FAPESP

Potencialmente nocivas, mas ainda proibidas de se manifestar. Células cancerosas dormentes são mantidas em estado de equilíbrio pelo sistema imunológico. As que escapam acabam se desenvolvendo em tumores. A conclusão é de um estudo publicado neste domingo (18/11) no site da revista Nature.

O trabalho identificou um estágio crucial na batalha, o ponto no qual o mecanismo de defesa barra a expansão do câncer que conseguiu se esquivar pelo monitoramento inicial feito pelo organismo.

Robert Schreiber, do Departamento de Patologia e Imunologia da Faculdade de Medicina da Universidade de Washington, nos Estados Unidos, e colegas usaram camundongos para mostrar que o sistema imunológico dos animais é capaz de manter o crescimento do tumor em xeque por um longo período.

Estudos anteriores haviam sugerido a existência desse estado de equilíbrio, devido ao fato de que tipos dormentes de câncer costumam se manifestar quando transferidos inadvertidamente de um determinado doador para um receptor com imunossupressão, durante transplante de órgão.

“Usamos um modelo animal de carcinogênese química primária e demonstramos que o equilíbrio ocorre. Mostramos que células tumorais em equilíbrio não estão editadas [no sentido do arranjo genético], mas se tornam editadas quando escapam espontaneamente do controle e crescem em tumores clinicamente aparentes”, descreveram os autores.

Segundo eles, o estágio agora confirmado deverá ajudar a explicar a presença de células cancerosas ocultas – em tumores na próstata, por exemplo – em indivíduos sem sintomas da doença.

Eventualmente, de acordo com os pesquisadores, a descoberta poderá ser usada para o desenvolvimento de terapias imunológicas que permitam ampliar o controle do crescimento de tumores próprio do organismo.

O artigo Adaptive immunity mantains occult cancer in an equilibrium state, de Robert Schreiber e outros, pode ser lido por assinantes da Nature em www.nature.com.

quarta-feira, 24 de outubro de 2007

Açúcar perigoso

Agência FAPESP – Um fenômeno considerado saudável para as células, o acúmulo de açúcar – que os tecidos usam como reservas energéticas –, acaba de se mostrar ruim para os neurônios e pode explicar a origem de diversas doenças degenerativas.

A afirmação é de um estudo publicado por um grupo de cientistas espanhóis na edição deste domingo (21/10) da revista Nature Neuroscience. O acúmulo ocorre na forma de glicogênio, polissacarídeo formado a partir de moléculas de glicose e utilizado como reserva energética.

A descoberta vem de estudo feito pelo grupo espanhol da doença de Lafora, uma desordem rara, irreversível e sem cura, caracterizada pelo aparecimento precoce de crises epilépticas. Com início na adolescência, a doença é marcada pela degeneração progressiva que reduz o paciente a um estado vegetativo em um período médio de dez anos.

A doença, que leva o nome do neuropatologista espanhol Gonzalo Rodriguez Lafora (1887-1971), é herdada dos pais, que carregam mutações em um ou outro dos genes associados com a patologia. Esses genes são conhecidos como laforina e malina. A doença também é caracterizada pelo acúmulo de formações anormais em neurônios, chamados de corpos de Lafora.

O estudo descreve as funções da laforina e da malina, explica a origem dos corpos de Lafora e identifica como ocorre o processo neurodegenerativo da doença.

“Observamos que esses dois genes atuam em conjunto como guardiões dos níveis de glicogênio em neurônios e são estimulados pela degradação das proteínas responsáveis pelo acúmulo de glicose. Em uma situação na qual um dos genes deixa de funcionar, essas proteínas não são degradadas, o glicogênio se acumula e, conseqüentemente, os neurônios se deterioram e ocorre o suicídio celular programado (a apoptose)”, explicou Joan J. Guinovart, diretora do Instituto de Pesquisa em Biomedicina e da Universidade de Barcelona.

De acordo com os pesquisadores, as conclusões do estudo ajudam a aumentar a expectativa de que estratégias eficientes para tratar a doença de Lafora possam ser encontradas. Um possível caminho, segundo eles, seria identificar uma molécula capaz de inibir a síntese de glicogênio em neurônios.

Entender melhor os mecanismos que estimulam e bloqueiam a produção de glicogênio também teria um grande impacto no estudo de outras doenças neurológicas e degenerativas. “Queremos ampliar os resultados do estudo para outras patologias nas quais o glicogênio está presente em neurônios, uma vez que nossos resultados sugerem que essa molécula é parte do problema”, disse Joan.

O artigo Mechanism suppressing glycogen synthesis in neurons and its demise in progressive myoclonus epilepsy, de Joan J. Guinovart e outros, pode ser lido por assinantes da Nature Neuroscience em www.nature.com/neuro.

Dieta de alto risco

Dieta de alto risco
10/10/2007 Por Carlos Fioravanti e Ricardo Zorzetto

Pesquisa FAPESP – Em pé à entrada de um contêiner metálico que lembra um vagão de trem sem janela, Andressa Coope prepara uma pasta amarelada rica em gordura de porco. Os ratos brancos a serem alimentados com essa dieta, mantidos ali dentro em gaiolas empilhadas, chamam a atenção não só porque já são gordos, mas também porque carregam um pequeno cano semelhante a uma antena implantado no alto da cabeça.

É por esse tubo que a bióloga injetará substâncias que devem mostrar os efeitos de uma alimentação gordurosa sobre o organismo e reforçar a conclusão recente das equipes da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) de que ela faz parte: consumir por muito tempo uma dieta rica em gorduras como a de países ocidentais, a exemplo do Brasil e dos Estados Unidos, além de engordar, pode ser trágico para o organismo.

O excesso de doces repletos de cremes, pães, frituras e carnes gordurosas impede o funcionamento adequado do hormônio insulina, que carrega a glicose para o interior das células de diferentes órgãos e tecidos onde esse açúcar é transformado na energia essencial à vida.
Foram necessários 15 anos de trabalho para as equipes de Mário José Abdalla Saad, José Barreto Carvalheira e Lício Velloso na Faculdade de Ciências Médicas da Unicamp comprovarem que esse desajuste bioquímico conhecido como resistência à insulina começa no cérebro e nos músculos.

Depois repercute em todo o corpo, reduzindo o aproveitamento da energia dos alimentos e aumentando a fome. Em conseqüência, obesidade, diabetes, hipertensão, doenças cardiovasculares e até mesmo câncer – em resumo, os problemas que mais matam no mundo hoje – desenvolvem-se mais facilmente.

Exemplo raro da integração de fenômenos observados no interior das células a outros fenômenos mais globais, que regulam o funcionamento de órgãos e tecidos, os quase 200 trabalhos publicados pelas equipes da Unicamp mostram agora com precisão onde, como e por que surge a resistência à insulina, o primeiro passo para o desenvolvimento de 90% dos casos de diabetes, que afetam 180 milhões de pessoas no mundo. Desses estudos emergem também alternativas promissoras para tratar esses problemas.

Foi mantendo os potes de comida dos animais sempre cheios que a equipe de Saad verificou que as células do hipotálamo e as dos músculos são as primeiras a se tornarem resistentes à ação da insulina, dez dias após o início de uma dieta rica em gorduras. Num segundo estágio esse hormônio deixa de agir adequadamente nas células do fígado e dos vasos sangüíneos. Só depois de cinco meses é que o problema se instala no tecido adiposo, formado por células especializadas em acumular gordura.

Clique aqui para ler o texto completo na edição 140 de Pesquisa FAPESP.

terça-feira, 23 de outubro de 2007

O problema está com os homens

Avôs indolentes, filhos que encurtam a vida da mãe e irmãos molestadores inatos – essas são apenas algumas das conseqüências reveladas pelos estudos da bióloga Virpi Lummaa sobre como as forças evolutivas moldam as gerações futuras

por David Biello para SciAm

Filhos homens não são fáceis para uma mãe. Seja o peso maior na hora do parto, o nível elevado de testosterona ou, simplesmente, as algazarras que as deixam de cabelo em pé – os meninos trazem um fardo extra à mulher que os deu à luz. Examinando registros de dois séculos de uma igreja finlandesa, Virpi Lummaa, da University of Sheffield, na Inglaterra, tem como provar: filhos homens reduzem a expectativa de vida da mãe, em média, em 34 semanas.

Com o auxílio de genealogistas, a bióloga evolucionária finlandesa de 33 anos vasculhou livros com séculos de idade (e décadas em microfichas) em busca de certidões de nascimento, casamento e óbito – e pistas sobre a influência da evolução na reprodução humana.

Historiadores, economistas e mesmo sociólogos há muito usam táticas parecidas para explorar seus campos de estudo, mas Lummaa está entre os primeiros biólogos a estudar o Homo sapiens como animal cuja população pode ser acompanhada ao longo do tempo.

Afinal, os humanos são relativamente fáceis de rastrear e oferecem a notória vantagem de, em geral, manter registros detalhados. “Sempre quis trabalhar com primatas”, contou Lummaa. “Mas como coletar dados semelhantes sobre chimpanzés selvagens seria uma enorme dificuldade, decidi estudar uma outra espécie.” Mais recentemente, ela tem se dedicado às mães pré-modernas do povo Sami, da Finlândia, famoso pela criação de renas.

Ao estudar esse grupo, ela constatou que mães de meninos viveram menos que mães de meninas. Essa discrepância tem relação com o peso na hora do parto – bebês do sexo masculino em geral são maiores; isso sem contar a testosterona. “Esse hormônio pode afetar o sistema imunológico e comprometer nossa saúde”, afirma Lummaa. As mães que deram à luz meninos se revelaram particularmente suscetíveis a endemias infecciosas, como a tuberculose. “Criar meninos tem um custo um pouco maior” que criar meninas, pois eles consomem mais recursos físicos da mãe, acrescenta ela – isso já foi observado em outros mamíferos, como o cervo nobre. Filhos também são menos propensos que filhas a permanecer por perto e zelar pela mãe na velhice.

Mais recentemente, Lummaa e seus colegas vêm concentrando a pesquisa no fato de os homens representarem um fardo maior não só para a mãe, mas também para os irmãos e irmãs. As crianças nascidas após um filho homem tiveram famílias menores, eram mais franzinas e, geralmente, mais sujeitas a doenças infecciosas fatais. Os efeitos se comprovaram mesmo com a morte do irmão mais velho na infância, sugerindo que o resultado negativo não é fruto de algum tipo de interação fraterna, como a competição por comida, os espancamentos constantes ou a prática da primogenitura, quando o irmão mais velho herda tudo. “Irmãos mais velhos são prejudiciais”, explica a bióloga. “Se o quinto filho for um menino, então o sexto estará em desvantagem.”

Esse fenômeno é ainda mais evidente em casais de gêmeos. Dos 754 casos de gêmeos nascidos entre 1734 e 1888, em cinco cidades rurais da Finlândia, nos irmãos de sexo oposto, 15% a menos das mulheres se casaram e 25% tiveram um número menor de filhos – no mínimo dois a menos, se comparadas àquelas que tiveram uma irmã gêmea. Essa influência por parte do irmão se repetiu sem qualquer relação com a classe social ou outro fator cultural, e se confirmou mesmo quando o gêmeo morreu antes dos três meses de idade, permitindo à gêmea ser criada como filha única.

Lummaa especula que a exposição uterina à testosterona seja responsável pelo sofrimento da gêmea. A forte influência hormonal em outros animais, incluindo ratos de laboratório e vacas, já havia sido constatada por outros pesquisadores. Quando uma vaca dá cria a gêmeos de sexos diferentes, é comum a fêmea nascer estéril devido à influência da testosterona. Seja qual for a causa, o resultado é indiscutível: mães de gêmeos de sexo oposto acabam com 19% menos netos que aquelas que tiveram gêmeos do mesmo sexo. Ou seja, aparentemente, a evolução favorece o último caso. “Diferenças biológicas entre homem e mulher não são determinadas [apenas] pelo cromossomo herdado no nascimento”, afirma o antropólogo Christopher Kuzawa, da Northwestern University. O efeito da relação fraternal “causa impacto no sucesso reprodutivo e, portanto, tem relevância evolutiva”.

“Os resultados são intrigantes”, comenta Kenneth Weiss, biólogo, antropólogo e geneticista da Pennsylvania State University. Ele observa que “se a propensão a ter gêmeos for genética, certamente há uma tendência seletiva, visando garantir a raridade dos casos. No entanto, alguns animais têm gêmeos rotineiramente”. Sobre essa contradição, ele acrescenta, “ainda que a observação esteja correta, é arriscado superestimar os efeitos dessa característica”.

Esse risco é especialmente grave quando se pretende aplicar esses resultados à atualidade. O acesso ao controle de natalidade, a fartura de alimentos e a baixa taxa de mortalidade infantil podem ofuscar a influência evolucionária identificada nos dados de tempos pré-industriais. “É um choque constatar que 100 ou 150 anos atrás, 40% dos bebês morriam antes de se tornarem adultos; ainda mais com a vida adulta começando aos 15 anos”, observa Lummaa.
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quarta-feira, 17 de outubro de 2007

Video do intestino

A Saúde depende do Estado do Intestino. Por Dr Hiromi Shinya, que atualmente na cidade de Nova York é Professor Doutor da Faculdade de Medicina Albert Einstein e Diretor do Centro de Colonoscopia do Hospital Beth Israel. Dês de 1969, realiza com sucesso a extirpação do pólipo do intestino grosso sem necessidade de corte abdominal. Hoje em dia no mundo inteiro, o método do Dr Shinya é praticado com sucesso. Infos: gtfreire@gmail.com

Cérebros loucos por comida

Neuroimageamento revela uma forte relação entre chocolatria e uso de drogas
por Kristin Leutwyler Ozelli para a SciAm.



"Nora Volkow é diretora do National Institute of Drug Abuse. Antes de assumir esse cargo em 2004, ela ocupou vários postos no Brookhaven National Laboratory e foi também professora de psiquiatria e professora-associada na faculdade de medicina de Stony Brook University. Nas suas pesquisas, ela foi a primeira a usar a tecnologia de imageamento para investigar mudanças neuroquímicas associadas ao vício"

Inúmeras evidências mostram que o comer compulsivo e consumo de drogas envolvem alguns circuitos cerebrais que atuam de formas semelhantes, trazendo uma nova visão para a compreensão e o tratamento da obesidade, explica a Dra. Nora D. Volkow, diretora do National Institute on Drug Abuse e pioneira no estudo de viciados, numa entrevista para a Scientific American.

Que circuitos do cérebro são igualmente ativados pelo consumo de alimentos e pelas drogas? O sistema neural ativado tanto pela ingestão compulsiva de alimentos quando consumo de drogas é basicamente o circuito que evoluiu para recompensar comportamentos essenciais à sobrevivência. Em geral, as pessoas, são atraídas pelos alimentos porque isso é recompensador e produz prazer. Quando experimentamos prazer, nosso cérebro aprende a associar essa sensação com as condições que o predispõem a isso. Em outras palavras, o cérebro lembra não apenas do sabor da comida, mas também da sensação de prazer em si, assim como das sugestões ou comportamentos que o precederam.

Essa memória fica mais forte à medida que o ciclo de predição, busca e obtenção do prazer torna-se mais confiável. Em termos científicos, chamamos esse processo de condicionamento.As drogas são particularmente eficientes como estímulos condicionantes, primeiramente em virtude de suas propriedades químicas. Estímulos naturais como comida ou sexo, levam mais tempo para ativar o circuito da recompensa. O condicionamento que é igualmente importante para esses dois estímulos, estabelece um elo entre a memória e não somente a um estímulo, mas também ao ambiente onde se encontra e a outras ofertas disponíveis. É exatamente isso que a natureza pretende: se a ação necessária para atingir uma experiência prazerosa for disparada exclusivamente pelo estímulo em questão, a resposta condicionada será muito ineficiente.
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segunda-feira, 1 de outubro de 2007

Produto de banana verde pode reduzir resistência da glicose à insulina

Por Júlio Bernardes, da Agência USP

A banana verde, ainda pouco aproveitada na alimentação dos brasileiros, poderá auxiliar na prevenção do diabetes tipo 2. Estudo com animais realizado pela química Giselli Helena Lima Cardenette mostra que o amido isolado e a massa de banana verde podem reduzir a quantidade de insulina necessária para manter níveis semelhantes de glicose no sangue, poupando as células do pâncreas.

Giselli pesquisou os efeitos locais e sistêmicos do amido isolado e da massa de banana verde no organismo. “Os dois produtos apresentaram um elevado teor de carboidratos não-disponíveis e altamente fermentáveis”, afirma. “Ao chegarem no intestino grosso, eles são fermentados produzindo ácidos graxos de cadeia curta, como o butirato e o propionato, e reduzem o pH local”.

A redução do pH no intestino grosso pode gerar diversos efeitos benéficos ao organismo. “A literatura mostra que esta diminuição de pH inibe a formação de ácidos biliares secundários, que são substâncias com alto potencial carcinogênico (relacionadas ao câncer)”, explica Giselli. “Ao mesmo tempo, esta eliminação requer a síntese de novos ácidos biliares primários, o que pode diminuir o teor de colesterol plasmático, atuando na prevenção de doenças cardiovasculares”.

Durante 28 dias, um grupo de ratos foi alimentado com o amido isolado de banana verde. “O teste de tolerância à glicose não verificou redução significativa na resposta glicêmica dos animais, mas houve queda na liberação de insulina plasmática nos animais alimentados com produtos de banana verde, indicando uma possível menor resistência periférica à insulina nestes”, diz a pequisadora.

“Paralelamente, também foi observada uma queda na produção de insulina nas ilhotas pancreáticas isoladas dos animais, o que abre a possibilidade de os produtos de banana verde serem usados em alimentos que atuem na prevenção do diabetes tipo 2”.

Fibras

A professora Elizabete Wenzel de Menezes, da Faculdade de Ciências Farmacêuticas (FCF) da USP, orientadora do trabalho, destaca que o amido isolado de banana verde possui de 80% a 90% de amido resistente (base seca), com efeitos benéficos ao organismo em função de sua elevada fermentabilidade no intestino grosso. “Embora a farinha da massa de banana verde tenha somente 8% a 10% de amido resistente, esta também possui alta fermentabilidade e contém significativa proporção de fibra alimentar solúvel”.

Elizabete aponta que a farinha de amido isolado e a massa de banana verde podem ser adicionadas a frutas, sucos e preparações que não necessitem de novo aquecimento para evitar a perda de amido resistente. “O uso da banana verde é um modo de aumentar a ingestão de fibra alimentar pela população brasileira, que é muito baixo, e ao mesmo tempo evitar o alto desperdício da fruta no País”.

A pesquisa integra um projeto ibero-americano de cooperação internacional (CYTED/CNPq) sobre as propriedades da banana verde e do plátano (espécie semelhante à banana verde, originária do México) e possíveis aplicações na produção de alimentos, iniciado em 2006. Os testes com as ilhotas isoladas do pâncreas de ratos foram realizados pelo professor Ângelo Rafael Carpinelli, do Instituto de Ciências Biomédicas (ICB) da USP.

O estudo de Giselli faz parte de tese de Doutorado defendida no programa de pós-graduação em Ciências dos Alimentos do Departamento de Alimentos e Nutrição Experimental da FCF. O trabalho teve apoio financeiro da Coordenadoria de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes), da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp) e do Projeto CYTED 106PI-0297.


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Mais informações: (0XX11) 3091 3624, e-mail wenzelde@usp.br, com Elizabete Wenzel de Menezes; e-mail giselli@usp.br, com Giselli Helena Lima Cardenette

terça-feira, 11 de setembro de 2007

Chips implantados em humanos causam câncer?

Do MSNBC
Quando a FDA (Administradora de Drogas e Alimentos dos EUA) aprovou a implantação de microchips em humanos, a fabricante do aparelho afirmou que o mesmo salvaria vidas, permitindo que doutores obtivessem o histórico médico do usuário quase instantaneamente. A FDA concluiu que havia "garantias confiáveis" de que o chip era seguro, e uma subagência classificou o mesmo como uma das 'tecnologias mais inovadoras' de 2005.

Mas nenhuma das partes envolvidas citou que uma série de estudos toxicológicos e veterinários datados de 1996 classificaram que a implementação dos chips 'induziram' tumores malignos em ratos de laboratório. "Os microchips causaram os tumores", afirmou Keith Johnson, patologista toxicológico aposentado, numa entrevista sobre o estudo.

Especialistas em câncer revisaram a pesquisa e afirmaram que os resultados nos animais de teste não necessariamente refletem o que acontecerá em humanos, embora os mesmos sejam preocupantes. Alguns chegaram a pedir que pesquisas mais detalhadas sobre os chips sejam feitas antes da adoção em massa dos mesmos.

De acordo com a VeriChip, até o momento cerca de dois mil dispositivos RFID (identificação por rádio freqüência) foram implantados em seres humanos no mundo todo. A companhia insiste que seus chips são seguros.

quarta-feira, 5 de setembro de 2007

Primeiro genoma individual é publicado

Agência FAPESP – O primeiro humano a ter seu genoma seqüenciado e publicado é ninguém menos do que o polêmico geneticista e empresário norte-americano J. Craig Venter.

A publicação foi feita na PLoS Biology por cientistas do J. Craig Venter Institute (JCVI) e da Universidade da Califórnia em San Diego, nos Estados Unidos, e do Hospital para Crianças Doentes em Toronto, no Canadá.

Venter é conhecido por ter abandonado o Projeto do Genoma Humano para abrir uma empresa, a Celera, com o objetivo de comercializar resultados do seqüenciamento. Em 2000, o mapeamento do genoma do homem foi anunciado pelo então presidente norte-americano Bill Clinton, com a presença de Venter e de Francis Collins, dos Institutos Nacionais de Saúde, que representou os cientistas de instituições públicas.

Como resultado da divisão das frentes de pesquisa, existem atualmente duas versões do genoma humano, ambas publicadas em 2001, uma por Venter e colegas da Celera e outra pelo consórcio do Projeto do Genoma Humano.

Os genomas não são de um indivíduo único, mas de uma mistura de amostras de DNA de diversas pessoas. O novo genoma, chamado de versão HuRef, representa a primeira publicação de um genoma realmente diplóide, formado a partir dos conjuntos cromossômicos paterno e materno.

A partir dos dados combinados de mais de 20 bilhões de pares de base, os cientistas montaram a seqüência genômica de Venter com um comprimento médio de 2,8 bilhões de pares. Segundo eles, o genoma foi coberto 7,5 vezes, de modo a garantir que cada conjunto cromossômico fosse analisado mais de 3,2 vezes para uma cobertura superior a 96% dos dois genomas parentais.

Os grupo do JCVI comparou a seqüência do genoma diplóide HuRef com as versões publicadas anteriormente de genomas humanos e verificou que a nova versão representa uma importante melhoria ao fornecer pares de base em maior quantidade e mais corretamente orientados.

Uma vez que o genoma HuRef é diplóide, cada um dos cromossomos parentais pode ser comparado com o outro. De acordo com os autores do estudo, uma das descobertas mais importantes foi o elevado grau de variação genética verificado entre dois cromossomos em um único indivíduo.

“A cada vez que olhamos o genoma humano descobrimos mais sobre nossa intrincada biologia. Com essa publicação, mostramos que a variação de um humano para outro é mais do que sete vezes maior do que havia sido estimada anteriormente, provando que nós somos realmente indivíduos únicos do ponto de vista genético”, disse Venter.

Segundo o estudo, em pelo menos 44% dos genes do cientista as cópias herdadas da mãe diferem daquelas recebidas do pai. “Está claro, entretanto, que ainda estamos nos estágios iniciais das descobertas sobre nós mesmos e que somente com o contínuo seqüenciamento de mais genomas individuais poderemos ser capazes de compreender inteiramente como os nossos genes influenciam nossas vidas”, afirmou.

Outro cientista que teve seu genoma seqüenciado, mas ainda não publicado, é o biólogo norte-americano James Watson, que, junto com o inglês Francis Crick, descobriu a estrutura molecular do DNA.

O artigo The diploid genome sequence of an individual human, de J. Craig Venter e outros, pode ser lido por assinantes da PLoS Biology em http://biology.plosjournals.org.

segunda-feira, 3 de setembro de 2007

Colesterol 'pode ampliar risco de câncer de próstata'

da BBC.

Cientistas do Instituto de Pesquisas Farmacológicas Mario Negri, em Milão, concluíram um estudo que indica que o alto nível de colesterol pode estar relacionado com uma maior propensão ao câncer de próstata.
Os pesquisadores analisaram dados de 2.745 homens, mas, em um artigo nos Anais da Oncologia, eles disseram que ainda precisam realizar novos exames para comprovar a relação.

Apesar disso, eles acreditam que a explicação pode estar no fato de o organismo utilizar o colesterol para produzir hormônios masculinos que estariam ligados ao câncer de próstata.

"Os hormônios andróginos, que têm um papel fundamental no tecido da próstata, são sintetizados a partir do colesterol, o que sugere uma relação biológica entre a substância e o câncer", disse Cristina Bosetti, uma das autoras da pesquisa.

Vesícula

Ao realizarem as análises, os especialistas descobriram que os homens com a doença apresentavam altos índices de colesterol.

A associação era particularmente forte entre aqueles que foram diagnosticados antes dos 50 anos de idade ou depois dos 65 anos.

Ambos os grupos tinham 80% mais chances de apresentar colesterol alto que os homens sem câncer.

O estudo também mostrou que pacientes que sofrem da doença tinham 26% mais chances de apresentar pedras na vesícula biliar. Os homens mais magros pareceram ser os mais vulneráveis.

"Os cálculos biliares também estão relacionados com o colesterol alto, pois muitas vezes são compostos pelo colesterol", explicou Bosetti.

"Portanto essa relação direta que descobrimos entre as pedras na vesícula e o câncer de próstata, apesar de ser insignificante estatisticamente, sugere um mecanismo biológico semelhante que pode explicar a ligação."

Bosetti afirmou ainda que existem indícios de que remédios usados para baixar o colesterol podem proteger contra o câncer de próstata.

Apesar disso, ela admite que estudos que investigam essa questão ainda são limitados e inconclusivos.

Dieta

Outros especialistas classificaram as descobertas dos cientistas italianos como plausíveis, mas questionam a teoria sobre o colesterol.

"Existem muitas evidências de que a dieta é um dos fatores para o desenvolvimento do câncer de próstata", afirmou Nick James, oncologista da Universidade de Birmingham, na Grã-Bretanha.

Ele cita como exemplo o fato de a doença ser mais comum em países do norte da Europa, onde o consumo de gordura animal é alto.

"Esta nova pesquisa traz uma mensagem positiva, ao sugerir que as próprias pessoas podem fazer algo para reduzir as chances de sofrerem desta doença que já está entre as principais responsáveis por mortes em homens", disse James.

Entretanto, o cientista britânico se diz pouco convencido pela idéia do papel fundamental atribuído aos hormônios masculinos.

Segundo ele, algumas das substâncias utilizadas para "quebrar" o colesterol são reconhecidamente cancerígenas.

Para Chris Hiley, da organização não-governamental Prostate Cancer Charity, ainda são necessários novos estudos.

"Enquanto isso, é importante que as pessoas se conscientizem quanto ao valor de uma dieta equilibrada e variada. Nós incentivamos os homens a cortar o consumo de alimentos gordurosos, além da carne vermelha, e a comer mais peixes, alimentos ricos em fibras, frutas e legumes", disse Hiley.

Gengibre pode combater câncer de ovário, diz estudo

da BBC.
O gengibre pode ajudar a combater o câncer de ovário, indicaram experiências feitas por cientistas da Universidade de Michigan, nos Estados Unidos.

Testes feitos em laboratório mostraram que a raiz pode matar células cancerígenas, de acordo com os resultados apresentados na Associação (americana) de Pesquisas sobre o Câncer.
Os pesquisadores usaram um pó de gengibre semelhante ao que é vendido em lojas de comida, dissolveram o produto em uma solução e a aplicaram em células de câncer de ovário. Embora digam que o gengibre matou as células cancerígenas em todos os testes, os próprios autores do estudo reconhecem que mais exames precisam ser realizados para comprovar o poder anticâncer da raiz.
"Suicídio" e autofagia
Cientistas britânicos também advertiram que, embora o estudo ofereça esperanças de que o gengibre seja usado no desenvolvimentos de drogas contra o câncer, ainda é cedo para concluir que o alimento possa de fato ajudar a combater a doença.

"Este estudo não significa que as pessoas devem baixar nos supermercados e estocar gengibre", disse o representante da ONG britânica Cancer Research UK Heney Scowcroft. Ainda assim, os pesquisadores americanos destacaram as vantagens de um possível tratamento à base de gengibre.
Segundo eles, não só o alimento não tem efeitos colaterais, como seria de fácil administração, possivelmente na forma de cápsulas.
Nos testes, os cientistas observaram que o gengibre levou as células a se "suicidarem" - o que é conhecido como apoptose - e à autofagia - uma espécie de canibalismo. Segundo os pesquisadores, a forma como o gengibre "mata" as células cancerígenas é especialmente encorajador.
"Se o gengibre pode causar morte autofágica além da apoptose, também pode restringir a resistência à quimioterapia convencional", disse a autora do relatório sobre o estudo Rebecca Liu.

A raiz já é conhecida por propriedades terapêuticas como a capacidade de aliviar náusea e controlar processos inflamatórios.