segunda-feira, 11 de maio de 2009
Big Food Is Copying Big Tobacco's Disinformation Tactics, How Many Will Die This Time?
The playbook is the same, but this time the the lies and misinformation could be disastrous for everyone -- children especially.
Increasingly, the question of what we eat and how it affects our health is a subject that is important not just to those concerned about nutrition but to environmentalists. Kelly D. Brownell, a psychologist who is director of the Rudd Center for Food Policy and Obesity at Yale University, has been a leading researcher into America's obesity epidemic and its links to the practices of the food industry. Author of the 2004 book, Food Fight, Brownell has recently become interested in the connections between obesity, the environment, and hunger, believing that sustainably growing and producing more nutritious foods can help solve each of these challenges.
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segunda-feira, 3 de novembro de 2008
Entre riscos e benefícios
O uso continuado de antidepressivos por crianças e adolescentes pode levar a alterações imprevisíveis na química e na estrutura cerebral. O tema preocupa autoridades de saúde e divide a opinião dos médicos
por Paul Raeburn
Em fevereiro de 2004, o corpo da universitária Traci Johnson, de 19 anos, foi encontrado no banheiro de uma clínica, preso por uma echarpe ao cano do chuveiro. O motivo pelo qual a jovem acabara com a própria vida era um mistério; a família e os amigos disseram que ela não apresentava sinais de depressão ou descontentamento. Semanas depois, porém, tornou-se suspeito o fato de Traci ter sido voluntária em um ensaio clínico de uma droga antidepressiva. Os pesquisadores da empresa Eli Lilly notaram, então, que outros quatro pacientes, que haviam recebido o mesmo medicamento em estudos clínicos semelhantes, também haviam se suicidado. Em outubro do mesmo ano, o FDA, departamento americano de controle de alimentos e medicamentos, determinou que as embalagens dos antidepressivos tivessem advertências, em tarja preta, sobre o risco de suicídio entre crianças e jovens tratados com esses fármacos.
A morte de Traci e a advertência do FDA chamaram atenção da opinião pública para a dificuldade de tratar a depressão em populações mais jovens tema sobre o qual muitos médicos ainda divergem. O psiquiatra Graham Emslie, do Centro Médico da Universidade do Texas em Dallas, foi um dos primeiros a usar, na década de 80, esse tipo de droga em crianças e adolescentes gravemente deprimidos que, segundo ele, corriam risco de vida. Na época, o Prozac havia acabado de ser lançado e estava se mostrando muito eficaz no tratamento de adultos. Apesar disso, ninguém sabia dos seus efeitos no cérebro em desenvolvimento.
Frustrados com a falta de alternativas, no entanto, Emslie e mais alguns psiquiatras começaram a prescrevê-los para uso pediátrico, na esperança de que os benefícios fossem maiores que os riscos, ainda que não existisse evidência alguma a favor dessa hipótese. Apesar das incógnitas, o uso de antidepressivos em crianças e adolescentes explodiu durante os anos 90. Segundo a farmacêutica Julie M. Zito, da Universidade de Maryland, cerca de 1,5 milhão de indivíduos menores de 18 anos estão sendo tratados com essas drogas nos Estados Unidos (ver quadro na pág. ao lado).
ALÍVIO INSTANTÂNEO
Pesquisas recentes sugerem, entretanto, que o suicídio é apenas um dos riscos potenciais do tratamento farmacológico da depressão. Há evidências de que o Prozac e outras drogas semelhantes podem interferir no processo de desenvolvimento e maturação do cérebro infantil. Embora os estudos não sejam conclusivos, alguns especialistas acreditam que nesses casos seja não propriamente um tratamento, mas a troca de um diagnóstico por outro. Muitas crianças que tomam esses medicamentos conseguem alívio de curto prazo para, mais tarde, desenvolverem outros problemas psíquicos.
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Paul Raeburn é jornalista e autor de Acquainted with the night (Broadway, 2004), sobre depressão e transtorno bipolar em crianças. - Tradução de Frances Jones
quarta-feira, 3 de setembro de 2008
Paradoxo nutricional
Por Alex Sander Alcântara
Agência FAPESP – O Brasil vive uma transição nutricional paradoxal. Um estudo publicado na revista Cadernos de Saúde Pública revela a prevalência crescente tanto de anemias como de obesidade no país. A pesquisa, que analisou trabalhos realizados nas últimas três décadas, aponta que essa tendência estaria associada a mudanças no consumo alimentar.
A pesquisa analisou 28 trabalhos publicados sobre anemia em crianças e mulheres em idade reprodutiva, considerando a representatividade estatística, padronização de técnicas laboratoriais e critérios recomendados pela Organização Mundial de Saúde (OMS). Para o estudo do sobrepeso e obesidade, o trabalho avaliou o Índice de Massa Corporal (IMC).
Participaram do trabalho pesquisadores do Departamento de Nutrição da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE), do Instituto Materno Infantil Professor Fernando Figueira (Imip) e do Centro de Pesquisas Aggeu Magalhães, unidade da Fundação Oswaldo Cruz em Recife.
De acordo com Malaquias Batista Filho, do Imip, o estudo procurou se afastar do paradigma usado na maior parte das pesquisas, cuja referência é o enfoque isolado dos diagnósticos, particularmente no caso das doenças nutricionais, que são analisadas como “entidades próprias e autônomas”.
“A idéia foi juntar os dados em uma série cronológica desde 1974 para verificar se eles apontavam alguma tendência. Há três estudos que foram feitos com a mesma população em momentos diferentes, por isso são mais adequados a análise de tendências temporais. Os resultados revelam que, a cada década em que o exame foi feito, a desnutrição regrediu e a obesidade evoluiu”, disse Batista Filho à Agência FAPESP.
Embora o país venha superando o problema da fome, a nova pesquisa aponta as anemias como um problema em ascensão. Um dos estudos anteriores feito no município de São Paulo, cujos dados foram utilizados, foi o caso mais representativo: a prevalência do problema das anemias aumentou de 22% para 46,9% nas duas últimas décadas, entre as crianças menores de 5 anos.
Os outros dois trabalhos se referem aos estados da Paraíba e de Pernambuco, cuja tendência é de aumento das anemias em 10% a cada dez anos.
Batista Filho, que também é professor aposentado do Departamento de Nutrição da UFPE, ressalta que o problema da anemia não é exclusivo dos países subdesenvolvidos. A Europa tinha, segundo ressaltou, 20 milhões de pessoas anêmicas há uma década.
“Trata-se de um problema que foi progredindo na surdina, sem muitas denúncias. Hoje existem estimativas de que dois terços da população mundial podem ter anemia. Houve redução nas formas mais graves, mas houve ampliação em relação às formas leves e moderadas de anemia”, acrescentou.
Leite demais
Segundo Batista Filho, uma certa mitificação do leite na alimentação humana tem relação com o avanço da anemia. “O leite é muito importante na alimentação, mas ainda assim não pode ser considerado um alimento que necessariamente deve fazer parte da dieta para que exista condição para saúde normal. Ele não é rico em ferro e inibe o aproveitamento de ferro de outros alimentos. No estudo feito em São Paulo, verifica-se que, em grande parte, o leite está sendo co-responsável pela ocorrência de anemia em crianças”, disse.
As grandes mudanças na situação nutricional da população adulta resultaram, segundo a nova pesquisa, em um aumento do sobrepeso e obesidade. Em relação à evolução do estado nutricional, segundo o IMC, foi identificado um declínio no baixo peso e uma estabilização em níveis aceitáveis a partir de 1989, enquanto a obesidade triplicou em homens, elevando-se de 2,8% para 8,8%.
Entre as mulheres, a ocorrência de obesidade, que, inicialmente, era três vezes maior do que em homens, manteve-se praticamente estável em torno de 13% nas avaliações efetuadas em 1989 e 2003. No mesmo período, a prevalência de normalidade antropométrica, que era de 71,4% entre os homens em 1974, caiu para 47,4% na última avaliação. Entre as mulheres, a prevalência da normalidade antropométrica, segundo o IMC, declinou de 53,4% para 42,7%.
De acordo com Batista Filho, o novo paradigma nutricional gera a necessidade de se avançar para além dos problemas relacionados à fome. “Agora temos que pensar nos aspectos qualitativos da alimentação e não simplesmente compensá-la com calorias. Alimentação saudável não se reduz ao problema da fome, mas tem relação com vários outros aspectos nutricionais e de saúde.”
“Temos de retirar um pouco do centro da discussão a questão da fome em si, e colocar agora um tema bem mais amplo, que seria o da alimentação saudável para todos os ciclos de vida. Hoje, inclusive, se percebe que quando estamos cuidando da alimentação da criança estamos cuidando do escolar, da gestante, do trabalhador e das populações idosas do futuro”, reforçou.
Para ler o artigo Anemia e obesidade: um paradoxo da transição nutricional brasileira, de Malaquias Batista Filho e outros, disponível na biblioteca on-line SciELO (Bireme/FAPESP), clique aqui.sexta-feira, 15 de agosto de 2008
Cresce o número de diagnósticos de câncer de mama em mulheres com menos de 40 anos
A doença é a principal causa mundial de morte por câncer da população feminina entre 39 e 58 anos de idade e, no Brasil, estima-se que mais de 40 mil novos casos sejam diagnosticados neste ano. Embora não substitua as visitas ao médico, o maior aliado das mulheres é o auto-exame, responsável por detectar cerca de 75% dos casos. As chances de cura são de 90% quando a doença é detectada no início (tumores de 2 cm, em média). A inspeção visual e a palpação de cada mama pela própria mulher devem ser realizadas geralmente do 7º ao 10º dia após o início da menstruação.
A especialista em Radiologia do Lavoisier Medicina Diagnóstica/ DASA Maria Helena Louveira, lembra que, no caso de jovens, não é indicada a mamografia sem recomendação profissional. Temos que lembrar que este exame inclui a emissão de radiação ionizante. Quando aplicada de forma excessiva, ela pode ser nociva à saúde. Por isso, não devemos antecipar a inclusão da mamografia caso a paciente não tenha histórico familiar ou alterações genéticas que o justifiquem , ressalta.
A mamografia deve ser realizada entre 35 e 40 anos de idade e se submeter e ser repetida anualmente a partir dos 40 anos. Os principais sinais do tumor são o aparecimento de nódulo palpável nos seios ou de ínguas nas axilas, modificações na forma e tamanho das mamas, saída de secreção escura ou com sangue pelo mamilo e modificações na pele, na aréola mamária ou no mamilo. Nem todos os nódulos palpáveis na mama representam um tumor maligno. Também existem as alterações benignas, como os cistos e os fibroadenomas, que podem ser percebidos ao toque e têm evolução favorável , finaliza Maria Helena Loureira.
segunda-feira, 11 de agosto de 2008
Resistência à insulina
Por Alex Sander Alcântara
Agência FAPESP – Um estudo realizado com adolescentes obesos demonstrou a relação entre distribuição da gordura corporal e resistência à insulina, distúrbio que foi verificado em 57,1% dos participantes.
A resistência à insulina é uma desordem metabólica que pode aumentar o risco de doenças crônicas. Segundo os pesquisadores, a gordura do tronco foi significativamente associada com o problema, demonstrando a importância clínica da obesidade abdominal durante a adolescência. O trabalho encontrou também valores elevados de insulina em 40,2% dos adolescentes pós-púberes.
"Os resultados obtidos reforçam a importância do controle de peso para a saúde dos adolescentes tendo em vista as complicações metabólicas apresentadas e o aumento no risco de doenças e agravos não transmissíveis, como diabetes tipo 2, hipertensão e doenças cardiovasculares", disse a primeira autora do estudo, Luana Caroline dos Santos, professora adjunta de Nutrição da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), à Agência FAPESP.
O trabalho foi publicado na revista São Paulo Medical Journal, tendo como outros autores os professores Isa de Pádua Cintra e Mauro Fisberg, da Universidade Federal de São Paulo, e Lígia Araújo Martini, da Faculdade de Saúde Pública da Universidade de São Paulo (FSP-USP).
Participaram da pesquisa, resultado da tese de doutorado defendida por Luana na FSP-USP, 49 adolescentes obesos – 12 meninos e 37 meninas – com média de idade de 16,6 anos e média de índice de massa corpórea (IMC) de 35 kg/m². Ficaram de fora jovens com doenças crônicas, que tomassem medicamentos alteradores de peso, glicose e do metabolismo lipídico ou que apresentassem peso acima de 120 quilos.
Segundo o estudo, os resultados permitem relacionar o acúmulo de gordura, sobretudo aquele localizado na região central, com a resistência à insulina.
"Identificamos que a obesidade, mesmo em idades precoces, altera o controle metabólico do organismo e aumenta a possibilidade de desordens como a resistência à insulina", disse Luana, ao destacar que a população de estudo se constituía de adolescentes clinicamente saudáveis e que apresentava excesso de peso ainda sem tratamento.
Mudanças alimentares
De acordo com Lígia Martini, orientadora da pesquisa, a resistência à insulina que acomete os adolescentes é similar à verificada em adultos, inclusive com elevação do risco de ocorrência de diabetes tipo 2, hipertensão e doenças cardiovasculares.
"O problema é mais fácil de ser tratado quanto mais precocemente for verificado e envolve mudança de modos de vida, incluindo a prática de atividade física, e a adoção de uma dieta equilibrada para redução e controle do peso. Em alguns casos, pode ser necessária a inserção concomitante de terapia medicamentosa", disse a professora do Departamento de Nutrição da FSP-USP.
Segundo ela, o aumento da ocorrência da resistência à insulina verificado nas últimas décadas se deve à chamada transição epidemiológica, caracterizada pelo aumento nas taxas de mortalidade específica por doenças transmissíveis e pela redução das não transmissíveis, por mudanças de hábitos alimentares e pelo aumento da obesidade. Além disso, pesou também o acelerado envelhecimento da população e a rápida difusão de hábitos e comportamentos, atribuída ao processo de globalização.
"A mudança dos hábitos alimentares verificada na população brasileira certamente representa o fator de maior impacto nesse quadro, associado ao aumento da inatividade física. Os fatores genéticos também são importantes, mas são responsáveis por menos de 10% dos casos de resistência à insulina", afirmou.
Gorduras localizadas
O estudo avaliou a composição corporal de gordura e músculos. Para medir o consumo de alimentos, os participantes anotaram por três dias não consecutivos os alimentos consumidos, incluindo líquidos e suplementos alimentares. A resistência à insulina foi calculada pelo índice Homa-IR (Homeostasis Model Assessment of Insulin Resistance).
"Essa metodologia foi escolhida considerando os objetivos propostos para o estudo. As limitações eram pequenas, como incapacidade de avaliação de indivíduos com peso superior a 120 quilos ou o esquecimento da anotação de algum alimento no registro alimentar para avaliação do consumo alimentar", explicou Luana.
O maior número de meninas se deveu a maior resposta aos anúncios de divulgação do trabalho. "A obesidade no sexo feminino se caracteriza freqüentemente pela maior deposição de gordura na região glúteo-femural (gordura ginóide), enquanto no sexo masculino a deposição ocorre comumente na região abdominal (gordura andróide). A localização da obesidade na região abdominal está mais relacionada à ocorrência de desordens lipídicas, hipertensão, diabetes e aumento do risco cardiovascular", disse.
Segundo a autora, o estudo prosseguiu com o atendimento interdisciplinar dos adolescentes no Centro de Atendimento e Apoio ao Adolescente da Unifesp por dez meses, quando se verificou redução significativa da resistência à insulina. Mas os novos dados ainda não foram publicados.
Para ler o artigo Body trunk fat and insulin resistance in post-pubertal obese adolescents, disponível na biblioteca on-line SciELO (Bireme/FAPESP), clique aqui.segunda-feira, 28 de julho de 2008
sexta-feira, 18 de julho de 2008
quarta-feira, 16 de julho de 2008
Justiça proíbe agência de avaliar agrotóxico
Quem ler o texto "Agricultura limpa" aqui no blog do chicão vai saber de uma boa medida ecológica do nosso país. Lá no texto eu expliquei que a lei foi conquistada a duras penas e muita luta dos movimentos ecológicos e movimentos ligados à saúde.Recebi alguns emails indignados.
Me chamando de esquerdista (um elogio para mim), comunista, etc.Hoje saiu esta reportagem na folha de São Paulo, leiam com atenção. É muito importante, porque é a comida que você come e dá para seus filhos."Trabalho da Anvisa verificava a segurança das substâncias de 99 agrotóxicos, muitos deles usados em excesso no país.
Decisão ocorreu após ação do sindicato das indústrias de defensivos agrícolas (OBSERVEM NO NOME, MUDARAM PARA QUE OS AGROTÓXICOS PARECESSEM MAIS "BONZINHOS")Procuradoria Geral da República vai recorrer.Liminar concedida pela Justiça Federal suspendeu o programa de reavaliação toxicológica de agrotóxicos comercializados no país, feito pela Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária).
O trabalho iria avaliar, neste ano, ingredientes que compõem 99 agrotóxicos usados em várias culturas. Muitos desses agrotóxicos são usados EM EXCESSO.
Análise feita pela Anvisa em 2007 mostrou que 40% do tomate e do morango vendidos em supermercados tinham agrotóxicos acima do recomendável. A decisão, do juiz Waldemar Claudio de Carvalho, da 13ª Vara Federal do Distrito Federal, decorreu de um mandado de segurança ingressado pelo Sindag (sindicato das indústrias de defensivos agrícolas), que alega falta de transparência da Anvisa. A Procuradoria Geral da República vai recorrer.
Desde 2001, o programa da Anvisa proibiu o uso de cinco ingredientes ativos, responsáveis pela fabricação de mais de 80 agrotóxicos, e restringiu a utilização de outros quatro, presentes em 60 marcas. Na prática, a decisão judicial proíbe que a Anvisa suspenda ou restrinja a venda de produtos que contenham nove substâncias -metamidofós, fosmete, tiran, triclorfom, parationa metílica, carbofurano, forato, endossulfam e paraquate- amplamente usadas em culturas como da batata e do tomate.
Seis desses ingredientes -triclorfom, parationa metílica, carbofurano, forato, endossulfam e paraquate- estão PROIBIDOS pela União Européia.
Já o tiran teve o REGISTRO CANCELADO VOLUNTARIAMENTE pela fabricante nos EUA.O metamidofós tem USO RESTRITO nos EUA e na União Européia e foi PROIBIDO na China e na Índia.
Segundo a Anvisa, nos últimos meses, vários fabricantes de agrotóxicos ingressaram com ações judiciais solicitando que NÃO SEJAM PUBLICADOS OS RESULTADOS DAS REAVALIAÇÕES. Argumentam desde a inobservância do processo legal até o direito de imagem das empresas.
Para a toxicologista Rosany Bochner, da Fiocruz, a decisão representa um retrocesso para o país. A Fiocruz é parceira da Anvisa no trabalho de reavaliação dos agrotóxicos. "O BRASIL ESTÁ VIRANDO UM GRANDE DEPÓSITO DE PORCARIAS. Os agrotóxicos que as empresas não conseguem vender lá fora, que têm indicativo de problemas, são empurrados para a gente.
"Segundo ela, é papel da Anvisa avaliar o uso dos agrotóxicos e suspendê-los ou restringi-los diante de evidências científicas. Ela diz que, em 2006, ao menos 5.873 pessoas foram intoxicadas por agrotóxicos."Se a ciência descobre que determinados ingredientes de agrotóxicos são nocivos à saúde -seja de quem consome, seja de quem trabalha com eles-, você não pode reavaliá-los por força de liminar?", questiona Sandra Cureau, subprocuradora-geral da República.
domingo, 29 de junho de 2008
EUA registram três milhões de casos de diabetes a mais nos últimos anos
da France Presse, em Washington
Vinte e quatro milhões de americanos sofrem de diabetes, um aumento superior a três milhões apenas nos últimos dois anos, segundo cifras do governo dos Estados Unidos.
A informação, publicada pelos CDC (Centros para o Controle de Enfermidades e Prevenção), mostra que cerca de 8% da população americana tem a temida doença, associada a altos níveis de glucose no sangue e que pode levar a problemas cardíacos, cegueira, falha nos rins e amputações de membros.
Calcula-se que cerca de 57 milhões de pessoas têm "pré-diabetes" e enfrentam um alto risco de padecer da doença.
Segundo a pesquisa, o número de pessoas entrevistadas que ignorava ter a doença diminuiu 30% em comparação a 2005.
A diabetes é a sétima causa de morte nos Estados Unidos, e cobra mais de 200.000 vidas por ano.
segunda-feira, 23 de junho de 2008
Soja mata: Carne de pastagens naturais é mais saudável, artigo de Norbert Suchanek
Junho 21, 2008
[EcoDebate] O governo Lula, o Ministro do Agricultura, o Ministro do Meio Ambiente e os sucroalcoleiros, na questão de biocombostíveis, sempre argumentam que nós temos dezenas de milhões de hectares de pastagem para o aumento da produção de biocombustíveis. E que isso não vai afetar o preço do carne nem o preço do leite ou do queijo, porque no mesmo momento o Brasil vai intensificar a produção de carne e leite. O que significa isso? Nada mais e nada menos do que aconteceu de certa forma na Europa, 30 anos atrás.
Boi e vaca não puderam mais comer comida natural em um ambiente natural. Grandes estábulos com ar condicionado foram construídos para engordar os animais, com comida artificial, numa grande quantidade importada do Brasil: a soja! Na realidade, os animais nestas instituições de engorda são torturados e transformados de um consumidor de grama natural numa criatura industrializada, que transformou no seu corpo a soja em carne e leite.
Isso criou dois resultados: No Brasil, a destruição de grande parte do Cerrado por causa da produção da soja, inclusive o avanço dos produtores de soja até a floresta amazônica; e na Europa o aumento das doenças civilizatórias, conectadas com a gordura dos animais como doenças cardíacas e câncer - as principais causas de morte no mundo hoje.
Mas, já antes de 2005, para os cientistas e médicos internacionais foi muito claro. Porque a gordura de um animal, que come soja o outros grãos, faz mal para a saúde. A palavra chave é “ômega-3″. Os ácidos graxos ômega-3 são os ácidos eicosapentaenóico (EPA) e docosahexaenóico (DHA) que ajudam o corpo humano em defesa de doenças civilizatórias. Eles diminuem a pressão alta do sangue, diminuem o crescimento de tumores, diminuem a inflamação dos intestinos e diminuem reações alérgicas.
Mas estes ácidos de ômega-3, que todo mundo sabe ter em grande quantidade nos peixes dos mares frios, existem também na grama das pastagens. Por isso, a carne do boi e o leite da vaca, gerados por animais que comem a comida natural das pastagens, têm também uma grande quantidade de ômega-3. Dois terços da gordura da grama da pastagem são os bons ômega-3.
Mas as carnes, os ovos e os laticínios da produção industrial à base de milho e soja quase não têm nada de ômega-3. Ao contrário, animais que comem esses grãos desenvolvem uma grande quantidade de uma outra gordura ácida com o nome de ômega-6. Isso criou uma relação entre ômega-3 e ômega-6 a-natural que faz mal para a saúde humana.
Então, o projeto atual dos empresários e lideranças do Brasil, como Blairo Maggi, é copiar este erro que os europeus e norte-americanos fizeram 30 anos atrás. O aumento da produção de carne e leite à base de soja, aqui no Brasil, vai resultar em um aumento das doenças civilizatórias na população brasileira. E não vai salvar os biomas ameaçados pelo agrobusiness. Porque a produção intensiva de carne e de leite depende de dois produtos agroindustriais, a soja e o milho, que a cada ano destroem cada vez mais os biomas do sul, do leste e do centro do Brasil.
O meu pensamento é: Deixem as animais nas pastagens! E andem menos de carro. Isso é muito mais saudável para nós como seres humanos e para a ecologia em geral. A substituição de pastagens com cana-de-açúcar e soja, ou como na região das Pampas no Sul do país com eucaliptos, é o problema e não a solução!
Norbert Suchanek, Rio de Janeiro.
Correspondente e Jornalista de Ciência e Ecologia, colaborador e articulista do EcoDebate.
sexta-feira, 30 de maio de 2008
quinta-feira, 17 de abril de 2008
Drama mortal
Por Carlos Fioravanti
Pesquisa FAPESP – No mês passado ganharam o mundo dois estudos que mostram quão dramático é o quadro de uma das doenças mais temidas da humanidade, a tuberculose. Um deles descreve uma nova linhagem da principal espécie de bactéria causadora de tuberculose, o bacilo Mycobacterium tuberculosis, que apresenta uma perda do genoma uma vez e meia maior que a maior perda já encontrada em qualquer outra das seis espécies do gênero Mycobacterium que causam tuberculose.
Mesmo assim sobreviveu, reforçou a capacidade de escapar das células de defesa do organismo e se tornou a responsável por um em cada três casos de tuberculose registrados no Rio de Janeiro. A infecção por essa linhagem, chamada de RD-Rio por ter sido descoberta lá, está associada com emagrecimento mais intenso, mais escarro de sangue e mais perfurações no pulmão.
O outro trabalho, com laboratórios de nove países, mostra que essa linhagem predomina sobre centenas de outras nos Estados Unidos, na América Central e na África. Este mês deve sair um terceiro artigo mostrando que essa mesma variedade causa um terço da tuberculose registrada também em Belo Horizonte.
“Nossa hipótese é que essa linhagem pode passar despercebida e se espalhar mais facilmente por ter perdido parte dos genes que levam à produção de proteínas que a denunciariam ao organismo hospedeiro, mas aparentemente não apresenta mais resistência do que as outras ao tratamento com antibióticos”, diz Luiz Cláudio Lazzarini de Oliveira, professor da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), que voltou ao Brasil no mês passado após três anos na Universidade Cornell, Estados Unidos.
Esses estudos, de que ele participou, exibem não só um dos mecanismos pelos quais a bactéria da tuberculose sobrevive e ganha vigor, mas também o desamparo diante de uma doença que, quando não mata logo, torna a vida uma sucessão de angústias e dores regidas pela sombra da morte, como o poeta pernambucano Manuel Bandeira retratou nas cartas e nos poemas que ilustram esta reportagem. O Mycobacterium tuberculosis instala-se nos pulmões de 9 milhões de pessoas a cada ano no mundo e mata um indivíduo a cada 15 segundos.
Clique aqui para ler o texto completo na edição de março de Pesquisa FAPESP.
terça-feira, 18 de março de 2008
Dieta de risco
Agência FAPESP – Uma pesquisa feita na Faculdade de Saúde Pública da Universidade de São Paulo (USP) põe em evidência importantes mudanças no padrão de consumo alimentar paulistano. Os resultados atestam que, nas últimas três décadas do século 20, houve um declínio no consumo de alimentos básicos, como cereais e derivados, e de frutas e hortaliças, ao passo que se verificou um aumento da participação de alimentos de baixo teor nutricional, como biscoitos e refrigerantes.
O estudo analisou a disponibilidade de alimentos em domicílios da cidade de São Paulo, e não o consumo propriamente dito. Foram utilizados dados das Pesquisas de Orçamento Familiar (POF), realizadas pela Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas da USP (Fipe) em dois períodos distintos: de 1971 a 1972 e de 1998 a 1999. Ambas as pesquisas mapearam a região urbana do município. As amostras das POF se referem a um universo de 2.380 domicílios (10.418 indivíduos) e de 2.351 domicílios (7.980 indivíduos), respectivamente.
“As mudanças verificadas na disponibilidade domiciliar de alimentos em São Paulo entre as décadas de 1970 e 1990 têm aspectos positivos – como um melhor acesso aos alimentos e seu barateamento em relação ao salário das famílias – e negativos – como o consumo excessivo e desbalanceado de calorias ”, disse à Agência FAPESP Rafael Moreira Claro, doutorando na Faculdade de Saúde Pública da USP e um dos autores do estudo, cujos resultados foram publicados em artigo na Revista de Nutrição.
De acordo com o pesquisador, na prática se pode fazer uma associação entre o padrão de alimentação e as doenças de determinada população. “O que se viu, desde a última metade do século 20, foi uma gradativa substituição dos problemas associados ao consumo insuficiente de alimentos, como a desnutrição, por aqueles associados ao consumo excessivo e desbalanceado, como a obesidade e as doenças cardiovasculares”, explicou.
O amplo período compreendido entre as POF possibilitou confirmar tendências de alimentação, como a substituição do consumo de manteiga por margarina, bem como a expansão na disponibilidade de alimentos processados, que registraram aumento de 500% para doces, 300% para refrigerantes e de 400% para biscoitos, itens muito menos comuns nos mercados na década de 1970.
O estudo constatou ainda um aumento na disponibilidade de alimentos de origem animal, como carnes e leite. “Apesar de a tendência apresentar características positivas devido ao aumento no consumo de proteínas e de cálcio, tais alimentos também constituem fontes de gordura animal e de colesterol, nutrientes danosos à saúde quando consumidos em quantidade excessiva”, disse Moreira Claro.
O resultado é semelhante ao encontrado em diferentes áreas metropolitanas no Brasil, mas São Paulo apresentou, segundo o estudo, maior participação de gorduras totais e menor percentual energético de carboidratos. O fenômeno, contudo, não ocorre somente em metrópoles como São Paulo e Nova York, onde os índices de obesidade provocados pelo excesso de alimentos se tornaram um grave problema de saúde pública.
“A grande confusão se dá pelo fato de esse fenômeno se iniciar nas grandes cidades, onde há necessidade de alimentos mais convenientes (de preparo e consumo fáceis e rápidos) e o marketing de consumo sobre alimentos processados é maior. Além disso, as oportunidades para prática de atividade física são cada vez mais limitadas. No entanto, a tendência é que, com o tempo, essas mudanças afetem também o estilo de vida em cidades menores e elas passem a apresentar altas taxas de obesidade”, indicou o pesquisador.
Informação nutricional
De acordo com os resultados, a participação do ferro se manteve estável devido, em grande parte, ao aumento do consumo de alimentos de origem animal, como a carne bovina. Contudo, o estudo aponta um decréscimo na quantidade de vitaminas, principalmente a vitamina C, e folato, ausência atribuída à diminuição na participação de frutas, verduras e legumes na dieta.
Para Moreira Claro, a análise da evolução dos padrões alimentares da população propicia subsídios para melhor compreender o assunto e implementar políticas públicas mais eficazes. Segundo ele, ações individualizadas para combater as doenças geradas pela obesidade parecem surtir pequeno efeito. Imposição de taxas a alimentos não saudáveis ou ainda isenções fiscais que barateiem alimentos saudáveis são algumas das opções discutidas.
“Medidas como a proibição da venda de alimentos não saudáveis em creches e escolas, avanços quanto à rotulagem de alimentos e a inserção de temas relacionados à educação nutricional nas escolas têm se mostrado satisfatórios. Iniciativas como a Lei nº 4508, aprovada em 2005 e que proíbe a comercialização de produtos que colaborem para obesidade infantil em cantinas de escolas do Estado do Rio de Janeiro, e a Resolução RDC nº 360, de 2003, que aprova regulamento técnico sobre rotulagem nutricional de alimentos embalados tornando obrigatória a rotulagem nutricional, são bons exemplos de ações que afetam um grande número de indivíduos”, destacou.
Para ler o artigo Evolução da disponibilidade domiciliar de alimentos no município de São Paulo no período de 1971 a 1999, disponível na biblioteca on-line SciELO (Bireme/FAPESP), clique aqui.
terça-feira, 18 de dezembro de 2007
Buraco negro
Agência FAPESP – Um novo relatório da Sociedade Norte-Americana do Câncer, divulgado nesta segunda-feira (17/12), traz estimativas sombrias. De acordo com o levantamento, os diversos tipos de câncer serão responsáveis pelas mortes de 7,6 milhões de pessoas este ano, ou cerca de 20 mil por dia.
Além disso, 2007 terá mais de 12 milhões de novos casos da doença. Os números são da primeira edição da Global Cancer Facts & Figures, mais recente publicação da entidade. As projeções são baseadas em dados de incidência e mortalidade da base da dados Globocan 2002, compilada pela Agência Internacional para Pesquisa em Câncer (Iarc).
O relatório estima que, do total de óbitos, 2,9 milhões ocorrerão em países desenvolvidos, contra 4,7 milhões em nações em desenvolvimento. As regiões mais pobres responderão por 6,7 milhões dos novos casos, ou 55,8% do total.
De acordo com o documento, em países economicamente desenvolvidos os três tipos mais comuns de câncer em homens são, pela ordem, de próstata, pulmão e colorretal. Em mulheres, os tipos são de mama, colorretal e de pulmão.
Nas economias em desenvolvimento, os tipos mais comuns em homens são de pulmão, estômago e fígado. Em mulheres, são: mama, colo do útero e estômago. O relatório destaca que nessas regiões dois dos três tipos da doença em homens (estômago e fígado) e em mulheres (colo do útero e estômago) estão relacionadas com infecções.
Em todo o mundo, cerca de 15% de todas as mortes por câncer estão ligadas a infecções, sendo que o percentual é mais de três vezes maior nos países em desenvolvimento (26% contra 8% nos mais ricos).
“O fardo do câncer está aumentando nos países em desenvolvimento, à medida que diminuem as mortes por doenças infecciosas e a mortalidade infantil. Um número crescente de pessoas vive até idades mais avançadas, quando o câncer costuma ocorrer com maior freqüência”, disse Ahmedin Jemal, epidemiologista da Sociedade Norte-Americana do Câncer e um dos autores do trabalho.
“O peso da doença também aumenta à medida que populações nos países em desenvolvimento adotam estilos de vida dos mais ricos, como uso de cigarros, maior consumo de gordura saturada, alimentos com alta densidade calórica e redução nas atividades físicas”, destacou.
A pesquisa destaca que as taxas de sobrevivência para muitos tipos de câncer são inferiores em economias em desenvolvimento principalmente por causa da pouca disponibilidade de serviços de diagnóstico precoce e de tratamento.
O relatório traz uma seção especial sobre a epidemia do tabagismo. Em 2000, 5 milhões de pessoas teriam morrido em todo o mundo em decorrência do hábito de fumar. Do total, cerca de 30% resultaram do câncer, dos quais 850 mil apenas do pulmão.
Os pesquisadores estimam que o tabaco tenha sido responsável por 100 milhões de mortes em todo o mundo no século 20. O cenário tende a piorar de forma sem precedentes, com a estimativa de que no século 21 o total de mortes pela mesma causa poderá chegar a 1 bilhão – a maior parte nos países mais pobres. O relatório alerta para que o problema seja encarado como uma das maiores prioridades das políticas públicas em saúde.
Segundo a Organização Mundial de Saúde, 84% dos estimados 1,3 bilhão de fumantes no planeta vivem em países em desenvolvimento. Apenas na China são 350 milhões, o que é mais do que a população dos Estados Unidos (cerca de 302 milhões).
quarta-feira, 12 de dezembro de 2007
The Health Industry's Secret History of Delaying the Fight Against Cancer
In her new book, Devra Davis exposes scientists and government officials who have worked to downplay or dismiss preventable causes of cancer.
What is the relationship between the mass production of synthetic chemicals, workplace chemical exposure, environmental pollution and rising cancer rates in the 20th and 21st centuries? In her new book, The Secret History of the War on Cancer, Devra Davis, director of the Center for Environmental Oncology at the University of Pittsburgh Cancer Institute, argues not only are there links between these developments, but the industries responsible for producing these chemicals and wastes have long been well aware of these connections and have sought, with much success, to downplay or dismiss them. As a result, industry has altered the very terms of the public and medical discussion of cancer, resulting in an overwhelming emphasis on cure rather than prevention. This approach has been far better for the industrial status quo rather than for the public health; the increase in cancer is not an artifact of improved diagnoses or the aging of the population.
Davis' book is a call for a fundamental shift in how we think about cancer in the early 21st century. The narrative proceeds as a series of almost freestanding essays. Topics range from the Nazi fight against cancer -- Hitler's scientists were among the first to connect smoking and carcinoma of the lung -- to the transformation of WWI mustard gas bombs into chemotherapy; the relationship between exposure to laboratory chemicals and cancer in medical researchers; the still-shocking history of the American tobacco industry; cancer in industrial workers and the ineffectiveness of safety regulations; genetic damage caused by Ritalin that can then lead to cancer; tumors caused by Aspartame; the very mixed track record of the mammogram; and the link between cancer and environmental hormones, asbestos, hair spray and cell phones (yes, they do seem to cause brain tumors in heavy users). In every case, scientific research into health effects is fundamentally intertwined with corporate interests.
Davis tells us that her book took 20 years to write, in part because she was told that she would lose her job at the National Academy of Sciences when she first proposed the project in 1986. In those 20 years, important works have been published on many of her topics, such as Robert Proctor's The Nazi War on Cancer and Allan Brandt's The Cigarette Century. Davis' work is different, however, in that it brings a cancer epidemiologist's eyewitness account into the story. She has composed her book as a memoir as well as a history, and she relates numerous personal conversations with colleagues over the years as well as the story of her parents' and a close friend's deaths from cancer.
Davis' narrative is compelling. The "war on cancer" announced by Richard Nixon in 1971, she writes, was a colossal misdirection. By 1971, senior researchers around the world already had known for decades that "smoking, sunlight, industrial chemicals, hormones, bad nutrition, alcoho and bum luck all affect the chance we will get cancer." Yet from the start, industry blocked the examination of these known causes and instead poured resources into finding a cure. But after 40 years and $69 billion poured into this war, "it is still easier for people to become cancer statistics than to understand them." We now spend $100 billion on cancer treatments in a single year, yet when it comes to prevention, we have been mostly standing in place.
The problem for those who want to change course in how we think about cancer is that industry misdirection is now so well-established that it is has become fact: It is almost impossible to examine the long-term health effects of any industrial substance without relying in part on research conducted by industry itself. Likewise, discussion of environmental hazards in the popular media continues to be infected by skepticism and politicization -- most of which is not warranted by the scientific evidence but has been deliberately crafted and inserted into public discourse by masters of public relations like Edward Bernays, beginning more than 60 years ago. Finding an expert without baggage is a difficult task; many major 20th century cancer researchers have ended up working for industry, including the revered Sir Richard Doll, the British epidemiologist who in the 1950s proved that cigarette smoking causes cancer. The American Cancer Society was stocked with industry heads and paid-off scientists almost from the start.
Finally, because bodily contamination with hundreds of synthetic industrial chemicals is ubiquitous -- everyone from newborn babies in Iowa to grandfathers in Nepal now lives with a cocktail of pesticides, heavy metals, PCBs and plastics in their bodies -- it is basically impossible to find an uncontaminated control group, in man or beast, to study their effects. This means that using current epidemiological techniques, which rely on the comparison of large groups, it is almost no longer possible to determine the health effects of environmental and workplace pollutants.
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segunda-feira, 10 de dezembro de 2007
Risco ignorado
Por Washington Castilhos, do Rio de Janeiro
Agência FAPESP – Responsável por 8 milhões de mortes anuais, o câncer mata mais do que malária, tuberculose e Aids juntas – doenças responsáveis por 6,5 milhões de mortes no mundo anualmente. Em 2030, o índice de mortalidade do câncer poderá chegar a 17 milhões, de acordo com previsões de organizações internacionais, as quais alertam: em breve, 80% dos óbitos ocorrerão nos países em desenvolvimento.
“Não é verdade que o câncer é uma doença de países ricos e desenvolvidos”, criticou Franco Cavalli, presidente da União Internacional (UICC) contra o Câncer, que destacou o desafio em relação ao controle da doença e aos fatores de risco.
Mas, segundo ele, depois do investimento nas campanhas antitabagismo (e de seu relativo sucesso), o próximo passo é combater a obesidade. “Já temos conseguido convencer as pessoas a parar de fumar e a lutar contra as doenças infecciosas, mas lidar com o problema da obesidade ainda é uma tarefa difícil”, disse o pesquisador suíço no 2º Congresso Internacional de Controle do Câncer, realizado no fim de novembro no Rio de Janeiro.
“Convencer alguém a mudar seu hábito alimentar é bem diferente de convencer a tomar uma vacina”, ressaltou o alemão Andreas Ullrich, coordenador da Organização Mundial de Saúde (OMS).
Os dois especialistas concordam que bons hábitos se adquirem na infância. “Trabalhar a questão na fase adulta é difícil. As lições de uma boa dieta deveriam ser dadas na escola, com as crianças aprendendo sobre as vantagens de comer verduras, legumes e frutas e sendo estimuladas a praticar esportes”, afirmou Ullrich, que coordena o Plano de Ação Global contra o Câncer, iniciativa da OMS.
Iniciado em 2005, o plano define sete ações específicas: a primeira delas é colocar o câncer na agenda de saúde mundial. “Diferentemente da Aids, o termo câncer contempla muitas doenças, há muitas neoplasias e fatores. A situação ainda não está sob controle”, avaliou Cavalli.
Outra ação do plano de enfrentamento da doença da OMS é convencer os governos a desenvolver planos e projetos de âmbito nacionais. Segundo Ullrich, o escritório da OMS no Brasil está em negociação com o governo federal em relação à implantação do plano no Brasil.
“Nosso objetivo é criar especialistas internacionais e um banco de dados, assim como desenvolver uma agenda de pesquisas sobre o câncer, formando uma rede mundial”, explicou.
Cavalli ressaltou a importância de instituições como a União Internacional contra o Câncer, organismo que funciona em Genebra e fomenta novos estudos sobre a doença. A instituição financia atualmente 26 projetos de pediatria oncológica no mundo.
Na América Latina estão em curso quatro projetos de Honduras, dois do Peru, um da Bolívia e dois da Venezuela. Propostas para apoio a pesquisas podem ser requeridas pelo site da UICC, em www.uicc.org.
sexta-feira, 30 de novembro de 2007
Pobres que morrem como ricos
Especialistas em saúde alertam que as mortes por ataques cardíacos, derrames cerebrais e diabete, causadas por doenças crônicas não infecciosas, acabam com mais do dobro de vidas do que outras que são infecciosas, com Aids, malária ou tuberculose. Nos próximos 10 anos, cerca de 388 milhões de pessoas morrerão por causa destas doenças que podem ser prevenidas, provocadas fundamentalmente pelo hábito de fumar, uma dieta ruim e falta de exercício físico. Embora sejam considerada com freqüência “doenças de ricos”, a maioria destas mortes ocorreram em países pobres, segundo os autores de um artigo publicado na última edição da revista científica Nature.
“Enfrentamos uma crise sobre a qual poucos políticos e funcionários governamentais estão ao par”, alertou o principal autor do estudo, Abdallah S. Daar, do não-governamental Centor McLaughlin-Rotman de Toronto. Os países em desenvolvimento e as organizações de ajuda sanitária se concentram quase exclusivamente nas doenças infecciosas. “Mas isto equivale a apagar um fogo em um prédio em chamas desde o térreo até a cobertura”, disse Daar as IPS. A boa notícia é que existe uma solução fácil para prevenir estas enfermidades não transmissíveis.
“Com uma ação concertada podemos evitar, pelo menos, 36 milhões de mortes prematuras até 2015. Alguns destes falecimentos serão de pessoas com menos de 70 anos”, diz o artigo da Nature. O habito de fumar é a causa que pode ser combatida da maneira mais simples e o lugar óbvio para começar a agir, acrescenta. As mortes relacionadas com o tabaco chegam a cinco milhões de pessoas ao ano e estima-se que chegarão a 10 milhões até 2030, com a maior parte dos casos no Sul em desenvolvimento, informou a Fundação Mundial do Pulmão. Em comparação, a Aids mata dois milhões de pessoas e a tuberculose três milhões por ano. Além disso, afirmam os autores, as taxas de mortalidade se estabilizaram ou estão diminuindo na maioria dos países.
A exposição das crianças à fumaça de tabaco é “incrível” na China, Índia, Oriente Médio e outras regiões do mundo, disse Daar. Fumar afeta os pulmões, causa câncer e contamina o meio ambiente, entre tantos males que provoca, acrescentou. As empresas de tabaco, que estão perdendo terreno nos países ricos devido aos altos impostos e às campanhas de prevenção, concentram seu grande poder publicitário nos países pobres, que apenas podem fazer frente ao custo de comprar um produto altamente viciante e ao que o hábito de fumar impõe sobre seus sobrecarregados sistemas de saúde pública.
Campanhas educativas e a proibição de publicidade de cigarros são dois meios que podem ser usados para reduzir o número de fumantes. Milhões de vidas poderiam ser salvas se fossem adotadas as recomendações da Convenção Marco sobre Controle do Tabaco da Organização Mundial da Saúde. Mas, muitos países precisam de ajuda para colocá-las em prática, disse Daar. Entre as recomendações que Daar e os outros autores do artigo definem com os “20 Grandes Desafios” se encontra converter estas doenças crônicas não infecciosas em uma “prioridade política”, também promovendo estilos de vida mais sãos. Os governos também devem fazer cumprir rígidas regulamentações para desestimular o consumo de tabaco, álcool e comidas não saudáveis, acrescentaram.
A falta de exercícios está custando milhões de mortes prematuras que anularão os avanços feitos na redução das doenças infecciosas”, disse aaips Stig Pramming, diretor-executivo da Aliança para a Saúde de Oxford. “Os males crônicos não transmissíveis constituem a maior fonte de enfermidade e falta de capacidade em todos os países do mundo, com a única exceção dos da África subsaariana”, acrescentou. De todo modo, nesta região ainda há pessoas que estão consumindo mais comidas não saudáveis, tomando bebidas que contêm açúcar e não fazendo exercício físico suficiente. “Alguns morrem de doenças coronárias antes de completar 40 anos”, disse Daar.
O desafio para a comunidade internacional é levar o desenvolvimento aos países pobres mas sem as suas conseqüências negativas. Muita ênfase no desenvolvimento, sem considerar a saúde, gera situações como a que atravessa a Rússia, onde o alto crescimento da economia convive com uma redução de 10 anos na expectativa de vida, alertou Pramming. No caso dos homens russos, sua expectativa de vida caiu para 58 anos, em média, contra 72 entre os britânicos. “Se a Rússia não reverter esta tendência, sua economia também começará a declinar”, acrescentou.
Por sua vez, os Estados Unidos enfrentam uma explosão de casos de obesidade, que afetam 25% da população adulta. Se nada for feito para reverter este quadro, o custo em matéria de saúde, atualmente estimado em US$ 100 bilhões ao ano, ficará tão alto que a economia do país estará em problemas, acrescentou Pramming. Nesse país – e em todo o mundo – a comida não saudável é muito mais barata do que a saudável, por isso os pobres são os mais afetados por essas doenças não contagiosas. “Os governos têm que baratear o custo de uma dieta saudável, se necessário através de subsídios”, afirmou o especialista.
É preciso uma mudança nas políticas que favoreçam as agroindústrias e a produção em massa: “É um problema complexo, mas não particularmente difícil”, afirmou Pramming. Muitos dos passos que devem ser dados se superpõem com os necessários para enfrentar a questão da mudança climática. Por exemplo, fazer com que os alimentos frescos sejam acessíveis localmente, em lugar de confiná-los em supermercados distantes que obrigam o uso do automóvel para sua compra. “Uma vida saudável contribui para ter planeta são”, concluiu.
(Envolverde/ IPS)
Percepções sobre o câncer
Por Washington Castilhos, do Rio de Janeiro
Agência FAPESP – Mais de 90% dos brasileiros reconhecem a necessidade de detecção precoce do câncer, mas poucos sabem quais exames devem ser feitos para detectar a doença nas fases iniciais. O fumo e a exposição ao sol são amplamente reconhecidos como fatores de risco, mas ainda é muito baixa a associação da prevenção ao câncer com a alimentação saudável.
Esses são alguns dos resultados de uma pesquisa realizada pelo Instituto Nacional do Câncer (Inca), que entrevistou 2,1 mil pessoas nas regiões metropolitanas de todas as capitais do país. O objetivo foi conhecer as concepções do brasileiro em relação à doença.
No estudo, 71,96% dos entrevistados afirmaram saber o que é câncer. Apesar de 89,41% terem dito reconhecer a necessidade de detecção precoce para o sucesso do tratamento, significativos 17,6% declararam conhecer os exames necessários para a detecção precoce.
Foram citados o exame de próstata (11,68%), o ginecológico preventivo (13,52%), a mamografia (8,11%) e o exame das mamas pelo médico (9,79%). O auto-exame das mamas (2,48%), o de pele pelo médico (2,44%), o de sangue oculto nas fezes (1,6%) – importante para a detecção precoce do câncer de cólon – e o exame oral pelo dentista (0,97%) ficaram entre os menos citados.
“Fizemos a pesquisa para ver em que segmentos sociais temos que focar mais as campanhas, e também para refinar o conhecimento a respeito das percepções sobre o câncer. Uma coisa é saber o que pensa uma pessoa que tem a doença e outra é saber o que pensa a população em geral, especialmente em relação à prevenção, palavra-chave atualmente”, ressaltou o médico Luiz Antonio Santini, diretor do Inca.
A maioria dos entrevistados reconhece a importância da prevenção: 72,88% disseram que o câncer sempre pode ser prevenido, enquanto 11,09% apontaram que isso pode ocorrer em algumas situações. “Esse é um resultado positivo. Significa que estão prontos para adotar hábitos e alternativas de vida saudáveis, capazes de afastá-los de importantes fatores de risco. A pesquisa mostra um dado favorável e importante: a associação do cigarro à doença”, avaliou Santini.
Segundo ele, em relação aos exames e à prevenção, há ainda muitos obstáculos a serem vencidos. “Enquanto o câncer de colo de útero foi reduzido a um fator quase irrisório nos países mais ricos, no Brasil é a segunda causa de morte entre mulheres e o mais incidente em algumas regiões. A média de cobertura do exame de papanicolau é de 65%, enquanto o ideal seria 80%. Se separarmos entre população das cidades e do interior, veremos que, nas primeiras, a cobertura é de 80%, enquanto na segunda é bem menor. A população dos grandes centros está mais bem informada. Com essa pesquisa podemos direcionar a campanha a um público específico”, observou.
O estudo apontou também um desconhecimento sobre locais em que se pode fazer exames para detecção precoce: hospitais foram apontados por 43,39%, seguidos por clínicas (17,25%), postos de saúde (16,32%) e laboratórios (16,94%). “A porta de entrada do sistema de saúde são as unidades básicas ou primárias, os postos de saúde locais, onde são feitos os exames diagnósticos”, disse o diretor do Inca.
Quanto ao reconhecimento dos fatores de risco, os dados revelam que ainda há muito a avançar. O fumo e o excesso de exposição ao sol são os fatores de risco mais conhecidos, por 96,65% dos entrevistados. O número sobe para 100% na região Centro-Oeste e 98,04% na região Norte, seguidas pelas regiões Nordeste (97,15%), Sul (96,01%) e Sudeste (95,67%).
Já 92,41% indicaram o excesso de exposição ao sol como fator de risco. O índice mais alto foi verificado na região Centro-Oeste (97,42%). O consumo de bebidas alcoólicas em excesso foi reconhecido por 85,71% dos entrevistados.
A alimentação saudável e a prática de atividades físicas ainda não são identificadas como formas de prevenção ao câncer de forma expressiva. Dos entrevistados, 27,47% afirmam que a alimentação não tem relação com o câncer e 49,03% não relacionaram a falta de atividades físicas com o risco de adquirir a doença.
A maior parte dos entrevistados disse que o câncer pode ser tratado (78,77%) ou que, às vezes, pode ser tratado (14,74%). Apenas 4,60% afirmaram desconhecer tratamento para a doença.
Mais informações: www.inca.gov.br
quinta-feira, 29 de novembro de 2007
Dez mandamentos contra o câncer
Agência FAPESP – A amamentação pode ser uma poderosa arma na prevenção de alguns tipos de câncer. Por outro lado, o sal em excesso ou as bebidas açucaradas, como os refrigerantes, podem aumentar as chances de desenvolver tumores no estômago.
Esses são alguns dos alertas do relatório Alimentos, Nutrição, Atividade Física e Prevenção do Câncer: uma perspectiva global, lançado há duas semanas pelo Fundo Mundial para Pesquisas de Câncer e apresentado no 2º Congresso Internacional de Controle do Câncer, que terminou nesta quarta-feira (28/11), no Rio de Janeiro.
O documento reúne dez recomendações e foi resultado de uma pesquisa de cinco anos que agregou estudos de pesquisadores de diversos países. Esse segundo relatório – o primeiro foi lançado em 1997 – inclui um trabalho brasileiro sobre amamentação, da Rede Brasileira de Bancos de Leite Humano, que serviu como base para a décima recomendação.
“O novo relatório, embora apresente recomendações similares às do texto anterior, mostra evidências mais fortes de que essas recomendações estão corretas. O grande diferencial entre as duas publicações é que a atual indica que a prevenção precisa começar ainda mais cedo do que se defendia em 1997”, disse o pesquisador inglês Geoffrey Cannon, editor-chefe do relatório, à Agência FAPESP.
O relatório demonstra a importante associação entre alimentos, nutrição e atividade física com o risco de câncer. Cannon recomenda que os cuidados com a alimentação e com exercícios físicos devem começar desde cedo. De acordo com o estudo, manter-se magro dentro de limites saudáveis, evitando o consumo excessivo de carne vermelha e bebidas alcoólicas, é uma das melhores maneiras para prevenir a doença.
Segundo Cannon, a ligação entre gordura corporal e câncer é mais direta do que se imaginava. Foram encontradas evidências convincentes da ligação da obesidade com seis tipos de câncer: de esôfago, de pâncreas, do endométrio, de rim, de mama (pós-menopausa) e colo-retal.
Outra evidência encontrada no estudo é a ligação entre carnes vermelhas e processadas com o câncer colo-retal. A indicação é que não seja ingerida mais de 500 gramas de carne vermelha cozida por semana. Cannon também ressaltou a necessidade de cuidados com o consumo excessivo de sal e de açúcar. “Como herança da culinária portuguesa, o Brasil apresenta um consumo de sal que está entre os três mais altos do mundo”, alertou.
O especialista inglês destacou a importância de as orientações brasileiras sobre amamentação terem sido incorporadas ao documento. “A amamentação reduz o risco de obesidade na criança e de câncer de mama na mulher. Essa recomendação reforça ainda a necessidade de se trabalhar a prevenção e o controle do câncer por meio de todo o ciclo de vida. A amamentação exclusiva do bebê até os seis meses ajuda a evitar a obesidade, um dos principais fatores de risco para o câncer”, destacou.
Segundo Cannon, combater a obesidade é um desafio difícil. “Quando uma pessoa se torna obesa, o funcionamento do corpo muda, por isso o foco principal do relatório é sobre a prevenção da obesidade. É essencial o limite de alimentos com alta densidade energética”, disse.
As recomendações do Fundo Mundial para Pesquisas de Câncer para prevenção da doença são:
Mantenha-se o mais magro possível, sem ficar abaixo do peso.
Mantenha-se fisicamente ativo, por pelo menos 30 minutos todos os dias.
Evite bebidas açucaradas e limite o consumo de alimentos de alto valor calórico.
Coma mais alimentos de origem vegetal, como hortaliças, frutas, cereais e grãos integrais.
Limite o consumo de carnes vermelhas e evite carnes processadas.
Se for consumir bebidas alcoólicas, limite-as a duas doses ao dia se for homem e a uma dose se for mulher.
Limite o consumo de alimentos salgados e de comidas industrializadas com sal.
Não use suplementos alimentares para se proteger contra o câncer.
Lembre sempre: não fume.
Amamente as crianças até os seis meses.
terça-feira, 27 de novembro de 2007
Paradoxo do crescimento
Agência FAPESP – O Brasil terá aproximadamente 470 mil novos casos de câncer em 2008 e 2009. A estimativa foi divulgada nesta segunda-feira (26/11) pelo Instituto Nacional do Câncer (Inca) durante o 2º Congresso Internacional de Controle de Câncer, que está sendo realizado no Rio de Janeiro.
A doença já é a principal causa de morte nos países desenvolvidos. No Brasil, é a segunda, depois das cardiovasculares. O que chama a atenção nas estimativas, no entanto, são as diferenças regionais: o mapa da incidência geral da doença (incluindo todas as neoplasias) mostra que as regiões Sul e Sudeste concentrarão o maior número de casos.
A incidência na região Norte é a menor do país, o que indicaria que o câncer tende a ocorrer com mais freqüência em regiões de maior desenvolvimento econômico. Alguns fatores podem explicar essa situação.
“O câncer aumenta à medida que as doenças infecciosas diminuem. A população passa a viver mais e adoece de outras doenças”, disse o epidemiologista Cláudio Noronha, coordenador da Área de Prevenção e Vigilância do Inca, à Agência FAPESP.
Segundo ele, o aumento de casos da doença está ligado ao envelhecimento populacional. “Quanto mais tempo uma pessoa vive, maior será sua exposição aos fatores de risco. O aumento na expectativa de vida da população brasileira, especialmente no Sul e no Sudeste, explica, em parte, as diferentes incidências entre essas e outras regiões – a taxa de envelhecimento é menor no Norte e Nordeste. Mas é importante lembrar que essas regiões são as mais populosas e recebem pessoas de todo o país”, disse.
As diferenças socioeconômicas entre as regiões também parecem pesar nas estimativas quanto ao sexo. Segundo estudo feito pelo Inca, em relação aos homens, o câncer de próstata, nos próximos dois anos, será o mais prevalente no país, mas a segunda posição indica as diferenças regionais.
Enquanto o câncer de pulmão deverá estar em segundo lugar nas regiões Sul, Sudeste e Centro-Oeste, o de estômago ocupará a mesma posição no Norte e Nordeste. Em relação às mulheres, os tipos mais incidentes serão o de mama (Sul, Sudeste e Centro-Oeste) e o do colo de útero (Norte).
“Os cânceres de estômago e de colo de útero estão relacionados à alimentação inadequada e à má conservação de alimentos, fatores menos comuns nas regiões mais desenvolvidas”, observou Noronha.
As estimativas por estado mostram diferentes perfis da doença. Segundo o Inca, São Paulo liderará as estimativas para todos os tipos de câncer. As maiores taxas de câncer de próstata serão observadas no Rio de Janeiro, seguido por Rio Grande do Sul e São Paulo. Os gaúchos deverão ter maior incidência de câncer de pulmão, seguidos pelos catarinenses e pelos cariocas. Esse tipo de neoplasia será mais prevalente entre mulheres no Rio Grande do Sul, Rio de Janeiro e Paraná.
“Como resultado das campanhas antitabagismo e de prevenção ao câncer de pulmão, essa doença diminuiu entre os homens, mas aumentou entre as mulheres”, disse Noronha.
O coordenador da Área de Prevenção e Vigilância do Inca também ressaltou a importância da consciência de responsabilidade de cada pessoa sobre sua saúde. “Ainda ocorrem no país cerca de 10 mil mortes anuais por doenças ligadas ao tabagismo. Além disso, vale lembrar que 40% dos casos de câncer são evitáveis. Deixando de ingerir álcool e gorduras, evitam-se os cânceres de boca e de estômago, por exemplo. As pessoas têm que se conscientizar da importância de mudar hábitos”, salientou.
As estimativas podem ser acessadas no endereço www.inca.gov.br/vigilancia.