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terça-feira, 16 de dezembro de 2008

OMS aponta as principais causas de morte


Sandra Pereira
Em todas as regiões do planeta, os homens de 15 a 60 anos correm maior risco de morte do que as mulheres na mesma faixa etária, apontou a OMS (Organização Mundial da Saúde), no relatório 'O estado da saúde mundial', lançado no dia 4 de outubro. As razões para a diferença na mortalidade entre os sexos estariam nos problemas cardíacos, de que os homens são as maiores vítimas, e na violência e conflitos sociais, sobretudo na América Latina, Oriente Médio e Europa oriental. O relatório, divulgado a cada cinco anos, traz informações sobre os 193 países-membros da OMS.

De acordo com a organização, as doenças cardiovasculares são as principais causas de morte no mundo, superando aids e tuberculose. No entanto, as infecções respiratórias matam mais nos países pobres, onde a malária também aparece com 3,3% do total de mortes. No bloco das nações mais ricas, a aterosclerose coronariana e o AVC são as principais causas de óbitos, seguidas de diferentes formas de câncer. Na África, a Aids continua ocupando o primeiro lugar no ranking das causas de mortes entre os adultos. Já os europeus dessa faixa etária morrem mais de doenças cardiovasculares e ferimentos.

O documento calcula que anualmente 10,4 milhões de crianças morrem no mundo, metade delas na África. Mas os dados variam muito quando analisados por região e escala de desigualdade. Na África, metade da população morre antes de completar 16 anos. Já nos países ricos, apenas 1% das mortes envolve jovens, porque a maior mortalidade é entre pessoas com mais de 60 anos.

A OMS informa ainda que, em 2004, ano de referência do relatório, 2 milhões de pessoas morreram de aids. O número deve atingir 2,4 milhões em 2012, mas, segundo a organização, as campanhas, o acesso a medicamentos e os programas de ajuda podem mudar essa tendência. No momento atual, a aids já não aparece entre as dez maiores causas de morte nos países ricos. Nos países mais pobres, o HIV ainda é a quarta maior causa de óbitos. No entanto, a organização revela que as mortes vinculadas à aids cairão para décimo lugar até 2030. Em contrapartida, as mortes por acidentes de automóveis com vítimas fatais vão aumentar de 1,3 milhão para 2,4 milhões e passarão a ser o quinto maior responsável por mortes no mundo.

Outro fator importante será o envelhecimento das populações, resultante do desenvolvimento econômico, afirma o estudo. O número de mortes por câncer vai aumentar e as doenças não-transmissíveis serão responsáveis por 75% das mortes no mundo. O câncer passará de 7,4 milhões de vítimas em 2004 para 11,8 milhões em 2030.

A violência também é identificada pelo relatório como fator que afeta a saúde da população, em especial na América Latina, em função do crescimento das mortes e traumas decorrentes dos conflitos sociais.

sexta-feira, 15 de agosto de 2008

Cresce o número de diagnósticos de câncer de mama em mulheres com menos de 40 anos

Via Minha Vida

Jovens pacientes dispensam os exames preventivos de rotina e ficam mais sujeitas à doença
Linha pontilhada

Pesquisa realizada pelo Hospital do Câncer de São Paulo revela que o número de mulheres afetadas com o câncer de mama cresceu 11% e, hoje em dia, afeta 16% das mulheres com menos de 40 anos. As estatísticas também revelam que uma em cada 20 mulheres desenvolverá esse tipo de doença no decorrer da vida e, pior, em 60% a 70% dos casos, o diagnóstico é feito tardiamente, com o tumor já em fase adiantada.

A doença é a principal causa mundial de morte por câncer da população feminina entre 39 e 58 anos de idade e, no Brasil, estima-se que mais de 40 mil novos casos sejam diagnosticados neste ano. Embora não substitua as visitas ao médico, o maior aliado das mulheres é o auto-exame, responsável por detectar cerca de 75% dos casos. As chances de cura são de 90% quando a doença é detectada no início (tumores de 2 cm, em média). A inspeção visual e a palpação de cada mama pela própria mulher devem ser realizadas geralmente do 7º ao 10º dia após o início da menstruação.

A especialista em Radiologia do Lavoisier Medicina Diagnóstica/ DASA Maria Helena Louveira, lembra que, no caso de jovens, não é indicada a mamografia sem recomendação profissional. Temos que lembrar que este exame inclui a emissão de radiação ionizante. Quando aplicada de forma excessiva, ela pode ser nociva à saúde. Por isso, não devemos antecipar a inclusão da mamografia caso a paciente não tenha histórico familiar ou alterações genéticas que o justifiquem , ressalta.

A mamografia deve ser realizada entre 35 e 40 anos de idade e se submeter e ser repetida anualmente a partir dos 40 anos. Os principais sinais do tumor são o aparecimento de nódulo palpável nos seios ou de ínguas nas axilas, modificações na forma e tamanho das mamas, saída de secreção escura ou com sangue pelo mamilo e modificações na pele, na aréola mamária ou no mamilo. Nem todos os nódulos palpáveis na mama representam um tumor maligno. Também existem as alterações benignas, como os cistos e os fibroadenomas, que podem ser percebidos ao toque e têm evolução favorável , finaliza Maria Helena Loureira.

segunda-feira, 14 de abril de 2008

Valor Nutricional de Orgânicos

Dra. Elaine de Azevedo – Orgânicos e Saúde. Você ainda tem alguma dúvida? – Valor Nutricional de Orgânicos

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Um estudo de 10 anos comparando tomates orgânicos versus convencionais sugere que os orgânicos têm quase o dobro de antioxidantes chamados flavonóides que protegem o coração. De acordo com o estudo, níveis aumentados de quercetina e campeferol foram encontrados numa média de 79% e 97% , respectivamente, nos tomates orgânicos. O artigo foi publicado no Journal of Agricultural and Food Chemistry.

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Pesquisa feita com framboesas, morangos e milho de origem orgânica, pesquisadores encontraram um acréscimo de 20 a 58% de flavonóides nesses alimentos.

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Em Março de 2007, três projetos de pesquisa europeus revelaram que tomates, pêssegos e maçãs processadas orgânicos têm melhor valor nutricional que os convencionais.
Os tomates orgânicos têm maior teor de material seca total, açúcares totais, vitamina C , B- caroteno e flavonóides. Os pesquisadores recomendam tomates orgânicos como parte de uma dieta saudável capaz de prevenir câncer.
O estudo francês encontrou que pêssegos orgânicos têm maior conteúdo de polifenol no momento da colheita e conclui que o manejo orgânico apresenta efeitos positivos no sabor dos pêssegos.
O estudo polonês encontrou maior quantidade de substâncias bioativas - fenóis, flavonóides e vitamina C - em purê de maçã orgânico comparado com as conservas convencionais.

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Kiwis orgânicos têm maior nível de vitamina C e polifenóis e, conseqüentemente, maior atividade antioxidante. Além disso, pesquisadores da University of California Davis que fizeram a pesquisa afirmam que todos s constituintes minerais são mais concentrados no kiwi orgânico comparado ao convencional.

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Estudo apresentado no encontro da American Chemical Society mostra que laranjas de origem orgânica contêm até mais de 30% de vitamina C que as de origem convencional.

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Leite de origem orgânica contém 68% mais ácido graxo essencial ômega-3 de acordo com pesquisadores da University of Liverpool. A pesquisa foi publicada no Journal of Dairy Science também mostrou a superioridade do leite orgânico com relação a quantidade de vitamina E e de antioxidante B-caroteno.

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Carne de animais criados a pasto (manejo orgânico) tem maior quantidade de ácidos graxos essenciais polinsaturados ômega -3 e menor taxa de ácidos graxos saturados do que animais criados com grãos e rações. Resultados similares foram encontrados para frangos criados organicamente (38% mais ômega-3 que em frangos convencionais). Além disso, a carne dos frangos foi considerada mais saborosa e uma melhor alternativa de produção devido às condições de bem- estar animal e qualidade do produto. Os estudos foram publicados no Meat Science Journal.

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Outro estudo feito com frangos orgânicos mostram que esses apresentam 25% menos gordura total do que os frangos criados de forma intensiva em granjas. A pesquisa foi realizada no Institute of Brain Chemistry and Human Nutrition na London Metropolitan University.

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Frutas e verduras avaliadas nos EUA contém menor teor de vitaminas e minerais do que há 50 - 60 anos atrás segundo pesquisa da University of Texas. Os pesquisadores foram unânimes em afirmar que ao optar por vegetais orgânicos o consumidor ingere maior quantidade de micronutrients e de antioxidants.

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Uma revisão de 41 estudos apresentado no The Journal of Alternative and Complementary Medicine comparando alimentos orgânicos e convencionais encontrou entre os orgânicos um aumento na taxa de 21 nutrientes analisados. Entre os nutrientes pesquisados estão o ferro, o magnésio, o fósforo e a vitamina C .

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Fontes: SOIL ASSIOCIATION : http://www.soilassociation.org/
Traduzidos e revisados por Dra Elaine de Azevedo
AZEVEDO, Elaine de. Alimentos Orgânicos: ampliando conceitos de saúde humana, socioal e ambiental. Tubarão: Editora Unisul, 2006.

Fonte: Fontes: SOIL ASSIOCIATION : http://www.soilassociation.org/ Traduzidos e revisados por Dra Elaine de Azevedo

sexta-feira, 28 de março de 2008

sexta-feira, 14 de março de 2008

quarta-feira, 12 de dezembro de 2007

The Health Industry's Secret History of Delaying the Fight Against Cancer

By Christine Wenc, AlterNet. Posted December 6, 2007.

In her new book, Devra Davis exposes scientists and government officials who have worked to downplay or dismiss preventable causes of cancer.

What is the relationship between the mass production of synthetic chemicals, workplace chemical exposure, environmental pollution and rising cancer rates in the 20th and 21st centuries? In her new book, The Secret History of the War on Cancer, Devra Davis, director of the Center for Environmental Oncology at the University of Pittsburgh Cancer Institute, argues not only are there links between these developments, but the industries responsible for producing these chemicals and wastes have long been well aware of these connections and have sought, with much success, to downplay or dismiss them. As a result, industry has altered the very terms of the public and medical discussion of cancer, resulting in an overwhelming emphasis on cure rather than prevention. This approach has been far better for the industrial status quo rather than for the public health; the increase in cancer is not an artifact of improved diagnoses or the aging of the population.

Davis' book is a call for a fundamental shift in how we think about cancer in the early 21st century. The narrative proceeds as a series of almost freestanding essays. Topics range from the Nazi fight against cancer -- Hitler's scientists were among the first to connect smoking and carcinoma of the lung -- to the transformation of WWI mustard gas bombs into chemotherapy; the relationship between exposure to laboratory chemicals and cancer in medical researchers; the still-shocking history of the American tobacco industry; cancer in industrial workers and the ineffectiveness of safety regulations; genetic damage caused by Ritalin that can then lead to cancer; tumors caused by Aspartame; the very mixed track record of the mammogram; and the link between cancer and environmental hormones, asbestos, hair spray and cell phones (yes, they do seem to cause brain tumors in heavy users). In every case, scientific research into health effects is fundamentally intertwined with corporate interests.

Davis tells us that her book took 20 years to write, in part because she was told that she would lose her job at the National Academy of Sciences when she first proposed the project in 1986. In those 20 years, important works have been published on many of her topics, such as Robert Proctor's The Nazi War on Cancer and Allan Brandt's The Cigarette Century. Davis' work is different, however, in that it brings a cancer epidemiologist's eyewitness account into the story. She has composed her book as a memoir as well as a history, and she relates numerous personal conversations with colleagues over the years as well as the story of her parents' and a close friend's deaths from cancer.

Davis' narrative is compelling. The "war on cancer" announced by Richard Nixon in 1971, she writes, was a colossal misdirection. By 1971, senior researchers around the world already had known for decades that "smoking, sunlight, industrial chemicals, hormones, bad nutrition, alcoho and bum luck all affect the chance we will get cancer." Yet from the start, industry blocked the examination of these known causes and instead poured resources into finding a cure. But after 40 years and $69 billion poured into this war, "it is still easier for people to become cancer statistics than to understand them." We now spend $100 billion on cancer treatments in a single year, yet when it comes to prevention, we have been mostly standing in place.

The problem for those who want to change course in how we think about cancer is that industry misdirection is now so well-established that it is has become fact: It is almost impossible to examine the long-term health effects of any industrial substance without relying in part on research conducted by industry itself. Likewise, discussion of environmental hazards in the popular media continues to be infected by skepticism and politicization -- most of which is not warranted by the scientific evidence but has been deliberately crafted and inserted into public discourse by masters of public relations like Edward Bernays, beginning more than 60 years ago. Finding an expert without baggage is a difficult task; many major 20th century cancer researchers have ended up working for industry, including the revered Sir Richard Doll, the British epidemiologist who in the 1950s proved that cigarette smoking causes cancer. The American Cancer Society was stocked with industry heads and paid-off scientists almost from the start.

Finally, because bodily contamination with hundreds of synthetic industrial chemicals is ubiquitous -- everyone from newborn babies in Iowa to grandfathers in Nepal now lives with a cocktail of pesticides, heavy metals, PCBs and plastics in their bodies -- it is basically impossible to find an uncontaminated control group, in man or beast, to study their effects. This means that using current epidemiological techniques, which rely on the comparison of large groups, it is almost no longer possible to determine the health effects of environmental and workplace pollutants.

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sexta-feira, 30 de novembro de 2007

Pobres que morrem como ricos

Por Stephen Leahy, da IPS

Especialistas em saúde alertam que as mortes por ataques cardíacos, derrames cerebrais e diabete, causadas por doenças crônicas não infecciosas, acabam com mais do dobro de vidas do que outras que são infecciosas, com Aids, malária ou tuberculose. Nos próximos 10 anos, cerca de 388 milhões de pessoas morrerão por causa destas doenças que podem ser prevenidas, provocadas fundamentalmente pelo hábito de fumar, uma dieta ruim e falta de exercício físico. Embora sejam considerada com freqüência “doenças de ricos”, a maioria destas mortes ocorreram em países pobres, segundo os autores de um artigo publicado na última edição da revista científica Nature.

“Enfrentamos uma crise sobre a qual poucos políticos e funcionários governamentais estão ao par”, alertou o principal autor do estudo, Abdallah S. Daar, do não-governamental Centor McLaughlin-Rotman de Toronto. Os países em desenvolvimento e as organizações de ajuda sanitária se concentram quase exclusivamente nas doenças infecciosas. “Mas isto equivale a apagar um fogo em um prédio em chamas desde o térreo até a cobertura”, disse Daar as IPS. A boa notícia é que existe uma solução fácil para prevenir estas enfermidades não transmissíveis.

“Com uma ação concertada podemos evitar, pelo menos, 36 milhões de mortes prematuras até 2015. Alguns destes falecimentos serão de pessoas com menos de 70 anos”, diz o artigo da Nature. O habito de fumar é a causa que pode ser combatida da maneira mais simples e o lugar óbvio para começar a agir, acrescenta. As mortes relacionadas com o tabaco chegam a cinco milhões de pessoas ao ano e estima-se que chegarão a 10 milhões até 2030, com a maior parte dos casos no Sul em desenvolvimento, informou a Fundação Mundial do Pulmão. Em comparação, a Aids mata dois milhões de pessoas e a tuberculose três milhões por ano. Além disso, afirmam os autores, as taxas de mortalidade se estabilizaram ou estão diminuindo na maioria dos países.

A exposição das crianças à fumaça de tabaco é “incrível” na China, Índia, Oriente Médio e outras regiões do mundo, disse Daar. Fumar afeta os pulmões, causa câncer e contamina o meio ambiente, entre tantos males que provoca, acrescentou. As empresas de tabaco, que estão perdendo terreno nos países ricos devido aos altos impostos e às campanhas de prevenção, concentram seu grande poder publicitário nos países pobres, que apenas podem fazer frente ao custo de comprar um produto altamente viciante e ao que o hábito de fumar impõe sobre seus sobrecarregados sistemas de saúde pública.

Campanhas educativas e a proibição de publicidade de cigarros são dois meios que podem ser usados para reduzir o número de fumantes. Milhões de vidas poderiam ser salvas se fossem adotadas as recomendações da Convenção Marco sobre Controle do Tabaco da Organização Mundial da Saúde. Mas, muitos países precisam de ajuda para colocá-las em prática, disse Daar. Entre as recomendações que Daar e os outros autores do artigo definem com os “20 Grandes Desafios” se encontra converter estas doenças crônicas não infecciosas em uma “prioridade política”, também promovendo estilos de vida mais sãos. Os governos também devem fazer cumprir rígidas regulamentações para desestimular o consumo de tabaco, álcool e comidas não saudáveis, acrescentaram.

A falta de exercícios está custando milhões de mortes prematuras que anularão os avanços feitos na redução das doenças infecciosas”, disse aaips Stig Pramming, diretor-executivo da Aliança para a Saúde de Oxford. “Os males crônicos não transmissíveis constituem a maior fonte de enfermidade e falta de capacidade em todos os países do mundo, com a única exceção dos da África subsaariana”, acrescentou. De todo modo, nesta região ainda há pessoas que estão consumindo mais comidas não saudáveis, tomando bebidas que contêm açúcar e não fazendo exercício físico suficiente. “Alguns morrem de doenças coronárias antes de completar 40 anos”, disse Daar.

O desafio para a comunidade internacional é levar o desenvolvimento aos países pobres mas sem as suas conseqüências negativas. Muita ênfase no desenvolvimento, sem considerar a saúde, gera situações como a que atravessa a Rússia, onde o alto crescimento da economia convive com uma redução de 10 anos na expectativa de vida, alertou Pramming. No caso dos homens russos, sua expectativa de vida caiu para 58 anos, em média, contra 72 entre os britânicos. “Se a Rússia não reverter esta tendência, sua economia também começará a declinar”, acrescentou.

Por sua vez, os Estados Unidos enfrentam uma explosão de casos de obesidade, que afetam 25% da população adulta. Se nada for feito para reverter este quadro, o custo em matéria de saúde, atualmente estimado em US$ 100 bilhões ao ano, ficará tão alto que a economia do país estará em problemas, acrescentou Pramming. Nesse país – e em todo o mundo – a comida não saudável é muito mais barata do que a saudável, por isso os pobres são os mais afetados por essas doenças não contagiosas. “Os governos têm que baratear o custo de uma dieta saudável, se necessário através de subsídios”, afirmou o especialista.

É preciso uma mudança nas políticas que favoreçam as agroindústrias e a produção em massa: “É um problema complexo, mas não particularmente difícil”, afirmou Pramming. Muitos dos passos que devem ser dados se superpõem com os necessários para enfrentar a questão da mudança climática. Por exemplo, fazer com que os alimentos frescos sejam acessíveis localmente, em lugar de confiná-los em supermercados distantes que obrigam o uso do automóvel para sua compra. “Uma vida saudável contribui para ter planeta são”, concluiu.


(Envolverde/ IPS)

quinta-feira, 29 de novembro de 2007

Dez mandamentos contra o câncer

Por Washington Castilhos, do Rio de Janeiro

Agência FAPESP – A amamentação pode ser uma poderosa arma na prevenção de alguns tipos de câncer. Por outro lado, o sal em excesso ou as bebidas açucaradas, como os refrigerantes, podem aumentar as chances de desenvolver tumores no estômago.

Esses são alguns dos alertas do relatório Alimentos, Nutrição, Atividade Física e Prevenção do Câncer: uma perspectiva global, lançado há duas semanas pelo Fundo Mundial para Pesquisas de Câncer e apresentado no 2º Congresso Internacional de Controle do Câncer, que terminou nesta quarta-feira (28/11), no Rio de Janeiro.

O documento reúne dez recomendações e foi resultado de uma pesquisa de cinco anos que agregou estudos de pesquisadores de diversos países. Esse segundo relatório – o primeiro foi lançado em 1997 – inclui um trabalho brasileiro sobre amamentação, da Rede Brasileira de Bancos de Leite Humano, que serviu como base para a décima recomendação.

“O novo relatório, embora apresente recomendações similares às do texto anterior, mostra evidências mais fortes de que essas recomendações estão corretas. O grande diferencial entre as duas publicações é que a atual indica que a prevenção precisa começar ainda mais cedo do que se defendia em 1997”, disse o pesquisador inglês Geoffrey Cannon, editor-chefe do relatório, à Agência FAPESP.

O relatório demonstra a importante associação entre alimentos, nutrição e atividade física com o risco de câncer. Cannon recomenda que os cuidados com a alimentação e com exercícios físicos devem começar desde cedo. De acordo com o estudo, manter-se magro dentro de limites saudáveis, evitando o consumo excessivo de carne vermelha e bebidas alcoólicas, é uma das melhores maneiras para prevenir a doença.

Segundo Cannon, a ligação entre gordura corporal e câncer é mais direta do que se imaginava. Foram encontradas evidências convincentes da ligação da obesidade com seis tipos de câncer: de esôfago, de pâncreas, do endométrio, de rim, de mama (pós-menopausa) e colo-retal.

Outra evidência encontrada no estudo é a ligação entre carnes vermelhas e processadas com o câncer colo-retal. A indicação é que não seja ingerida mais de 500 gramas de carne vermelha cozida por semana. Cannon também ressaltou a necessidade de cuidados com o consumo excessivo de sal e de açúcar. “Como herança da culinária portuguesa, o Brasil apresenta um consumo de sal que está entre os três mais altos do mundo”, alertou.

O especialista inglês destacou a importância de as orientações brasileiras sobre amamentação terem sido incorporadas ao documento. “A amamentação reduz o risco de obesidade na criança e de câncer de mama na mulher. Essa recomendação reforça ainda a necessidade de se trabalhar a prevenção e o controle do câncer por meio de todo o ciclo de vida. A amamentação exclusiva do bebê até os seis meses ajuda a evitar a obesidade, um dos principais fatores de risco para o câncer”, destacou.

Segundo Cannon, combater a obesidade é um desafio difícil. “Quando uma pessoa se torna obesa, o funcionamento do corpo muda, por isso o foco principal do relatório é sobre a prevenção da obesidade. É essencial o limite de alimentos com alta densidade energética”, disse.

As recomendações do Fundo Mundial para Pesquisas de Câncer para prevenção da doença são:

Mantenha-se o mais magro possível, sem ficar abaixo do peso.
Mantenha-se fisicamente ativo, por pelo menos 30 minutos todos os dias.
Evite bebidas açucaradas e limite o consumo de alimentos de alto valor calórico.
Coma mais alimentos de origem vegetal, como hortaliças, frutas, cereais e grãos integrais.
Limite o consumo de carnes vermelhas e evite carnes processadas.
Se for consumir bebidas alcoólicas, limite-as a duas doses ao dia se for homem e a uma dose se for mulher.
Limite o consumo de alimentos salgados e de comidas industrializadas com sal.
Não use suplementos alimentares para se proteger contra o câncer.
Lembre sempre: não fume.
Amamente as crianças até os seis meses.

terça-feira, 27 de novembro de 2007

Paradoxo do crescimento

Por Washington Castilhos, do Rio de Janeiro

Agência FAPESP – O Brasil terá aproximadamente 470 mil novos casos de câncer em 2008 e 2009. A estimativa foi divulgada nesta segunda-feira (26/11) pelo Instituto Nacional do Câncer (Inca) durante o 2º Congresso Internacional de Controle de Câncer, que está sendo realizado no Rio de Janeiro.

A doença já é a principal causa de morte nos países desenvolvidos. No Brasil, é a segunda, depois das cardiovasculares. O que chama a atenção nas estimativas, no entanto, são as diferenças regionais: o mapa da incidência geral da doença (incluindo todas as neoplasias) mostra que as regiões Sul e Sudeste concentrarão o maior número de casos.

A incidência na região Norte é a menor do país, o que indicaria que o câncer tende a ocorrer com mais freqüência em regiões de maior desenvolvimento econômico. Alguns fatores podem explicar essa situação.

“O câncer aumenta à medida que as doenças infecciosas diminuem. A população passa a viver mais e adoece de outras doenças”, disse o epidemiologista Cláudio Noronha, coordenador da Área de Prevenção e Vigilância do Inca, à Agência FAPESP.

Segundo ele, o aumento de casos da doença está ligado ao envelhecimento populacional. “Quanto mais tempo uma pessoa vive, maior será sua exposição aos fatores de risco. O aumento na expectativa de vida da população brasileira, especialmente no Sul e no Sudeste, explica, em parte, as diferentes incidências entre essas e outras regiões – a taxa de envelhecimento é menor no Norte e Nordeste. Mas é importante lembrar que essas regiões são as mais populosas e recebem pessoas de todo o país”, disse.

As diferenças socioeconômicas entre as regiões também parecem pesar nas estimativas quanto ao sexo. Segundo estudo feito pelo Inca, em relação aos homens, o câncer de próstata, nos próximos dois anos, será o mais prevalente no país, mas a segunda posição indica as diferenças regionais.

Enquanto o câncer de pulmão deverá estar em segundo lugar nas regiões Sul, Sudeste e Centro-Oeste, o de estômago ocupará a mesma posição no Norte e Nordeste. Em relação às mulheres, os tipos mais incidentes serão o de mama (Sul, Sudeste e Centro-Oeste) e o do colo de útero (Norte).

“Os cânceres de estômago e de colo de útero estão relacionados à alimentação inadequada e à má conservação de alimentos, fatores menos comuns nas regiões mais desenvolvidas”, observou Noronha.

As estimativas por estado mostram diferentes perfis da doença. Segundo o Inca, São Paulo liderará as estimativas para todos os tipos de câncer. As maiores taxas de câncer de próstata serão observadas no Rio de Janeiro, seguido por Rio Grande do Sul e São Paulo. Os gaúchos deverão ter maior incidência de câncer de pulmão, seguidos pelos catarinenses e pelos cariocas. Esse tipo de neoplasia será mais prevalente entre mulheres no Rio Grande do Sul, Rio de Janeiro e Paraná.

“Como resultado das campanhas antitabagismo e de prevenção ao câncer de pulmão, essa doença diminuiu entre os homens, mas aumentou entre as mulheres”, disse Noronha.

O coordenador da Área de Prevenção e Vigilância do Inca também ressaltou a importância da consciência de responsabilidade de cada pessoa sobre sua saúde. “Ainda ocorrem no país cerca de 10 mil mortes anuais por doenças ligadas ao tabagismo. Além disso, vale lembrar que 40% dos casos de câncer são evitáveis. Deixando de ingerir álcool e gorduras, evitam-se os cânceres de boca e de estômago, por exemplo. As pessoas têm que se conscientizar da importância de mudar hábitos”, salientou.

As estimativas podem ser acessadas no endereço www.inca.gov.br/vigilancia.

segunda-feira, 12 de novembro de 2007

Leite materno turbina o QI do bebê

por Nikhil Swaminathan
pela Sciam

Segundo um novo estudo, a criança amamentada possui uma variante gênica que ajuda a processar os ácidos graxos

A inteligência é inata ou influenciada pelo ambiente? Essa discussão está em pauta há mais de um século. Uma das questões mais recentes na batalha entre natureza x criação está o efeito do leite materno sobre o QI.

Pesquisas demonstraram que os ácidos graxos no leite humano podem influenciar o desenvolvimento cerebral. Utilizando esses dados como ponto de partida, um grupo de cientistas liderado por uma equipe do Instituto de Psiquiatria do King´s College London resolveu investigar como a constituição das crianças interage com o leite materno a ponto de afetar sua inteligência.

Os resultados, publicados no Proceedings of the National Academy of Science USA, revelam que o aleitamento materno pode turbinar o quociente de inteligência de um bebê se o recém-nascido possui uma versão específica de um gene, o FADS2 (sigla em inglês para desaturase 2 de ácido graxo), que afeta o processamento dos ácidos graxos.

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terça-feira, 4 de setembro de 2007

Comida certa para prevenir doenças

Maria Cristina Miguez/Especial para BR Press
(BR Press) - Mudar a mentalidade na saúde. Esta é a proposta da pesquisadora da Unicamp, a nutricionista Gláucia Pastore. Segundo ela, o Sistema Único de Saúde (SUS) poderia baixar seus custos se apostasse mais da prevenção do que no tratamento da doença. Pastore afirma que 70% dos custos do SUS são destinados ao tratamento de enfermidades que podem ser evitadas com alimentação adequada ou funcional.

Os alimentos funcionais
Alimento> funcional é aquele alimento ou ingrediente que, além das funções nutricionais básicas, quando consumido como parte da dieta usual, produz efeitos metabólicos e/ou fisiológicos e/ou efeitos benéficos à saúde, devendo ser seguro para consumo sem supervisão médica. Pastore sugere que a utilização de antioxidantes para prevenção e tratamento de várias doenças crônico-degenerativas como, diabetes, colesterol alto, artrite reumatóide, artrose, doenças cardiovasculares, pode mudar essa estatística.

A nutricionista chama a atenção quanto à freqüência de uso dos alimentos funcionais. "Para se obter os benefícios dos alimentos ou de uma suplementação é preciso haver um consumo contínuo. Além disso, o estilo de vida e o bom funcionamento da flora intestinal são essenciais nesse objetivo", explica.

A farmacêutica Cristiane Fahl, reforça a idéia da pesquisadora da Unicamp, assegurando que os alimentos funcionais fazem parte da última tendência dentro da nutrição e estilo de consumo alimentar. "É a chamada quarta onda. Existe atualmente uma busca por mais saúde e bem-estar e a demanda por produtos com valor funcional é cada vez maior", destacou Cristiane.

Benefícios

No mercado há inúmeras ofertas de produtos ricos em substâncias antioxidantes, antiinflamatórias, imunoestimulantes, entre outras funções importantes para o equilíbrio do organismo. Um deles é a cápsula mole de ômega 3, que possui um alto teor de EPA e DHA – ácidos graxos polinsaturados, que auxiliam na redução da hipertensão e contribuem para a manutenção de níveis saudáveis de triglicérides. O ômega 3 é também um potente antioxidante oral e combate os malefícios da gordura trans.

Saiba mais sobre os benefícios dos alimentos funcionais:

Ômega 3: rico em ácidos graxos poliinsaturados do tipo ômega 3. A carência no organismo dessas substâncias desfavorece a neutralização dos radicais livres provenientes da gordura trans dos alimentos, auxilia a hiperlipidemia e a síndrome plurimetabólica. Uma dieta pobre em ômega-3 favorece o desenvolvimento de doenças crônicas cardiovasculares.

Óleo de linhaça: principal fonte de ácido linolênico (ácido graxo pertencente à família do ômega 3), lignana, ácido linoléico (ômega-6), ômega-9 e vitamina E. Uma dieta pobre em nutrientes presentes no óleo de linhaça favorece o desenvolvimento de hipertensão, queda do sistema imunológico, deficiência na cascata da coagulação, tensão pré-menstrual, mastalgia, hiperlipidemia, além de exacerbar processos inflamatórios, uma vez que o óleo de linhaça é conhecido como um antiinflamatório natural do organismo.

Lecitina de soja: a soja é a mais rica fonte natural de lecitina, sendo utilizada pelo corpo para construir grande parte dos tecidos nervosos e cerebrais. A carência de seus nutrientes pode elevar os níveis sangüíneos de colesterol e triglicérides, levando ao acúmulo no organismo, prejudicando a capacidade de raciocínio, o controle muscular e a incidência de arteriosclerose.

Óleo de alho: é um germicida natural, com 1/10 da potência antibiótica da penicilina. O óleo de alho é efetivo contra germes e bacilos causadores de diversos males. A carência de seus componentes no organismo pode causar um baixo estímulo nas glândulas de secreção interna, diminuir a resistência orgânica, estimular a hipertensão e dificultar o processo circulatório, além de aumentar os níveis de colesterol no sangue e susceptibilidade a gripes, resfriados, reumatismo e diabetes. Possui efeito antitóxico, diminuindo a formação de toxinas no organismo.

Óleo de fígado de bacalhau: excelente fonte natural de vitaminas A e D para o organismo. A carência destes nutrientes favorece o acúmulo de colesterol e triglicérides no sangue, obesidade, celulite e flacidez, além de prejudicar a reabsorção óssea de cálcio, enfraquecer o sistema imunológico e diminuir a acuidade visual.

Óleo de prímula: rica em fonte de ácido gamalinolêico (GLA), essencial à manutenção do equilíbrio orgânico e bastante escasso nos hábitos alimentares. A carência dos nutrientes do óleo de prímula no organismo feminino pode causar alterações físicas e emocionais da tensão pré-menstrual (TPM), como irritação, estresse, insônia, cólicas menstruais, inchaço nos seios e retenção de líquidos. Na pele, a falta destes nutrientes pode levar ao descontrole da oleosidade cutânea.

segunda-feira, 3 de setembro de 2007

Colesterol 'pode ampliar risco de câncer de próstata'

da BBC.

Cientistas do Instituto de Pesquisas Farmacológicas Mario Negri, em Milão, concluíram um estudo que indica que o alto nível de colesterol pode estar relacionado com uma maior propensão ao câncer de próstata.
Os pesquisadores analisaram dados de 2.745 homens, mas, em um artigo nos Anais da Oncologia, eles disseram que ainda precisam realizar novos exames para comprovar a relação.

Apesar disso, eles acreditam que a explicação pode estar no fato de o organismo utilizar o colesterol para produzir hormônios masculinos que estariam ligados ao câncer de próstata.

"Os hormônios andróginos, que têm um papel fundamental no tecido da próstata, são sintetizados a partir do colesterol, o que sugere uma relação biológica entre a substância e o câncer", disse Cristina Bosetti, uma das autoras da pesquisa.

Vesícula

Ao realizarem as análises, os especialistas descobriram que os homens com a doença apresentavam altos índices de colesterol.

A associação era particularmente forte entre aqueles que foram diagnosticados antes dos 50 anos de idade ou depois dos 65 anos.

Ambos os grupos tinham 80% mais chances de apresentar colesterol alto que os homens sem câncer.

O estudo também mostrou que pacientes que sofrem da doença tinham 26% mais chances de apresentar pedras na vesícula biliar. Os homens mais magros pareceram ser os mais vulneráveis.

"Os cálculos biliares também estão relacionados com o colesterol alto, pois muitas vezes são compostos pelo colesterol", explicou Bosetti.

"Portanto essa relação direta que descobrimos entre as pedras na vesícula e o câncer de próstata, apesar de ser insignificante estatisticamente, sugere um mecanismo biológico semelhante que pode explicar a ligação."

Bosetti afirmou ainda que existem indícios de que remédios usados para baixar o colesterol podem proteger contra o câncer de próstata.

Apesar disso, ela admite que estudos que investigam essa questão ainda são limitados e inconclusivos.

Dieta

Outros especialistas classificaram as descobertas dos cientistas italianos como plausíveis, mas questionam a teoria sobre o colesterol.

"Existem muitas evidências de que a dieta é um dos fatores para o desenvolvimento do câncer de próstata", afirmou Nick James, oncologista da Universidade de Birmingham, na Grã-Bretanha.

Ele cita como exemplo o fato de a doença ser mais comum em países do norte da Europa, onde o consumo de gordura animal é alto.

"Esta nova pesquisa traz uma mensagem positiva, ao sugerir que as próprias pessoas podem fazer algo para reduzir as chances de sofrerem desta doença que já está entre as principais responsáveis por mortes em homens", disse James.

Entretanto, o cientista britânico se diz pouco convencido pela idéia do papel fundamental atribuído aos hormônios masculinos.

Segundo ele, algumas das substâncias utilizadas para "quebrar" o colesterol são reconhecidamente cancerígenas.

Para Chris Hiley, da organização não-governamental Prostate Cancer Charity, ainda são necessários novos estudos.

"Enquanto isso, é importante que as pessoas se conscientizem quanto ao valor de uma dieta equilibrada e variada. Nós incentivamos os homens a cortar o consumo de alimentos gordurosos, além da carne vermelha, e a comer mais peixes, alimentos ricos em fibras, frutas e legumes", disse Hiley.

segunda-feira, 27 de agosto de 2007

Gordura trans: a vilã do momento

Do mais inocente pãozinho até um delicioso hambúrguer todos podem estar à mercê de um perigoso vilão das refeições crocantes: a gordura trans. Temida por muitos e condenada por médicos, nutricionistas e cientistas, esta gordura apresenta na sua composição ácidos graxos trans esterificados com o glicerol.

Os ácidos graxos trans são formados, principalmente no processo de hidrogenação industrial, e é o resultado na mudança da posição dos hidrogênios das duplas ligações dos ácidos graxos insaturados cis. Esta mudança, posicionando os hidrogênios em lados opostos nas duplas ligações dos ácidos graxos trans, é a responsável pela diminuição da fluidez e no aumento no ponto de fusão, em comparação aos ácidos graxos cis correspondentes.

Mas o que essa gordura tem de tão prejudicial? A partir de diferentes estudos, epidemiológicos ou laboratoriais, é visível que a presença deste tipo de gordura na dieta é a responsável por alterações metabólicas. Avaliações epidemiológicas demonstram que a presença de elevados teores de ácidos graxos trans na dieta está relacionada com o aumento de problemas circulatórios. Nos Estados Unidos, os números preocupam. Estimativas apontam de que os ácidos graxos trans, provenientes de óleos industrialmente hidrogenados, podem ser os responsáveis por 30.000 a 100.000 mortes por ano, resultantes de problemas coronarianos.

O que se sabe também é que os ácidos graxos trans no tecido adiposo estão associados com o aumento da freqüência das cardiopatias e com a alteração da razão entre as lipoproteínas LDL (mau): HDL (bom) colesterol, podendo provocar infartos, derrames e outras doenças. O nível de consumo dos ácidos graxos trans está intimamente associado com a presença nos eritrócitos e relacionado com o aumento da razão entre as lipoproteínas LDL: HDL colesterol. Os nomes podem parecer complicados, mas os efeitos são degradantes e a preocupação chega em todas as esferas. Os resultados das pesquisas laboratoriais e epidemiológicas, realizadas com os ácidos graxos trans, levaram as entidades governamentais de diversos países a estabelecer limites no consumo de ácidos graxos trans nas recomendações nutricionais.

No Brasil, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (ANVISA) recomenda que o consumo diário de ácidos graxos trans deve ser menor do que 1% das calorias ingeridas. Isto significa que uma pessoa que necessita de 2000 kcal/dia deve consumir menos de 20 kcal representadas por ácidos graxos trans, as quais correspondem a aproximadamente 2,2 gramas. Ainda, através da Resolução RDC nº 360, obrigou a partir de 31 de julho de 2006 o registro da quantificação dos ácidos graxos trans nos rótulos dos alimentos. Estas medidas têm como objetivo alertar a população brasileira dos riscos à saúde induzidos pelo consumo elevado de ácidos graxos trans.

Nos Estados Unidos, no final do ano passado, o Departamento de Saúde da Cidade de Nova Iorque estabeleceu que todos restaurantes, não podem utilizar margarinas, óleos e "shortening" que contenham mais de 0,5g de ácidos graxos trans. E a partir de julho de 2008, devem retirar do cardápio os alimentos que excedam este limite.

Enquanto estes assuntos são pautas diárias em congressos, salas de aula e nas páginas de jornais e revistas, o melhor a fazer é procurar os produtos que possuem a menor taxa de gordura trans. Sua saúde agradece.

Por Jorge Mancini Filho

sexta-feira, 24 de agosto de 2007

Disseminação de doenças é recorde, diz ONU

Por Gustavo Barreto para Consciência.Net
Agosto 23, 2007

Novas enfermidades estão surgindo "com mais rapidez do que nunca", afirma relatório da Organização Mundial da Saúde. Mundo atual tem pelo menos 40 doenças que eram desconhecidas pela geração passada, segundo o informe sobre a situação da saúde pública mundial de 2007, lançado nesta quinta (23). Por Gustavo Barreto

A Organização Mundial de Saúde (OMS) lançou na última quinta-feira, dia 23 de agosto, o informe sobre a saúde no mundo de 2007, com o título Un porvenir más seguro: protección de la salud pública mundial en el siglo XXI ("Um futuro mais seguro: proteção da saúde pública mundial no século XXI"). A OMS considera o documento "um marco na história da saúde pública mundial" e potencialmente "um dos maiores avanços realizados em meio século para alcançar a seguridade sanitária".

A publicação expõe alguns riscos crescentes que correm pelo mundo, como a emergência de enfermidades, epidemias, acidentes industriais, desastres naturais e outras emergências de saúde que podem converter-se rapidamente em ameaças para a segurança sanitária mundial. O informe explica que o Regulamento Sanitário Internacional revisado (2005), em vigor a partir deste ano, dá suporte para que os países colaborem para identificar os riscos e atuar de modo a contê-los e controlá-los.

O Regulamento é necessário porque nenhum país, independentemente de sua capacidade ou riqueza, pode proteger-se de emergências sanitárias e dos demais riscos sem a cooperação de outros países. O informe assinala que um futuro mais seguro é possível e que constitui tanto uma aspiração coletiva como uma responsabilidade recíproca.

Você pode acessar o informe "Um futuro mais seguro: proteção da saúde pública mundial no século XXI" - em inglês, francês e espanhol - pelo site:
http://www.who.int/whr/2007/es/index.html